Classe social, Estado e ideologia

A dica do Café com Sociologia é o artigo do professor da USP, Leopoldo Waizbort. Paper originalmente publicado Tempo Social; Rev. Sociol. USP, S. Paulo, 10(1): 65-81, maio de
1998.

Classe social, Estado e ideologia

LEOPOLDO WAIZBORT
RESUMO: O texto reproduz uma aula para concurso junto ao Departamento
de Sociologia da FFLCH-USP, na qual tentei articular o tríptico classe social,
Estado e ideologia, tendo em mente a situação contemporânea empírica e teó-
rica dos três conceitos. 
Classe social, Estado e ideologia: se a idéia é pensar os três ele-
mentos conjuntamente, ou melhor, articulá-los teoricamente de um
modo mais ou menos conseqüente, sem grandes disparidades ou
fissuras, é preciso reconhecer que a tarefa parece se tornar cada
vez mais complexa. A semântica dos três conceitos se transforma no curso
dos dois últimos séculos: veja-se, apenas a título de exemplo, as transfor-
mações do conceito de Estado quando se pensa em “Estado totalitário”, ou
em “Estado do Bem-estar”. Ou quando se fala em “massa”, frente às classes
sociais.
Aqui, por essas e outras razões, parece prudente escolher um
caminho, o Estado, e, a partir dele, se aproximar dos outros elementos, na
tentativa de iluminar um pouco a todos, embora apenas fragmentariamente. 

I. Para iniciar, poderíamos afirmar que uma parte considerável dos
Estados atualmente existentes, uma parte que inclusive compreende todos os
Estados mais desenvolvidos e parte grandemente significativa dos demais –
excluindo as ditaduras e similares que se mantêm nessa década de 1990 – se
caracteriza por serem Estados constitucionais que possuem, em alguma medida, uma oposição institucionalizada. Falar do Estado, hoje, supõe a idéia do
“estado de direito”. Disso se poderia desenvolver uma discussão sobre o con-
ceito de democracia.

Esse Estado constitucional tem por característica possuir
mecanismos legais e de processo que organizam os conflitos que perpassam a
sociedade: tais mecanismos fazem com que esses conflitos não se tornem
explosivos, e nesse sentido os normaliza. O Estado moderno, desde o século
XVI, é uma instância implementadora da ordem. É isto, aliás, que lhe justifica
o adjetivo “moderno”: pois o próprio conceito do moderno implica, em sua
história conceitual (no que diz respeito ao Estado), a idéia da “ordem”, do fim
da guerra – civil e entre as nações – e a idéia da paz, preferencialmente da
“paz perpétua”. 

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Visite também os blogs  Mangue Sociológico e Ciência Social Ceará

Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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