Introdução às estratégias de racionalização da produção e do trabalho

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Por Roniel Sampaio Silva

Racionalização da produção significa dizer que os processos produtivos são pensados de forma racional de modo a primar pela produtividade, eficiência e eficácia. Fazendo alusão a Weber o processo a racionalização da produção é um reflexo do desencantamento do mundo. Ou seja, os processos produtivos passam a ser baseados cada vez mais na tecnologia, no cálculo na técnica e não mais na ação tradicional ou afetiva. A primeira grande iniciativa de racionalização da produção ficou conhecida como fordismo-taylorismo no início do século XX.

Taylorismo

A produção escala cada vez mais global e a necessidade de diminuição do tempo e do esforço de trabalho demandou novas estratégias de racionalização da produção para esse fim. Um dos primeiros idealizadores das estratégias de racionalização da produção foi o engenheiro norte americano Frederick Taylor (1856-1915) que passou a pensar a produção de forma científica.

O taylorismo ou administração científica partia do pressuposto da divisão social do trabalho no qual a gerência era completamente separada da execução. Isso repercutia em grande especialização do trabalho e gerou muitos postos de trabalho. Taylor defendia que a redução que o aumento na produção e a redução dos custos dos produtos deveriam ser revertidos na forma de melhores salários (salário por produção) e também maiores lucros aos empresários. Pensando a partir das ideias de Marx é possível dizer que houve uma ampliação da alienação uma vez que o trabalhador não mais reconhece o produto do seu trabalho como também perdeu o domínio não apenas dos meios de produção, mas também perdeu o domínio sobre como produzir. As principais características do taylorismo são:
– Separação entre gerência e execução;
– Especialização das atividades;
– Padronização da produção;
– Remuneração por desempenho

Fordismo
Criado pelo engenheiro americano Henry Ford (1863-1947). O fordismo é uma aplicação prática do taylorismo, parte do mesmo pressuposto das ideias de Taylor e acrescenta um nome elemento: a esteira da linha de produção. Além do trabalhador perder a forma de organização do trabalho, perde também o ritmo do seu trabalho o qual é ditado pela donos dos meios de produção que controla a esteira de produção. As principais características do fordismo são:

– Aperfeiçoamento da linha de montagem por meio da esteira (semi-automatização);
– Produção e consumo em massa;
– Baixa exigência de qualificação profissional;
– Operário funcionava como uma peça de máquina e realizavam uma única tarefa;

O sistema de produção fordista estava em grande sintonia com o modelo de estado conhecido como social democracia. Enquanto a iniciativa privada funcionava sob a luz do fordismo o Estado garantia uma boa arrecadação de impostos os quais financiavam serviços públicos. Com os salários valorizados e políticas públicas fortes a renda do trabalhador potencializava o consumo favorecendo os capitalistas.

Com a Crise do Petróleo entre outras nas décadas de 1970 e 1980 o modelo fordista passou a perder espaço por não oferecer a variedade e diversidades de produtos que o mercado globalizado exigia, concomitante a isso houve aumento do setor de serviços por conta da automatização intensa da produção. Para atender a um mercado mais globalizado, exigente e sementado foram criadas mais flexíveis de organização da produção de produção dentre as quais destaca-se o toyotismo.

Toyotismo
Essa forma de racionalização o trabalho foi criado por Taiichi Ohno (1912-1990). A principal característica do fordismo é a flexibilização das atividades produtivas para sobreviver as crises sistêmicas do capitalismo com vistas a aperfeiçoar a qualidade, eficiência e eficácia. As principais características desse sistema são:
– Descentralização da produção;
– Articulação entre as ilhas de produção (just-in-time)
– Primazia pela qualidade;
– Customização das massas;
– Flexibilidade do fluxo de produção e modelos dos produtos;
– Organização da produção e entrega rápida ( no momento e na quantidade exata);
– Diminuição do desperdício;
– Número reduzido de trabalhadores;
– Funções polivalentes (multitarefas) e alta especialização;

Os sistema flexíveis de produção embora tenham representado diminuição dos custos de produção, aumento da variedade de produtos e tenha incentivado a criatividade e o trabalho em equipe continuou alienando o trabalhador do seu produto de trabalho. Os empregados continuaram sendo controlados não mais de forma vertical por gerentes e supervisores, mas pelo seus próprios colegas de trabalho. Além disso, a descentralização enfraqueceu a organização dos trabalhadores visto que o poder de barganha de uma empresa centralizada era muito maior do que neste modelo no qual os trabalhadores ficam dispersos em varias ilhas de produção espalhadas mundo a fora.

8
The Good
  • Texto resumido com as principais características dos sistemas de produção.
The Bad
  • Traz elementos básicos acerca do assunto
ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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