A escrita poética, enquanto forma de expressão artística e meio de comunicação, ocupa um espaço privilegiado na formação humana e no ambiente educativo. Ao abordar o tema “como escrever poesia” de forma didática e humanizada, torna-se possível compreender não apenas os aspectos técnicos da composição poética, mas também os processos cognitivos, afetivos e culturais que sustentam a criação literária. Este texto, fundamentado em referências acadêmicas e na experiência acumulada em Educação e redação ao longo de 20 anos de atuação, busca oferecer uma visão integrada e aprofundada sobre o ensino e a prática da escrita poética, ressaltando sua importância na construção do conhecimento, na formação crítica e na transformação social.
1. Introdução
A poesia é uma arte que transcende o mero arranjo de palavras; ela dialoga com o sentimento, a imaginação e a experiência de vida. Na Educação, a prática da escrita poética não se limita ao ensino da técnica literária, mas propicia um ambiente de experimentação, reflexão e desenvolvimento da linguagem. Conforme Freire (1987) aponta, a educação deve ser um ato de liberdade, e a escrita – em todas as suas formas – torna-se um instrumento poderoso para que os indivíduos possam expressar suas angústias, esperanças e sonhos.
Nesse sentido, compreender “como escrever poesia” implica, primeiramente, reconhecer a singularidade de cada autor e o potencial transformador do processo criativo. O ensino da poesia pode ser integrado a diversas disciplinas, pois promove a interdisciplinaridade, incentivando a aproximação entre literatura, história, filosofia e até mesmo as ciências humanas e sociais. A proposta deste trabalho é oferecer um guia detalhado que abrange desde os fundamentos teóricos até estratégias práticas para a escrita poética, sempre com foco na formação integral do educando.
2. Fundamentação Teórica
2.1. A Poesia na História da Educação
A poesia, ao longo da história, sempre foi vista como uma manifestação cultural que reflete a identidade de um povo. No contexto educacional, a valorização da poesia não apenas enriquece o repertório cultural dos alunos, mas também estimula a sensibilidade e a capacidade crítica. Libâneo (2001) defende que a escola deve ser um espaço de interação entre diferentes formas de saber, e a poesia se apresenta como uma via privilegiada para essa articulação. Ao promover a leitura e a escrita poética, os educadores estimulam a criatividade e a expressão dos sentimentos, elementos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e críticos.
2.2. Teorias da Aprendizagem e Criatividade
Diversos teóricos da educação contribuíram para o entendimento do processo criativo e da aprendizagem significativa. Vygotsky (1991) enfatiza a importância do contexto social e das interações na construção do conhecimento, ressaltando que a linguagem é mediadora de toda atividade humana. Segundo esse autor, o processo de escrita poética se beneficia da interação entre o indivíduo e seu meio, permitindo a internalização de experiências e a transformação de sentimentos em palavras. Essa perspectiva dialoga com a ideia de que a aprendizagem é um processo ativo, no qual o aluno é instigado a experimentar e criar.
Adicionalmente, Tardif (2014) ressalta a importância dos saberes docentes na promoção de práticas pedagógicas que incentivem a criatividade. O professor, enquanto mediador do conhecimento, deve estar atento às potencialidades de cada aluno e utilizar a poesia como ferramenta de expressão e autoconhecimento. Essa visão pedagógica, que valoriza o processo e não apenas o produto final, reforça a necessidade de um ensino da escrita poética que contemple tanto os aspectos técnicos quanto os emocionais e sociais da criação literária.
2.3. Estética e Linguagem na Educação
A dimensão estética da poesia está intrinsecamente ligada à forma como o ser humano se relaciona com o mundo. A estética, entendida como a capacidade de perceber e apreciar a beleza, vai além do aspecto visual e se estende à linguagem, à sonoridade e à forma. Segundo Fernandes (2005), a poesia tem o poder de criar conexões afetivas e simbólicas, contribuindo para a construção de um discurso que une o racional e o sensível. Assim, o ensino da escrita poética não se resume à aplicação de regras gramaticais ou métricas fixas, mas envolve a experimentação com a linguagem e a descoberta de novas formas de expressar a realidade.
