A criança na churrascaria: reflexões sobre socialização, torturas e continuísmos

 Por Roniel Sampaio Silva
 Hoje
eu tive uma das tantas experiências maravilhosas da docência na
disciplina Educação, Sociedade e Cultura do curso de Licenciatura em
Biologia do IFPI Floriano:
Na aula sobre socialização, explicando o conceito finalizei com um trecho do Peter Berger o qual dizia:

“De início o mundo social dos pais apresentando-se à criança como
realidade externa, misteriosa e muito poderosa. No curso do processo de
socialização o mundo torna-se inteligível. A criança penetra nesse
mundo e adquire a capacidade de participar dele. Ele se transforma no
seu mundo”. (Berger, L P; Berger, B. Socialização: como ser um membro da
sociedade. in: Sociology – a biographical approach, 2º Edição. New
York, 1975, pp 49-69. Tradução Richard Paul Neto. )


Pedi que os alunos
lembrassem da primeira infância quando eram levados para churrascaria,
pizzaria ou outro local de reunião social de adultos. Lembram se era uma
experiência boa? Balançaram a cabeça negativamente e sutilmente e em
seguida respondi: -Aquilo era um inferno!!! um pandemônio!! Ninguém podia
brincar, correr, falar alto. Só tinha que ficar parado ouvindo
conversas de adultos entediosas e sem sentido. Mas vejam, nós agora,
mergulhados no universo social. Adoramos esse tipo de situação para um
bate papo, fofocar, contar piada, e apredemos socialmente a gostar disso . Assim, passamos horas e horas sentados, conversando as mesmas
coisas que quando criança achamos sem sentido e o pior, torturamos submetemos nossos filhos a tortura que ora odiávamos.

Portanto, meus queridos alunos, leiam nossos textos para serem socializados, para
mergulhar no nosso social. Não sejam as crianças de churrascaria, sejam
os adultos de churrascaria. Um grande abraço e boa noite, assim
finalizei a aula.

[email protected]

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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