“Estratégias de segurança” ou insulto moral?*

“Estratégias de segurança” ou insulto moral?*
Por Jainara Gomes de Oliveira**
Na construção intersubjetiva da política e da moral, bem como dos processos dialógicos por meio dos quais os sujeitos forjam identidades relacionais, regras que alicerçam as representações e práticas sociais e, normas institucionalizadas de interação, faz-se necessário destacar a relevância sociológica do conflito como modo de sociação. A partir dessa premissa, podemos analisar o conflito social como procura interativa pela consideração intersubjetiva de sujeitos e coletividades.
Constitutivo do conflito social, o insulto moral implica em uma violência simbólica e imaterial. Por isso, ao elaborarmos um olhar analítico a respeito da noção de violência como um problema social, não podemos deixar de construir uma análise crítica acerca do seu aspecto moral. Deste modo, a noção moral da violência nos possibilita entender as “estratégias de segurança” sugeridas pelo Jornal Folha de São Paulo – para que os homossexuais evitem ser agredidos nas ruas -, como uma desvalorização das identidades LGBT’s e uma violência objetiva aos seus direitos, traduzindo-se em um insulto moral.
Os sujeitos lutam permanentemente por reconhecimento intersubjetivo. No entanto, faz-se necessário acentuar o aspecto de construção relacional da identidade, uma vez que os sujeitos são forjados em suas interações cotidianas. É por meio das lutas simbólicas que os sujeitos negociam suas identidades e lutam por reconhecimento no âmbito da justiça social, por exemplo. Lutas essas que objetivam a construção do respeito mútuo e a valorização das diferenças. Trata-se, sobretudo, de lutas no campo das normas morais, uma vez que tais normas edificam as relações entre os sujeitos e organizam a sociedade na luta por reconhecimento.
Para findar, apesar da moral que cerca os corpos e desejos LGBT’s, deve-se continuar lutando por reconhecimento e pela construção da justiça social.

* O texto foi originalmente publicado no site Vale Publicar e cedido pela autora para ser divulgado no Café com Sociologia.
*Jainara Gomes de Oliveira é Mestranda/Bolsista CAPES em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba – PPGA/UFPB. Pesquisadora associada do SEXGEN/CNPq – Grupo de Pesquisa em Sexualidades, Corpo e Gênero e integra o GRUPESSC/CNPq – Grupo de Pesquisa em Saúde, Sociedade e Cultura, ambos vinculados ao Diretório de Grupos de Pesquisas do CNPq., Brasil. Lattes
Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Docente do Centro de Educação da Ufal.

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