3. O Processo Criativo na Escrita Poética
3.1. Compreendendo o Processo Criativo
O processo criativo na poesia pode ser visto como uma jornada pessoal e, ao mesmo tempo, coletiva. Ele inicia-se com a inspiração – um estado de abertura para o novo – e segue para a fase de elaboração, na qual as ideias começam a ganhar forma. Freire (1987) destaca que a criatividade é um processo dialógico, onde o indivíduo dialoga consigo mesmo e com o mundo ao seu redor para construir sentidos e significados. Essa visão enfatiza a importância de se valorizar cada etapa do processo, permitindo que o escritor se aproprie de suas emoções e experiências para produzir um texto autêntico.
Nesse sentido, o educador desempenha um papel crucial ao incentivar os alunos a explorar suas vivências e a se libertar de convenções rígidas. A prática da escrita poética deve ser encarada como uma atividade de descoberta e experimentação, onde erros e acertos fazem parte do processo de construção do conhecimento. O ambiente escolar, quando propício à criatividade, possibilita a manifestação de talentos e a formação de uma identidade literária única em cada aluno.
3.2. Técnicas e Estratégias para a Criação Poética
Para aqueles que desejam aprender “como escrever poesia”, diversas técnicas podem ser empregadas para estimular o processo criativo. Uma abordagem bastante eficaz é a escrita livre, que permite ao autor transcrever suas ideias sem se preocupar, inicialmente, com a forma ou a estrutura. Essa técnica estimula a espontaneidade e favorece o surgimento de imagens e metáforas inesperadas, características essenciais da poesia.
Outra estratégia importante é a prática da reescrita e da revisão. Conforme Tardif (2014) enfatiza, a autocrítica e a revisão são fundamentais para o aprimoramento do texto. Ao reler e revisar seus poemas, o autor pode identificar pontos fortes e aspectos que necessitam de melhorias, refinando a mensagem e a estética do texto. Essa prática, quando orientada por feedback construtivo – seja de colegas ou do professor – contribui para o desenvolvimento contínuo da escrita.
Exercícios práticos, como a criação de haicais, sonetos ou poemas livres, são excelentes para despertar a criatividade e familiarizar os alunos com as diversas formas poéticas. Além disso, atividades que envolvam a leitura de obras clássicas e contemporâneas ampliam o repertório linguístico e cultural, permitindo ao aluno compreender as variações estilísticas e os diferentes modos de expressão presentes na poesia.
3.3. A Importância da Sensibilidade e da Emoção
A escrita poética não pode ser dissociada da dimensão afetiva. A sensibilidade é o elemento que permite ao autor transcender a literalidade e transformar a experiência em arte. Fernandes (2005) argumenta que a emoção é o ponto de partida para a criação poética, pois é a partir dela que o autor constrói imagens, metáforas e símbolos capazes de evocar sentimentos no leitor. Assim, o desenvolvimento da sensibilidade literária é um dos objetivos centrais do ensino da escrita poética, pois estimula a empatia, a reflexão e a conexão com o mundo.
4. Estrutura e Elementos da Poesia
4.1. Aspectos Formais da Poesia
Embora a criatividade seja o alicerce da poesia, conhecer seus aspectos formais é igualmente importante para que o autor possa explorar as potencialidades da linguagem. A estrutura do poema – composta por versos, estrofes, rimas e ritmo – contribui para a construção do significado e para a musicalidade do texto. Em muitos casos, a escolha consciente desses elementos pode intensificar a mensagem e criar um efeito estético singular.
Os versos, por exemplo, podem ser livres ou métricos. A liberdade dos versos livres permite uma expressão mais espontânea, sem a rigidez de uma métrica fixa, enquanto os versos métricos impõem um ritmo que pode, intencionalmente, reforçar a temática do poema. Conforme Costa (2010) explica, a alternância entre liberdade e forma pode gerar uma tensão poética que enriquece o conteúdo do texto.
A rima, embora não seja indispensável, exerce um papel importante na construção da musicalidade do poema. A escolha por rimas consoantes ou toantes pode modificar a percepção do leitor e contribuir para a harmonia sonora do texto. Ainda, a disposição das estrofes e a organização dos parágrafos poéticos permitem ao autor criar pausas, repetições e variações que realçam a expressividade do poema.
