Feliz dia do Professor ou “Vamos à luta, Professor!?”

 

Feliz dia do Professor ou “Vamos à luta, Professor!?”

Por Taylan Santana Santos[1] e Milena Oliveira da Costa[2]

O dia 15 de outubro é convencionalmente lembrado como “dia do Professor”. A despeito da importância de tal lembrança, e para além do costumaz “feliz dia do professor!”, se faz mais oportuno refletirmos o lugar dos professores e professoras no centro do furacão na atual crise da educação brasileira.

Uma crise tanto estrutural, intensificada pelos violentos cortes dos recursos à educação, assim como superestrutural, motivada pelo avanço da perseguição política-ideológica aos professores/professoras que lutam por uma educação crítica, reflexiva e emancipadora. Conforme nos ensina o pensador Darcy Ribeiro, “a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto. ” Nesse sentido, diversos projetos vêm sendo aprovados que por si só representam um conjunto de ataques à educação, e, por conseguinte, aos nossos docentes. Trata-se da PEC/55 que contingencia investimentos educacionais durante 20 anos, cujos males desse projeto já se refletem em um quadro geral de sucateamento da educação pública, vide o caso catastrófico em que se encontra a UERJ e demais instituições de ensino em todo país.

Por sua vez, a reforma trabalhista aprovada visa precarizar ainda mais o trabalho docente, seja com a ampla terceirização, como também com o fim da seguridade do emprego; inclusive no setor público. Ademais, a presente ofensiva conservadora em nossa sociedade nos tem legado um projeto fascista como a “Escola sem Partido”, que na prática representa a defesa do monopólio do partido do capital, além da criminalização de professores e professoras de esquerda direcionados por uma educação libertária.

Diante dessa crítica conjuntura que historicamente permeia a educação brasileira, cabe nos questionarmos: o que de fato vale em um “Feliz dia do Professor” proferido muitas vezes pelos mesmos algozes dos professores e professoras do Brasil? Parece-nos que consiste em uma mera convenção social de uma sociedade que precisa de tal dia e de sua lembrança para assim se eximir, ainda que momentaneamente, da opressão em que são submetidos os nossos professores e professoras.

Se um sincero “Feliz dia do professor” é importante, mais ainda é o engajamento dos trabalhadores e trabalhadoras na luta por uma educação pública, popular e de qualidade, que perpassa imprescindivelmente pela valorização do professor. Assim, a defesa de uma educação classista voltada para a emancipação dos filhos da classe trabalhadora é o único caminho para a superação da crise docente fomentada pela crise do capital.

Portanto, nesse dia e em todos os demais, reivindicamos de nossos estudantes e companheiros/companheiras trabalhadores a seguinte convocação: vamos à luta, Professores! Lutemos por uma educação socialmente referenciada no processo de conscientização de classe do nosso povo, sem a qual, nada muda, nada mudará.

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Notas

[1] Historiador; Educador Popular; Mestrando em História pela UNEB.

[2] Educadora Popular; Graduanda em Física pela UEFS.

[email protected]

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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