Música para trabalhar em sala de aula

Saudosa Maloca

Demônios da Garoa 

Composição: Adoniran Barbosa

 Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contar
Ali onde agora está
Este “adifício arto”
Era uma casa “véia”, um palacete assobradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construimos nossa “maloca”
Mas um dia
“nóis” nem pode se “alembrá”
Veio os “home” com as ferramenta
E o dono “mandô derrubá”
Peguemos todas nossas coisas
E fumos pro meio da rua
“Apreciá” a demolição
Que tristeza que “nóis” sentia
Cada táuba que caía
Doía no coração
Matogrosso quis gritar
Mas em cima eu falei
Os “home tá cá” razão
“nóis arranja” outro lugar
Só “se conformemo”
Quando o Joca falou
Deus dá o frio conforme o “cobertô”
E hoje “nós pega” a paia
Nas grama do jardim
E pra esquecer “nóis cantemos” assim:
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim “donde nóis passemo” os dias feliz de nossa vida
Saudosa maloca, maloca querida
Dim dim “donde nóis passemo” os dias feliz de nossa vida

Comentários:
Essa música retrata um momento de transição urbana ocorrido na cidade de São Paulo, mais especificamnte no bairro do Bexiga.
Assim como o centro paulistano, esse bairro não conservou seus aspectos anteriores à modernização. Em nome da modernidade foram demolidos os casarões e prédios antigos que alí existiam. Para os defensores da modernidade, trata-se de dar lugar a um ambiente mais moderno. Para os críticos, deveriamos ter feito como muitas cidades européias: conservado seus prédios antigos a fim de preservar sua identidade, sua história. Além do mais, nem todos se beneficiam.

“Ali onde agora está esse adifício arto
Era uma casa véia, um palacete assobradado
Foi ali, seu moço
Que eu, mato Grosso e o Joca
Construímo nossa maloca”

Fotos comparativas: antes e depois da modernização.

As memórias de Adoniran acabam sendo demolidas junto com os antigos casarões do centro da cidade. Interessante notar que o Adoniram não se opõe a essa transformação, de certa forma a considera legitima, conforme trecho a seguir: “Os home tá com a razão, nóis arranja outro lugá”…
Talvez possa estar “descobrindo a pólvora”, mas sempre considerei essa música bem despretensiosa não tinha pensado nela num prisma mais histórico da coisa… Enfim, são palavras de um economista sobre música, nada pra ser levado muito sério, hehe.

O vídeos abaixo apresenta algumas imagens que demostra esses dois momentos.

Questões para refletir/debater:
Todos são beneficiados com a modernização? Por quê?
Existem vantagens e desvantagens? Quais?

Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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