O silêncio como elemento civilizador

Por Roniel Sampaio Silva
A natureza é cheia de sons,
silêncios e barulhos. Quando nascemos nos rebentamos numa explosão de prantos e
gritos. Nossa primeira grande lição de socialização é sobre o barulho e o
silêncio. O silêncio significa geralmente que está tudo bem; o barulho, o choro
significa que algo está errado ou incompreendido.
A nossa segunda lição também está
na dialética do silêncio e do barulho. Ouvimos os ruídos das vozes de nossos
pais e aprendemos a linguagem. Sem o silêncio da observação, não há o sentido
na linguagem, apenas barulho. Portanto, o silêncio sempre precede o
aprendizado. O som emitido por sua vez, pode virar uma mensagem ou não,
dependendo do ouvinte. Quando esse som não faz sentido para nós, é chamado
barulho, quando faz parte do nosso universo simbólico, transforma-se em: fala,
música, poesia, discurso, política, ciência etc.
Portanto, caros ouvintes, façamos
do silêncio o ponto de partida para o aprendizado, para o crescimento, para a
compreensão do mundo. Torna-se necessário o reaprender o tempo do silêncio e do som. Cada momento de reflexão no silêncio pode gerar um som posterior
e cada som pode gerar um silêncio. Embora sejam antagônicos, eles são complementares. Desta maneira, não é possível haver cognição na
confusão dos sons uma vez que é apenas através do silêncio de nós
mesmos que podemos selecionar os sons de vozes, de músicas para darmos sentidos e interpretá-los com base no que aprendemos socialmente. Ou seja, é somente no silêncio que aprendemos a dar sentido aos sons, por isso que torna-se crucial se abrir para ouvir muito mais que falar. 
Nesse mundo extremamente
barulhento, cujos ruídos, onomatopeias urbanas fazem parte da nossa paisagem sonora, é crucial pensar em silêncio. A final é no silêncio da nossa mente que se
consolida as mais barulhentas ideias e é sempre necessário haver silêncio para que
as pessoas dialoguem.

[email protected]

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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Leave a response comment2 Responses
  1. Luceny Laurett
    agosto 13, 03:05 Luceny Laurett

    Gostei muito do texto. Não é por acaso que temos dois ouvidos e uma boca somente. Um dos primeiros serviços que "devemos" prestar ao nosso próximo é ouvi-lo com atenção! Arte difícil!Admiráveis são aqueles que conseguem ouvir mais do que falar! …

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  2. Anny Duarte
    novembro 16, 09:10 Anny Duarte

    Parabéns pelo texto!

    reply Reply this comment
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