Somos todos “Jorges”, estou feliz porque também sou da sua Companhia

Por Roniel Sampaio
Silva
A Turquia tem passado por um
momento de grande convulsão social e política. Pena que a novela das oito já acabou!
Durante alguns meses a programação nobre esteve vidrada no cenário desse país e
hoje nada de “importante” tem sido mostrado. Para o imaginário popular o país
não representa nada além de meia dúzia de atores globais. Além da novela, o que
temos a ver com a Turquia?

Antes de chegar a análise
gostaria de comentar sobre o tem acontecido nesse país. Apesar ter regime oficialmente democrático, parece que ele foi revogado
por esses dias nesse país de
maioria populacional mulçumana.

A aparente revogação da
democracia inicialmente aconteceu porque o Parque Gezi, lugar de grande
importância para muitos turcos, está sendo ameaçado de demolição para
construção de um shopping center.A
fim de resguardá-lo várias pessoas de religiões, regiões e idades diferentes
seguiram para o local. Na medida em que a população tentava impedir a demolição
do Parque, mais eram reprimidos pela violência policial. Tanto mais eram
violentados, mais pessoas se somavam ao movimento e mais as reivindicações se
ampliaram.
Reza a lenda de São Jorge que
esse homem foi torturado até a morte para que abrisse mão de seus sonhos e suas
convicções.  O que tem acontecido com os “Jorges”
de todo mundo não é muito diferente. Quase sempre que se vai contra os
interesses do capital, temos como resposta um banho de sangue promovido pelos
grandes interesses financeiros. Somos reprimidos com violência a abrir mão do
sonho da democracia, justiça e direitos básicos. “As pessoas que marcham para o
centro de Istambul estão exigindo seu direito de viver livremente, e de receber
justiça, proteção e respeito do estado. Exigem estarem envolvidas nos processos
de tomada de decisão sobre a cidade na qual vivem.” (Sumadef)
Diante dessa situação uma
constatação:a contradição midiática do enfoque do São Jorge da Capadócia da
novela das oito em contradição com o exército de tantos outros turcos que estão
lutando agora contra o Dragão dos grandes interesses financeiros. Este Dragão
voraz não é turco, ele tem várias nacionalidades e ameaça a paz também no
Brasil. Como constatação disto reparamos o desdém que a grande mídia
brasileira, turca e internacional dá sobre o assunto.A mídia televisiva está do
lado do Jorge ou do Dragão?
Aqui no Brasil a emissoras de TV
nada têm a dizer sobre a Turquia,além das propagandas das pulseiras, pingentese
outros produtos “queima de estoque” por conta do término da novela. Quem vai
salvar Jorge do Parque Gezi? A polícia brasileira que invadiu a boate da novela
para resgatar as pobres mulheres escravizadas? Pelo contrário, o Brasil
exporta o gás lacrimogêneo lançado criminosamente sobre os manifestantes em
operações militares contra manifestações pacíficas, exportando sua tecnologia
de repressão a movimentos sociais. Marx estava certo quando disse que o Capital
não tem Nação. O Dragão o qual enfrentam os turcos também nos enfrentapor aqui sempre
que lutamos por políticas públicas, participação e conta os abusos dos
governantes e dos interesses financeiros.
Na mesma situação dos “Jorges”
turcos estão os “Jorges” brasileiros que apanham da polícia quando se
manifestam, muitas vezes pacificamente,contra a derrubada de árvore (Porto
Alegre); por um transporte público barato e de qualidade (Goiânia,
Teresina
e Vitória)e
em tantas outras situações de abuso. Criminosamente os meios de comunicação
desdenham nossas lutas para garantir a fome insaciável desse mesmo dragão que
promove um banho de sangue na Turquia.
A luta do Jorge contra o dragão
não pode ser vista ou ouvida com clareza porque o barulho de tal monstro se
propaga sorrateiramente silenciando financeiramente os que se dizem arautos da
liberdade de informação. Liberdade para quem?
Somos todos “Jorges”!Uma das
armas que temos para combatê-los são as redes sociais. Elas são as nossas
lanças e cavalos de combate. Isso porque sem uma mídia alternativa jamais
saberíamos ao certo que o Dragão impiedoso da Turquia é o mesmo que cessa
muitos de nossos direitos mais básicos aqui no Brasil.
Seremos um exército quando percebermos
que fazemos parte da mesma causa.  Para
que isso aconteça basta com que aprendemos a filtrar os berros do Dragão e contemplar
a lua.Essa lua chama-se redes sociais. Único local que o domínio do Dragão
ainda não chegou completamente. Até o momento a lua das redes sociais é das
poucas formas de nos sentir pertencente à mesma companhia. Com o brilho lunar,
usaremos das armas que temos para derrotar esse dragão juntos!
Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua
companhia



Eu estou vestido com as roupas e as armas de
Jorge


Para que meus inimigos tenham pés, não me
alcancem

Para que meus inimigos tenham mãos, não me
peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me
vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para
me fazerem mal

                                                                        
PS:
Esse texto é dedicado a todos os
guerreiros que morreram em manifestações no Brasil e no mundo.
Esse texto foi inspirado na
tradução de Antonio Engelke ao texto de Sumafef. Disponível em <

ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

View more articles Subscribe
comment No comments yet

You can be first to leave a comment

mode_editLeave a response

Your e-mail address will not be published. Also other data will not be shared with third person. Required fields marked as *

menu
menu
%d blogueiros gostam disto: