10 dicas de estratégias de usos do livro didático

Por Cristiano das Neves Bodart*

 

O livro didático é um dos recursos didáticos mais usados pelos professores. Contudo, seu uso se restringe muitas vezes a pedir aos alunos que façam sua leitura e respondas os exercícios contidos neles. A proposta deste texto é indicar alguns usos do livro didático em sala de aula e/ou fora dela.

Para entender as sugestões aqui apresentadas torna-se necessário compreender “recurso didático” como uma ferramenta ou “material”, sendo esse desprovidos em si mesmo de estratégia didática. Em síntese, o recurso didático seria o material que usamos. A estratégia didática é a forma ou maneira do uso do recurso didático.

O uso (estratégia) dos recursos pode colaborar para: fornecer informações, orientar a aprendizagem, apresentar exemplificações, exercitar habilidades, motivar, avaliar, fornecer simulações, fornecer condições de expressão, de criação, diversificar a aula, facilitar a aprendizagem, etc. O recurso didático por si só não apresenta colaborações. Suas contribuições para o processo de ensino-aprendizagem dependerão da maneira como será usado.

Devemos olhar para o livro didático desprovido de estratégia, o que nos forçará, em grande medida, a pensar possibilidades de usos junto aos alunos. Essa indicação dar-se porque, muitas vezes, o livro didático é visto pelo professor como uma estratégia de ensino em sí; como se já estivesse pronto e dotado de alguma estratégia, como se ele tivesse apenas uma função ou modo de usar. Ainda que o manual do professor traga sugestões, as possibilidades de uso dependerão de o compreendermos como um material ou ferramenta desprovido de estratégia, devendo essa ser desenvolvida pelo professor.

Dito isto, pensando o livro didático como material, como podemos usá-lo? Segue algumas sugestões de estratégias de ensino-aprendizagem com uso do livro didático em aulas de Sociologia:

DICAS:

  1. Produzindo diferentes textos a partir do livro didático: solicite que os alunos leiam um texto do livro didático e reproduza as ideias contidas nele por meio de paródia, poema, cordel, texto jornalístico, contos, teatro, etc.
  2. Trabalhando leitura de imagens: solicite aos alunos que explique porque as imagens que ilustram o texto são aquelas? Pergunte qual sua relação com o texto.
  3. Produção de ilustrações para os textos do livro didático: Tire cópia da(s) página(s) do livro didático que contém o texto que será trabalhado apagando as ilustrações nele contidas (deixando o(s) espaço(s) em branco). Peça aos alunos para produzir ilustrações (charge, fotos de jornais, desenhos, etc.) para para o texto (oriente-os quanto a ideia de “ilustração”). Isso levará os alunos a buscar entender o texto do livro didático.
  4. Produção de fluxograma: Oriente os alunos para ler o texto grifando as questões mais importantes e depois construir um fluxograma que demonstre as relações entre coisas e fatos.
  5. Identificação de textos e recursos complementares: os livros didáticos normalmente apresentam no fim de cada capítulo indicações de uma reportagem que está relacionada ao conteúdo. Solicite dos alunos que apresentem outras opções de reportagem jornalística que poderia configurar como leitura complementar. O mesmo pode ser feito com os demais recursos didáticos, tais como dicas de filmes, livros, jogos, etc.
  6. Recontextualizando o conteúdo: Oriente os alunos que busquem acontecimentos locais (pode ser em jornais locais/regionais) expostos em matérias jornalísticas que trate de temas contidos no capítulo estudado.
  7. Induzindo leitura mais atenta do texto: faça cópia do texto, apagando palavras importantes. Liste-as no quadro (fora da ordem de uso) para que os alunos leiam o texto e complete as lacunas com as palavras corretas (pode ser feito com conceitos).
  8. Produção de glossário a partir do livro didático: Peça os alunos que leiam o texto do livro didático e separem as palavras não conhecidas. Crie, junto com os alunos, um glossário em forma de cartaz que esteja na parede da sala. A cada palavra desconhecida ao longo do ano, a inclua no cartaz acompanhada de seu significado, explicando-o aos alunos e o mantendo na parede. Ajudará os alunos a entender melhor os textos tendo o glossário como fonte de consulta e como estratégia de ampliação do vocabulário.
  9. Usando o livro didático como apoio para elaboração de uma atividade de perguntas e respostas: forme quatro grupos de alunos e peça que eles produzam, a partir do capítulo do livro didático, diversas perguntas com suas respectivas respostas corretas (indico 5 perguntas para cada um dos 4 grupos). No primeiro momento o professor dará um ponto (não é nota) para cada pergunta coerente e com respostas corretas produzidas pelo grupo. Essas perguntas serão usadas para uma atividade de pergunta e resposta onde os grupos disputarão entre si. As perguntas serão sorteadas pelo professor de disputa entre grupos podendo a pergunta a ser feita ter sido elaborada pelo grupo (isso induzirá eles entenderem a pergunta e a respostas que elaboraram). Cada pergunta certa o grupo ganha um ponto a somar-se aos pontos recebidos na primeira etapa (de elaboração das perguntas). Resposta errada, perde-se um ponto. Ganha o grupo que depois de terminada as perguntas tiver mais pontos.
  10. Usando o livro didático para a produção de cruzadinha: Crie uma cruzadinha (organograma) que será preenchida com essas palavras contidas no texto do livro didático. Para cada palavra a ser descoberta na cruzadinha pode ser indicada uma dica ou pergunta. O importante é que para preencher a cruzadinha seja necessário ler o texto.

 

***

 

 

* Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do programa de Pós-Graduação dessa mesma instituição. Dedica-se ao estudo dos movimentos sociais e do ensino de Sociologia. Editor do blog Café com Sociologia.

Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e docente do Centro de Educação dessa mesma instituição de ensino. Fundador e editor do Blog Café com Sociologia. Pesquisa as temática "movimentos sociais" e "ensino de Sociologia".

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