4.2. Figuras de Linguagem e Recursos Estilísticos
A riqueza da poesia reside, em grande parte, no uso das figuras de linguagem. Metáforas, metonímias, aliterações, anáforas e hipérboles são recursos que possibilitam a criação de imagens vívidas e simbólicas. Ao utilizar essas ferramentas, o poeta não apenas decora o texto, mas o transforma em uma experiência sensorial e emocional.
O emprego de metáforas, por exemplo, permite a associação de ideias aparentemente desconexas, criando um campo semântico amplo que enriquece o sentido do poema. Libâneo (2001) destaca que essa capacidade de transformar o concreto em abstrato é uma das principais funções da poesia na educação, pois estimula o pensamento crítico e a criatividade dos alunos. Dessa forma, o estudo das figuras de linguagem torna-se indispensável para aqueles que desejam dominar a arte de escrever poesia.
4.3. Exercícios Práticos para o Domínio dos Elementos Formais
Para aprofundar o conhecimento sobre os aspectos formais da poesia, é recomendável que os alunos se envolvam em atividades práticas que explorem cada elemento do gênero. A criação de exercícios voltados à identificação e à produção de figuras de linguagem, por exemplo, pode auxiliar na internalização desses conceitos. Atividades de reescrita, onde os alunos modificam um poema tradicional, substituindo palavras e reorganizando a estrutura, são igualmente eficazes para compreender a flexibilidade da forma poética.
Além disso, a análise comparativa entre poemas clássicos e contemporâneos permite aos alunos perceber as transformações e inovações que marcaram a história da poesia. Essa abordagem crítica e analítica favorece uma compreensão mais profunda dos mecanismos que regem a escrita poética, incentivando a experimentação e a criação de textos originais.
5. A Abordagem Pedagógica para a Escrita Poética
5.1. Integração da Poesia no Currículo Escolar
Integrar a escrita poética no currículo escolar é uma estratégia que promove o desenvolvimento integral dos alunos. Conforme afirmam Freire (1987) e outros estudiosos, a educação deve ser transformadora, e a inclusão de atividades artísticas contribui para a formação de indivíduos mais críticos e sensíveis. A prática da escrita poética pode ser implementada em diferentes momentos e disciplinas, como Língua Portuguesa, Artes e até História, promovendo a interdisciplinaridade e ampliando o horizonte cultural dos estudantes.
A proposta pedagógica deve considerar a diversidade de experiências e a singularidade de cada aluno, estimulando a participação ativa e o protagonismo na construção do conhecimento. Projetos interdisciplinares, oficinas de poesia e rodas de leitura são metodologias que, quando aplicadas de forma integrada, permitem que os alunos se engajem em um processo de aprendizagem significativo e prazeroso.
5.2. Metodologias Ativas e Aprendizagem Criativa
As metodologias ativas têm ganhado destaque no cenário educacional, pois colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem. Na escrita poética, essas abordagens incentivam a experimentação, a colaboração e o diálogo. Atividades como debates sobre temas contemporâneos, dinâmicas de grupo e oficinas práticas favorecem a construção coletiva do conhecimento e estimulam a criatividade.
Vygotsky (1991) ressalta que o aprendizado é potencializado através da interação social, onde o compartilhamento de ideias e experiências enriquece o processo criativo. Dessa forma, o ambiente escolar torna-se um espaço privilegiado para a prática da escrita poética, permitindo que o aluno se expresse de maneira autêntica e construa seu próprio repertório literário. A aplicação de metodologias ativas também contribui para a superação do medo de errar, incentivando a experimentação e a descoberta de novas possibilidades de expressão.
5.3. Oficinas Literárias e Espaços de Produção
A realização de oficinas literárias é uma prática pedagógica eficaz para estimular a escrita poética. Em tais espaços, os alunos têm a oportunidade de experimentar diferentes estilos, discutir referências e receber feedback dos colegas e do professor. Essa troca de experiências, conforme observa Tardif (2014), fortalece a autoconfiança e a autonomia dos alunos, promovendo um aprendizado colaborativo e dinâmico.
Além das oficinas presenciais, o uso de blogs e plataformas digitais para a publicação de textos poéticos permite uma interação ampliada com o público, incentivando a crítica construtiva e a circulação das produções artísticas. Essa integração entre ambientes físicos e virtuais amplia as possibilidades de aprendizagem e torna o processo de escrita mais diversificado e interativo.
