Dica de aula: Rolê sociológico

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Por Roniel Sampaio Silva

No presente texto discorremos, brevemente, sobre como fazer uma atividade de campo que engloba o jargão da cultura juvenil, o rolé,  conjugado a uma abordagem sociológica.

Inicialmente é preciso conhecer o que significa rolê (ou rolé) e para a partir de então entender como criar abordagem sociológica a partir dele.

No jargão popular a palavra rolê (ou rolé) ganhou evidência, especialmente entre os mais jovens, nosso público de estudantes. Rolê é uma gíria que significa “pequeno passeio”, “volta”.  Especula-se que sua origem seja do sudeste do país, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo.

Tal prática ganhou contornos de polêmica nos últimos anos, especialmente no ano de 2014, quando um grande número de jovens se reunia em shoppings centers de forma combinada. A maior parte desses jovens gozavam de um aumento no poder de consumo e os colocaram num espaço que não lhes eram comum. Isso fez com que se gerasse uma polêmica em torno do jovem pertencer a tais espaços, o que dividiu a opinião pública na ocasião.

É importante realizar com os alunos, no começo da atividade, uma discussão sociológica em torno do fenômeno social do rolê, levando em conta alguns conceitos: gíria, cultura, segregação espacial, desigualdade social e indústria cultural.

Dependendo do tema que está sendo trabalhado, como por exemplo cultura, combine com os alunos em um lugar no qual eles possam ir com você para uma aula de campo. Essa aula poderá ser chamada de rolé sociológico. Nessas aulas os alunos devem aprender a dominar o instrumento do diário de campo e discutir a noção de estranhamento, etnografia e relativismo cultural.

A aula de campo, ou melhor, o rolé sociológico, pode ser dividido em três momentos. No primeiro momento os alunos e os professores estabelecem regras e critérios de avaliação ainda em sala; combina local de encontro, horário, define material de trabalho e duração. No segundo momento o professor explica como será a abordagem. No terceiro momento os alunos se reúnem e fazem leituras coletivas de seus diários de campo e o professor apresenta conceitos e teorias que podem ajudar a explicar a compreensão da realidade social em questão.

 

ronielsampaio@gmail.com

<p>Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.</p>

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