Chutando a escada: livre mercado a nível macro, meritocracia a nível micro

Roniel Sampaio Silva
Lendo um pouco
mais sobre o economista sul-coreano Ha-Joon Chang percebi o quanto
as ideias do livre mercado assemelhava-se com um defensor do não-intervencionismo que conheci tempos
atrás.
Acabei por descobrir que lógica dos
países centrais na era a mesma de seu ávido defensor que ora conheci: chutar o
balde. Como assim? Explico melhor.
O referido economista Sul-coreano relata que a ideia de livre mercado surge como estratégia ideológica dos países centrais
do capitalismo os quais agiram de maneira intervencionista e protecionista em
relação a suas economias no sentido de desenvolvê-la e fortificá-la.  
Após isso,
passaram a defender políticas não-intervencionistas sob alegação de que apenas
tal prática macro econômica é aceitável, correta e somente ela trará vigor
econômico a todos os países de maneira geral.  
Ocorre que tal discurso só é proferido tão somente depois que as
economias destes países centrais foram se tornado fortes o suficiente a ponto da
concorrência com os países periféricos tornarem-se extremamente desigual, dadas as oportunidades e o desenvolvimento histórico, político e econômico que
construiu esse cenário.
O ávido defensor do livre mercado seguia a mesma lógica do livre mercado para o plano micro,
defendia a meritocracia. Ele estudou a graduação, mestrado e doutorado em
universidade pública, e com bolsa. Após isso, tentou trabalhar em uma
instituição privada mas não conseguiu adaptar-se a tamanha precarização a qual
colocava o lucro num patamar acima de qualquer dignidade. Resolveu mais uma vez
buscar uma instituição pública, dessa vez para atuar como professor. 

Hoje ele
defende avidamente, além do livre mercado, a privatização da universidade
federal a qual leciona. Depois de chegar onde chegou, fica bem mais fácil
chutar a escada, concordam?
Para além dos argumento ad hominem, faz-se necessário analisar cuidadosamente as propostas de meritocracia e de livre-mercado, as quais defendem uma suposta neutralidade; mas acaba sendo utilizadas como mecanismos ideológicos para privilegiar certos grupos em detrimentos de outros – partindo de uma perspectiva anacrônica.
ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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  1. Unknown
    maio 29, 19:43 Unknown

    Chang defende o livre mercado? Privatização de Universidade? Aconselho ler os Maus samaritanos e 23 coisas que não contaram sobre o capitalismo.

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