Carta resposta ao Temer

Por Danielly Akemi de Souza Higuti*

Nosso atual presidente Michel Temer afirmou que nós jovens não sabemos o que é uma PEC. Peço então que ele comece a ouvir a voz das escolas ocupadas, e veja o reflexo da sabedoria e potencial que toda a nossa juventude tem, fato desconsiderado pelo mesmo ocupante do cargo.

A PEC 55 é uma Proposta de Emenda Constitucional que propõe um teto de gastos aos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, com o suposto intuito de reerguer o país. A princípio parece ser excelente, o que não contam é que o tal novo Regime Fiscal serve para manter os interesses de grandes privilegiados, principalmente, os detentores da nossa dívida pública, até hoje nunca auditada.

A Constituição Federal de 1988, Constituição Cidadã, foi formada a partir de um pacto social com o com o fortalecimento de serviços públicos, participação cidadã para a construção – dentre outros objetivo – de uma “sociedade livre, justa e solidária”, coisa que Temer parece desconhecer ou desprezar.

Dizem que não pensamos antes de agir, que somos impulsivos, sem saber a verdade dos fatos, manipulados, doutrinados. Sendo assim, afirmam que não aprendemos a interpretar, a ler, a argumentar. Isso significaria que nossa educação proveniente da educação básica brasileira esta há décadas caminhando errado, não acrescentando ao jovem a capacidade de ser um cidadão.

A despeito disso temos boas notícias. Esse mesmo sistema que duvida da nossa capacidade e que erra em educar é para o qual estamos lutando para melhorar. Isso porque sabemos o que estamos fazendo, tendo em vista nosso engajamento quantitativo e também o número considerável de escolas ocupadas as quais não estão agindo sem motivo. Isso porque obviamente milhões de pessoas não estão lutando sem saber o porquê. As pautas e soluções são bem claras e endossadas por laudos técnicos e posicionamento de autoridades e instituições.

Não somos os ignorantes, não somos massa de manobra. Somos um movimento que está aqui pra mostrar a cara. A tentativa de menosprezar essas ações não nos intimida. Além disso, somos respaldados por milhões de opiniões as quais são desfavoráveis a PEC 241 (atual 55). O desprezo a nossas mobilizações e a opinião da população em geral, que se firma na contrariedade da referida PEC, evidencia a fragilidade da nossa democracia ao tempo que mostra que Temer e seus apoiadores não se importam com a opinião e o afinco dos brasileiros e brasileiras.

Dizem que invadimos, mas repito: “A escola é de quem?”. Dizem que depredamos, porém tão somente estamos depredando pensamentos antiquados e o governo não democrático e ilegítimo.

Essa é apenas uma das nossas muitas lutas, questionamentos e revoltas. Não fechamos os olhos ao mundo, e abrir mentes parece ser errado, porque a manipulação parece ser a lei midiática da nação.

Saímos da caverna e nada vai nos fazer voltar. Eu digo e peço que lembrem: estamos fazendo história, nesse momento, nessa década. Saímos da frente da TV, onde “tudo é verdade” para ver a luz dos questionamentos. Dizer que não sabemos o que estamos fazendo é um ato desprezível contra os filhos deste país.

Quem está em casa vendo TV, dizendo que não adianta lutar, garantindo sua incapacidade e criticando movimentos jovens, não tem noção do que passamos, do medo atual de um país autoritário, sem espaço para cultura e educação. E independente do medo que sentimos, do receio, ainda estamos aqui, estamos lutando para que não piore, para que haja uma reserva de esperança por meio de condições básicas de saúde e educação que a Constituição de 1988 nos fez acreditar.

Não estamos no confortável ambiente de nossas casas, mas estamos aqui num espaço público – também nosso – garantindo que as pessoas que vierem daqui pra frente saibam da importância do ato de não se calar. Espero que os livros de história não contem esse momento como um simples trecho, ou uma simples foto uma vez que aqui esta a maior representatividade politica e de poder de uma nação que se une.

Vamos protestar contra tudo que sabemos não ser bom! E nunca mais ousar se calar. Convicções alheais não são suficientes para a formação de opiniões. Lutar não é fácil, mudar menos ainda.

Todo esse sistema governamental precisa de uma recapitulação, e eu convido a todos, independente de questões político-partidárias, favoráveis ou contrárias. Vamos mudar o nosso país? Vamos parar de aceitar nossos direitos desrespeitados? Vamos parar de aceitar que poderia estar pior, quando devia estar melhor?

A força da juventude não vai morrer, não vai se abater nem depois de vencermos. O que te move? O que me move é olhar pra vocês e saber que não estou sozinha.

*Estudante do IFRO- Campus Ariquemes. Participante da Comissão de Discussão sobre a PEC 55, do Fórum Municipal de Discussão de Políticas Públicas de Ariquemes.

ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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