Você gosta de séries? As transformações econômicas e sociais ajudam entender o porquê

Você gosta de séries? As transformações econômicas e sociais ajudam entender o porquê

Uma breve trajetória das séries

Você gosta de séries? As transformações econômicas e sociais ajudam entender o porquê
As telenovelas que faziam parte do cotidiano de nossos pais e avós têm sido trocada pelas séries audiovisuais por parte das gerações mais novas. As mudanças sociais e econômicas explicam em grande medida tais transformações até chegarmos a tão badaladas séries de streaming atuais.

Uma breve história das tecnologias de entretenimento
A avó das séries: radionovelas
O primeiro grande meio de comunicação de massa foi o rádio. Essa tecnologia militar foi amplamente difundida na Primeira Guerra Mundial e impulsionou a divulgação de produtos, serviços e notícias. Na década de 1930 se popularizou massivamente no Brasil de modo tal que passou a fazer parte da rotina do brasileiro. Naquela ocasião da geração dos nossos avós as referências eram muito mais sonoras. Naquele momento, uma parte considerável da população brasileira ainda vivia no campo e muitas das tarefas ainda eram manuais em função do patamar de desenvolvimento tecnológico que tínhamos. Enquanto se lavava roupa em casa, ouvia-se as notícias, telenovelas e músicas prediletas. A indústria do entretenimento estava dando os primeiros passos e a audiência das telenovelas serviam de trilha sonora para embalar as tarefas cotidianas e serviam de assunto para as rodas de conversa.

A mãe das séries: telenovelas
Com o avanço da tecnologia de transmissão e decodificação de ondas de rádio, além do som, a imagem também pode ser difundida, dando origem a tv. A televisão proporcionou a junção dos mundos sonoro e visual de uma forma tal que trouxe a sensação de verdade e realidade. Ideia de emissora de TV como conhecemos hoje chegou no país em 1950, mas somente em 1970 houve uma ampliação massiva de telespectadores com a Copa de 1970. Nesta ocasião, a televisão só pode ser amplamente massificada por uma série de fatores relacionados aos avanços tecnológicos: a) ampliação da distribuição de energia elétrica por meio da criação da Eletrobrás; b)automatização de produtos e serviços por meio da industrialização; c) Mais tempo disponível em função automatização de tarefas. Se por um lado a indústria reduziu o trabalho manual e “caseiro” de produção de bens de consumo, por outro, a oferta de produtos foi ampliada e isso proporcionou com que os programas de televisão fossem promotores de negócio mais detalhado que o rádio. A partir da massificação da televisão a novela passou a ter grande penetração na vida social do brasileiro. Grandes telenovelas passaram a estar cada vez mais presentes na rotina social do brasileiro, discutindo temas polêmicos, criando padrões estéticos, éticos e políticos. A televisão passou a ter grande domínio nas mídias audiovisuais e foi uma consequência de transformações econômicas, sociais e históricas.

As séries de streaming
Com o desenvolvimento da Tecnologias de informação e comunicação como a internet na década de 1990 houve o surgimento de uma mídia que parecia inofensiva para destronar a hegemonia das telenovelas. Com o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de banda larga, o acesso à séries passou a ser mais amplamente difundida, especialmente nos anos 2000. Na década seguinte com a melhoria na tecnologia de processadores e baterias foi possível consumir dispositivos como smartphones e smart tvs os quais saíram do escritório para ser levado para a sala, o quarto e até mesmo a palma da mão. As tecnologias de streaming e redes sociais passaram a ser mais presentes. Assim, as transformações tecnológicas alavancadas pela globalização criaram demandas inimagináveis. O boom dessa popularização foram os serviços de streaming como Netflix. As produções audiovisuais por streaming passaram a ser o “espelho” com o qual muitos de nós passamos a nos enxergar em substituição às novelas. Um espelho, ainda que distorcido é um dos grandes impactos das séries por streaming na nossa sociedade. As transformações da globalização e do desenvolvimento tecnológico criou o público: o internauta que interage com outros em redes sociais e ampliou a pauta do “assunto”: as séries, ambos se retroalimentando.
Se por um lado as radionovelas e telenovelas pautavam discussões das mais variadas naturezas como curso narrativo da história, assuntos polêmicos, decisões políticas as séries também tem um grande poder sobre as discussões e debates que se travam na sociedade. Pensar a própria sociedade atual em uma perspectiva cyberpunk como a série “Black Mirror” ou pensar em sociedades do passado como “O Gambito da Rainha” que se passa na década de 1960.

O poder das séries de streaming
O ano de 2020 foi um ano em que as séries streaming estiveram ainda mais presentes. Privados das aglomerações as pessoas passaram a buscar cada vez mais esse tipo de conteúdo na web. Um estudo conduzido pelo time da Betway, site de roleta online, constatou que segundo a plataforma Convida a procura por séries por streaming aumentou 63% em relação ao ano de 2020. As mudanças advindas pela pandemia mudaram a forma como nos entretemos, trabalhamos, estudamos e pelo jeito muita coisa ainda vai mudar daqui pra frente.
Como será o entretenimento daqui pra frente?
Cada vez mais a tecnologia caminha para mesclar trabalho, lazer e estudo de um modo tal que as fronteiras da casa, escola e trabalham passam a ficar cada vez mais difíceis de enxergar. Assim como nossos pais e avós nunca imaginariam que nós viveríamos formas de entretenimento tão práticas e tão presentes tanto quanto o trabalho, talvez nossos netos vivam formas de entretenimento tão imersas de realidades virtuais que jamais poderíamos imaginar. Neste sentido, o entretenimento não é uma mera “fuga” da realidade, mas é uma extensão da realidade histórica e social que vivemos.

 

Texto Roniel Sampaio-Silva


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Roniel Sampaio Silva

Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais. Professor do Programa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Floriano. Dedica-se a pesquisas sobre condições de trabalho docente e desenvolve projetos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias.

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