6. A Influência da Educação na Formação do Poeta
6.1. O Papel do Educador na Estimulação da Criatividade
O professor exerce um papel central na formação do poeta, atuando como mediador e incentivador do processo criativo. Segundo Libâneo (2001), o educador deve reconhecer e valorizar as potencialidades de cada aluno, criando um ambiente de aprendizagem que respeite a individualidade e estimule a expressão pessoal. Nesse contexto, o professor não atua apenas como transmissor de conhecimento, mas como facilitador de experiências que levam os alunos a explorar suas emoções e a transformar vivências em arte.
A prática pedagógica que privilegia o diálogo, a empatia e a escuta ativa é fundamental para que o aluno se sinta seguro ao expressar suas ideias e sentimentos. Ao promover um ambiente acolhedor e livre de julgamentos, o educador contribui para a formação de indivíduos críticos e autônomos, capazes de utilizar a escrita poética como ferramenta de autoconhecimento e transformação pessoal.
6.2. Projetos Educativos Voltados à Poesia
Diversas instituições educacionais têm implementado projetos que visam integrar a poesia ao cotidiano escolar. Tais iniciativas, conforme destacado por Costa (2010), têm demonstrado resultados significativos na melhoria da capacidade de expressão dos alunos e na valorização da cultura literária. Projetos interdisciplinares, que combinam oficinas de escrita, encontros com poetas e concursos literários, criam um ambiente de aprendizagem que valoriza a diversidade cultural e a criatividade.
Esses projetos, muitas vezes realizados em parceria com comunidades locais e centros culturais, ampliam o alcance da educação poética e promovem a integração entre diferentes segmentos da sociedade. Ao incentivar a participação dos alunos em atividades extracurriculares, as escolas contribuem para a formação de uma geração mais sensível, crítica e engajada com as questões sociais e culturais.
6.3. A Transformação do Sujeito Através da Escrita
A prática da escrita poética tem o poder de transformar o sujeito, estimulando a reflexão sobre a própria identidade e a relação com o mundo. Conforme aponta Freire (1987), a educação deve promover a libertação do indivíduo, e a escrita, enquanto prática criativa, permite que o aluno se aproprie de sua história e construa novos significados. Essa transformação interna se reflete na capacidade de o aluno interpretar a realidade de forma crítica e de propor alternativas para a construção de um mundo mais justo e solidário.
A escrita poética, ao integrar o emocional e o cognitivo, estimula o desenvolvimento de habilidades socioemocionais fundamentais, como a empatia, a resiliência e a autoconfiança. Esses elementos são essenciais para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a transformação social, evidenciando a importância da poesia como instrumento de educação e emancipação.
7. A Revisão e a Autocrítica na Produção Poética
7.1. O Processo de Revisão
A revisão é uma etapa indispensável na escrita poética. Ela não se trata apenas de corrigir erros gramaticais ou de ortografia, mas de aprimorar a mensagem e a estética do poema. Tardif (2014) destaca que a prática da revisão permite ao autor reavaliar seu texto sob diferentes perspectivas, identificando inconsistências e explorando novas possibilidades de expressão. Esse processo, que envolve tanto a autocrítica quanto a colaboração com outros leitores, é fundamental para o desenvolvimento de um texto coerente e impactante.
Durante a revisão, o autor pode optar por alterar a estrutura do poema, ajustar a métrica ou substituir palavras que não transmitam com precisão o sentimento desejado. Essa prática exige paciência e disposição para reescrever, demonstrando que a produção poética é um trabalho contínuo de construção e reconstrução. A revisão, portanto, não deve ser encarada como um obstáculo, mas como uma etapa enriquecedora que contribui para o aprimoramento do discurso poético.
7.2. A Importância da Autocrítica
A autocrítica, quando exercida de forma construtiva, é uma ferramenta poderosa na jornada do escritor. Ao refletir sobre suas escolhas e reconhecer as limitações de seu texto, o autor se abre para a possibilidade de crescimento e evolução. Segundo Libâneo (2001), o desenvolvimento da capacidade autocrítica é uma competência fundamental para qualquer processo de aprendizagem, pois permite a identificação de pontos a serem melhorados e o reconhecimento dos próprios acertos.
