Lições de Nuremberg

Por Roniel Sampaio Silva

Quando os aliados invadiram a Alemanha nazista eles viram de perto os mais absurdos horrores da guerra, eles viram pessoas mortas sem direito a defesa, sem julgamento, execuções sumárias e a completa negação do estado de direito, negação inclusive da humanidade das pessoas. Eles viram alguns de seus companheiros de batalha e civis sendo torturados e mortos pela barbárie dos nazistas e isso os fizeram sentir um extremo ódio aos nazistas em muitos momentos, ódio que estava se transformando em revanchismo.
Na medida em chegaram aos altos escalões das pessoas que comandavam tais ações, eles pensaram em fazer a mesma coisa com os algozes: matar, torturar, executar sem nenhuma chance de defesa, afinal, estavam numa guerra, poderiam assassiná-los ou torturá-los a qualquer momento… fazer as mesmas coisas que faziam contra eles. Durante alguns momentos, pararam e pensaram quem eles eram e porquê estavam ali. Chegaram a conclusão que a obstinação em torno do inimigo era tamanha que eles poderiam  estar fazendo as mesmas insanidades que eles tanto combatiam. Assim, num momento de lucidez alguns dos aliados se negaram usar os mesmos artifícios que usaram contra eles. Eles negaram a barbárie e se portaram como civilização.
Desta forma naquele momento decidiram fazer um julgamento com investigação, ampla defesa e contraditório. Naquele momento os aliados sua superioridade aos nazistas e montaram um julgamento  20 de novembro de 1945 e 1º de outubro de 1946), na cidade alemã de Nuremberg. 
Malvados – Andre Dahmer

Ainda sobre esse assunto, o filme Apocalypse Now (1979) de Copolla traz a trama em torno de um soldado americano Benjamin L. Willard  que vai a guerra do Vietnã lutar pelos ideais de seu país. Ao protagonista do filme é atribuída a missão de resgatar o coronel Kurtz. Ao encontrá-lo Benjamim percebe que o coronel ficou tão obstinado em combater o inimigo que se torna o mais terrível dos inimigos que ele já combateu, personificando a própria  barbárie que os EUA dizem combater.

Moral da história: O fato dos inimigos usarem-se de artifícios que neguem os direitos, nossa humanidade, a defesa  e a dignidade da pessoa humana e faça das pessoas tão somente instrumento do seu próprio sadismo não significa dizer que devemos fazer o mesmo. Caso assim o fazemos, estaremos endossando a barbárie que dizemos combater e a nossa única diferença entre eles será a trincheira que ora lutamos.
É sempre oportuno a pergunta: quem somos, civilização ou barbárie?
ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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