Dica de plano de aula: Relações de Gênero

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logo-redor-cmyk3copia-jazzz20140626172915PLANO DE AULA

Escola:

Disciplina: Sociologia

Turma:

Tempo: 2h/aula

Professor: Cristiano das Neves Bodart

 

Conteúdo

Relações de Gênero

Objetivo Geral de aprendizagem

  • Compreender introdutoriamente as relações de gênero como construção social.

Objetivos específicos de aprendizagem

  • Identificar práticas de dominação masculina;
  • Reconhecer elementos que reproduzem as relações de gênero e;
  • Desenvolver a oralidade.

 

Metodologia

Aula 1:

1º momento:

Iniciar-se-á a aula com 5 supostos desafios (ver slides abaixo). O objetivo é observar o quanto a compreensão dos alunos está impregnada de “ajustes sociais” de gênero e iniciar a aula a partir de suas percepções do “lugar da mulher” e do “lugar do homem”.

2º momento:

Será assistido o curta-metragem “Acorda Raimunda” (está no slides). A partir dele ampliar-se-á a discussão se existe naturalmente o “lugar de homem” e o “lugar de mulher”.

3º momento:

A fim de evidenciar que as relações de gênero são historicamente construídas serão apresentados vários exemplos de propagandas sexistas (ver nos slides).

4º momento:

Será apresentado a música “Não sou de ninguém” e a partir dela será promovido uma breve discussão em torno da “posse” da mulher na sociedade contemporânea (ver no slides).

Aula 2:

5º momento

A partir de exposições de cartuns, buscar fomentar a oralidade dos alunos e o desenvolvimento de sua capacidade interpretativa desse tipo de expressão.

6º momento

Leitura de aprofundamento (ver anexo 1)

7º momento

Atividade a ser desenvolvida em casa

 

Recursos didáticos

Datashow, música e curta-metragem

 

Avaliação

Os alunos serão avaliados mediante a participação na aula e atividade a ser desenvolvida em casa.

 

Referência

BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Trad. Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

 

ANEXO 1:

ATIVIDADE DE LEITURA INTRODUTÓRIA SOBRE RELAÇÕES DE GÊNERO

 Leia o texto a seguir preenchendo os campos em branco com as palavras a seguir, dando-lhe o devido sentido às frases do texto.

mulherespoderteoria
cuidadoradivisão sexual do trabalhoorientação sexual
sociedaderelações de dominaçãopatriarcais
violênciaquestionarmulheres

 

 

Discutindo relações de gênero por meio de um curta-metragem. Por que não?

Por Cristiano das Neves Bodart

Algumas notas teóricas introdutórias

As relações de gênero estiveram na pauta dos estudos de Pierre Bourdieu e Simone Beauvoir e precisam estar nas escolas. Em 1947 Simone de Beauvoir lançava sua obra, “O segundo sexo”, que lhe renderia notoriedade acadêmica e influenciaria gerações de feministas e intelectuais dedicados aos estudos de gênero. Em 1990, o já consagrado sociólogo francês, Pierre Bourdieu, lançava “A dominação Masculina”; obra que intensificou às discussões em torno das relações de gênero no interior do campo científico, sobretudo sociológico, contudo, sem fazer menção às importantes colaborações de Beauvoir, o que lhe rendeu severas críticas. Ainda que Bourdieu não tivessem em sua obra dialogado abertamente com Beauvoir (1947), sua ___________ muito se aproximou das contribuições desta.

Trazer à sala de aula a temática “relações de gênero” certamente colabora para reduzirmos a discriminação sexual, a dominação masculina e, até mesmo, a ________________ contra a mulher.

Observando a estrutura social das sociedades _______________capitalistas notamos que os homens, em relação às __________________, são mais dotados de mais prestígio social e, consequentemente, ocupam estrato social superior, o que é observado de forma objetiva por meio das desigualdades de acesso ao mercado de trabalho, por exemplo. Exceto em sub-campos, ou espaços, que os homens não demonstram interesse em disputar por posições de distinção, tornando-se esses “espaços femininos”. Como destacou Bourdieu,

[…] Qualquer que seja sua posição no espaço social, as mulheres têm em comum o fato de estarem separadas dos homens por um coeficiente simbólico negativo que, tal como a cor da pele para os negros, ou qualquer outro sinal de pertencer a um grupo social estigmatizado, afeta negativamente tudo que elas são e fazem (BOURDIEU, 2010, p. 111).

Há, nas sociedades patriarcais, uma distribuição de poder simbólico que estrutura uma relação de ____________e posição social em situação desfavorável às _____________. Nesse sentido, a ordem social estabelecida por essa distribuição desigual tende a ratificar a dominação masculina que se materializa na divisão social do trabalho e na distribuição do produto (econômico) e do poder (político) (BOURDIEU, 2010). Na configuração estrutural das relações de poder coube à mulher o papel de________________, de sensível, de sexo frágil; características (re)produzidas socialmente. Como destacou Simone de Beauvoir, a passividade que caracterizará essencialmente a mulher “feminina” é um traço que se desenvolve nela desde os primeiros anos. Mas é um erro pretender que se trata de um dado biológico: na verdade, é um destino que lhe é imposto por seus educadores e pela ___________________(BEAUVOIR, 2009).

Para Bourdieu (2010) a família acaba assumindo o principal papel de reprodução da dominação masculina e toda a sua______________________, ainda que precocemente, o que direcionará, tanto nos homens quanto nas mulheres, a identidade de gênero e, consequentemente, o seu lugar. Parece que quanto mais clara a estratificação econômica, mais facilmente se observa as diferenças entre os gêneros na divisão social do trabalho e a percepção de que há campos onde os homens estão mais propensos a acumular mais capitais simbólicos do que as mulheres, como por exemplo, no campo político. No entanto, como bem destacou Beauvoir (2009), não se nasce mulher, torna-se mulher, o que significa dizer que há possibilidade de uma reconfiguração das _______________________e superação do habitus produzido sob a visão patriarcal, o que não é uma tarefa fácil e nem dependente apenas do indivíduo e, por outro lado, os papeis sociais das mulheres não são natas, antes são construções sociais (e por isso mesmo podem ser modificadas). É necessário _______________ as estruturas sociais, as quais tanto homens e mulheres são vítimas. Simone de Beauvoir por várias vezes destacou as dificuldades das próprias mulheres se libertarem de suas posições de “segundo sexo”, mesmo quando livra-se de tarefas “destinadas” às mulheres. Sobre essa situação, Beauvoir nos traz um exemplo bastante elucidativo da patroa que “[…] embora livrando-se do fardo de execução do trabalho, quer ter a responsabilidade dele e o mérito; ela quer imagina-se insubstituível, indispensável” (p. 312).

Discutir relações de gênero não é o mesmo que discutir __________________(tema também importante), antes é pensar os papeis sociais atribuído a cada gênero e as relações de poder (e opressão) contidas nesta divisão, o que nos leva a refletir sobre a necessidade da igualdade sexual.

 

Cristiano Bodart Bodart

<p>Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e docente do Centro de Educação dessa mesma instituição de ensino. Fundador e editor do Blog Café com Sociologia. Pesquisa as temática “movimentos sociais” e “ensino de Sociologia”.</p>

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