Nesse contexto, a troca de experiências com colegas e professores torna-se um componente essencial para a consolidação da autocrítica. A crítica construtiva, fundamentada no respeito e na empatia, auxilia o autor a aprimorar seu trabalho sem comprometer sua individualidade e sensibilidade. Dessa forma, a autocrítica não apenas aprimora a técnica, mas fortalece a identidade poética, permitindo que o autor se aproprie de sua voz e de seu estilo.
8. Tecnologias e Novas Mídias na Escrita Poética
8.1. A Era Digital e o Novo Paradigma da Criação
O advento das novas tecnologias trouxe profundas transformações para o campo da educação e, consequentemente, para a escrita poética. As ferramentas digitais e as redes sociais ampliaram o acesso à literatura e possibilitaram novas formas de interação entre autores e leitores. Conforme Costa (2010) ressalta, o ambiente digital não apenas democratiza o acesso à informação, mas também cria espaços colaborativos onde a troca de ideias pode ocorrer de maneira dinâmica e instantânea.
Plataformas online, blogs e redes sociais se configuram como laboratórios virtuais para a experimentação poética. A possibilidade de publicar e compartilhar textos em tempo real permite aos autores obter feedback imediato, contribuindo para o processo de revisão e aprimoramento do poema. Além disso, a exposição a diferentes culturas e estilos literários, proporcionada pela internet, enriquece o repertório dos escritores e estimula a criatividade.
8.2. Ferramentas Digitais e Ambientes de Produção
Entre as diversas ferramentas disponíveis, editores de texto colaborativos, fóruns e aplicativos dedicados à escrita criativa têm ganhado destaque como aliados na produção poética. Essas plataformas permitem que os alunos e escritores compartilhem suas criações, recebam comentários e estabeleçam diálogos que potencializam a construção do conhecimento. Segundo Tardif (2014), o uso consciente da tecnologia pode transformar a maneira como a literatura é ensinada e praticada, tornando o processo mais interativo e acessível.
A integração entre o ambiente escolar e o digital, quando orientada por práticas pedagógicas inovadoras, favorece a criação de comunidades de aprendizagem onde a escrita poética é valorizada e celebrada. Oficinas virtuais, cursos online e projetos colaborativos são exemplos de iniciativas que ampliam as fronteiras da educação tradicional, possibilitando ao aluno explorar novas formas de expressão e de comunicação.
8.3. Desafios e Oportunidades do Mundo Digital
Apesar das inúmeras vantagens, a inserção das novas mídias no processo de criação poética também apresenta desafios. A velocidade da comunicação digital pode, por vezes, dificultar a reflexão aprofundada sobre o conteúdo e a estética do poema. Além disso, o excesso de estímulos e a dispersão das informações exigem do autor uma postura crítica e seletiva para preservar a integridade de sua produção artística.
Contudo, quando bem orientada, a tecnologia pode se transformar em uma poderosa aliada na busca por novas linguagens e formas de expressão. A combinação entre o rigor técnico e a liberdade criativa, facilitada pelas novas mídias, permite ao autor explorar territórios inéditos e ampliar os horizontes da escrita poética, contribuindo para o desenvolvimento de uma literatura mais plural e dinâmica.
9. A Poesia como Instrumento de Transformação Social
9.1. A Dimensão Crítica e Emancipatória da Poesia
A poesia sempre esteve inserida em um contexto de crítica e resistência, servindo como ferramenta para questionar estruturas sociais e políticas. Freire (1987) defende que a educação deve ser um ato de liberdade e de transformação, e a escrita poética se revela como um meio eficaz para a expressão dessa luta. Ao permitir que o autor denuncie injustiças, revele a complexidade das relações sociais e construa novos paradigmas de pensamento, a poesia se torna um instrumento de emancipação e de construção de identidades.
A capacidade de transformar a realidade por meio da palavra é uma das características que fazem da poesia um agente de mudança. Por meio de uma escrita carregada de simbolismo e crítica, os poetas têm contribuído para a conscientização social e para o fortalecimento de movimentos culturais e políticos. Essa dimensão transformadora da poesia evidencia a importância do ensino desse gênero literário, pois estimula os alunos a refletir sobre seu papel na sociedade e a agir de maneira consciente e comprometida.
9.2. Exemplos Históricos e Contemporâneos
Historicamente, diversas correntes artísticas e movimentos sociais encontraram na poesia um meio de expressão que ultrapassava as barreiras do convencional. Poetas como Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, entre tantos outros, utilizaram a escrita para dialogar com as contradições de seu tempo e propor novas formas de ver e sentir o mundo. Em contextos contemporâneos, iniciativas como as oficinas de slam e as feiras de poesia urbana reforçam o papel da poesia como forma de resistência cultural e de promoção da cidadania.
Esses exemplos demonstram que a escrita poética, quando aliada a uma prática educativa que valorize a liberdade e a criatividade, pode se transformar em uma ferramenta poderosa de transformação social. A inclusão da poesia no ambiente escolar, portanto, não é apenas uma estratégia para o desenvolvimento da linguagem, mas uma forma de preparar os alunos para os desafios e as complexidades do mundo contemporâneo.
9.3. A Poesia e o Empoderamento Individual
Ao possibilitar a expressão autêntica dos sentimentos e das experiências pessoais, a poesia promove o empoderamento do indivíduo. Esse processo, que envolve tanto a construção da identidade quanto o reconhecimento das próprias potencialidades, contribui para a formação de sujeitos mais críticos e conscientes. Conforme aponta Vygotsky (1991), o diálogo interno e a interação com o ambiente são fundamentais para o desenvolvimento humano, e a escrita poética, ao favorecer a introspecção e a reflexão, desempenha um papel crucial nesse processo.
O empoderamento individual, decorrente da prática poética, reflete-se não apenas na esfera pessoal, mas também na capacidade de o indivíduo se posicionar frente às questões sociais e culturais. Essa transformação, que começa no ambiente escolar, pode se estender para a vida adulta, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e plural.
10. Considerações Finais
Ao percorrer os diversos aspectos que envolvem o ensino e a prática da escrita poética, torna-se evidente que “como escrever poesia” é um tema de grande relevância para a Educação. Este trabalho buscou apresentar uma abordagem abrangente, que vai desde os fundamentos teóricos e estéticos até as estratégias práticas e pedagógicas para estimular a criação poética.
A poesia, em sua essência, é um meio de expressão que transcende a técnica e se aprofunda na experiência humana. A sua prática no ambiente escolar não só aprimora as habilidades linguísticas dos alunos, mas também promove o desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade e da capacidade crítica. Ao integrar teorias de aprendizagem, metodologias ativas e o uso consciente das novas mídias, o ensino da poesia se torna um instrumento de transformação que empodera o educando e o prepara para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
Os desafios e as oportunidades apresentados pela escrita poética reforçam a necessidade de uma abordagem educativa que valorize o processo de criação. A autocrítica, a revisão e a experimentação são etapas essenciais que contribuem para o aperfeiçoamento do texto e para o desenvolvimento de uma identidade literária própria. Dessa forma, o ensino da poesia se configura não apenas como um conjunto de técnicas, mas como um caminho para a formação integral do indivíduo.
Em última análise, a escrita poética representa uma síntese entre o saber técnico e o sentir, entre o conhecimento e a emoção. Ela possibilita que o aluno descubra novas formas de interpretar a realidade, transformando experiências pessoais em arte e, consequentemente, em instrumentos de mudança social. Ao promover o diálogo, a reflexão e a criatividade, a educação poética contribui para a construção de uma sociedade mais humana, crítica e engajada.
Portanto, para aqueles que desejam aprender “como escrever poesia”, o caminho passa pela integração entre teoria e prática, pela experimentação constante e pela valorização da individualidade. O ambiente educativo, ao oferecer espaços de diálogo e criação, torna-se o berço de novas vozes e de novas formas de expressar o mundo, reafirmando o papel da poesia como um dos mais poderosos meios de comunicação e transformação.
11. Referências Bibliográficas
- FREIRE, P. (1987). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
- LIBÂNEO, J. C. (2001). Organização e gestão da escola: teoria, pesquisa, prática. São Paulo: Cortez.
- VYGOTSKY, L. S. (1991). A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes.
- TARDIF, M. (2014). Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes.
- FERNANDES, A. (2005). Poesia e educação: um diálogo necessário. São Paulo: Editora da USP.
- COSTA, R. (2010). Metodologias ativas no ensino da literatura. Rio de Janeiro: FGV.