“Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas”

Platão, Sócrates e Aristóteles estão sempre prontos para uma boa argumentação

Por Fábio Rodrigues*

O filósofo, matemático e cientista americano Charles Sanders Peirce fala que as lógicas são “ferramentas para o raciocínio correto”.

Não
sou nenhum grande entendido sobre o assunto, mas acho lógica um assunto
fascinante. O pouco que conheço e observo já acaba sempre sendo muito
útil em conversas, diálogos, em qualquer ocasião que peça algum tipo de
análise, construção e exposição de raciocínio ou argumentação.

Agora, quando falamos “construção e exposição de raciocínio ou argumentação“,
isso pode ficar parecendo uma coisa meio séria, sisuda, de professor de
filosofia ou discussões inflamadas entre ateus e crentes na internet.
Mas a verdade é que fazemos isso o tempo todo. As lógicas são o próprio
esqueleto que torna as linguagens (dos idiomas à matemática, passando, e
muito, por tecnologia da informação) possíveis.

Como de fato
dependemos disso pra nos relacionarmos uns com os outros, para nos fazer
entender claramente, melhorar nossa forma de pensar e para resolvermos
as coisas práticas da vida, pode ser bem útil conhecer e entender estes
processos, ainda que superficialmente.

Já demos algumas pinceladas sobre o tema no Papo de Homem, mencionando algumas das famosas falácias de lógica argumentativa —
que são um capítulo específico dentro do tema, mas que tem aplicações
bem práticas. E estamos também preparando um novo material, bem
completo, tratando não só de lógica, mas das noções de debate, diálogo e
conversação, que são temas relacionados, igualmente ricos, complexos e
comumente pouco explorados.
Agora achei o site Thou Shalt Not Commit Logical Fallacies,
o mais simpático que já vi sobre o assunto. Ele lista as 24 falácias
mais comuns, em linguagem simples, com exemplos engraçadinhos, e tem até
um pôster para você baixar em PDF, mandar imprimir na gráfica e colar na parede. Tudo de graça.
Como
em português o material sobre isso é escasso, e esse é um conhecimento
bem importante quando se quer travar diálogos e debates saudáveis,
resolvemos fazer um esforço extra e traduzir todo o conteúdo do Thou Shalt Not… para disponibilizar aqui.
Abaixo,
24 das mais comuns falácias lógicas argumentativas. A numeração não
indica nenhum tipo de hierarquia entre elas, é apenas para facilitar
futuras referencias a exemplos específicos.
Leia, entenda e não as use.

1. Espantalho

Você desvirtuou um argumento para torná-lo mais fácil de atacar.
Ao
exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém,
fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida.
Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional,
como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar
em questão a sua credibilidade – se você está disposto a desvirtuar
negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não
desvirtuaria os seus positivamente?
Exemplo:
Depois de Felipe dizer que o governo deveria investir mais em saúde e
educação, Jader respondeu dizendo estar surpreso que Felipe odeie tanto o
Brasil, a ponto de querer deixar o nosso país completamente indefeso,
sem verba militar.
***

2. Causa Falsa

Você supôs que uma relação real ou percebida entre duas coisas significa que uma é a causa da outra.
Uma variação dessa falácia é a “cum hoc ergo propter hoc
(com isto, logo por causa disto), na qual alguém supõe que, pelo fato
de duas coisas estarem acontecendo juntas, uma é a causa da outra. Este
erro consiste em ignorar a possibilidade de que possa haver uma causa em
comum para ambas, ou, como mostrado no exemplo abaixo, que as duas
coisas em questão não tenham absolutamente nenhuma relação de causa, e a
sua aparente conexão é só uma coincidência.
Outra variação comum é a falácia “post hoc ergo propter hoc
(depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é
presumida porque uma coisa acontece antes de outra coisa, logo, a
segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira.

Exemplo:
Apontando para um gráfico metido a besta, Rogério mostra como as
temperaturas têm aumentado nos últimos séculos, ao mesmo tempo em que o
número de piratas têm caído; sendo assim, obviamente, os piratas é que
ajudavam a resfriar as águas, e o aquecimento global é uma farsa.
***

3. Apelo à emoção

Você tentou manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente.
Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros.
É
importante dizer que às vezes um argumento logicamente coerente pode
inspirar emoção, ou ter um aspecto emocional, mas o problema e a falácia
acontecem quando a emoção é usada no lugar de um argumento lógico. Ou,
para tornar menos claro o fato de que não existe nenhuma relação
racional e convincente para justificar a posição de alguém.
Exceto
os sociopatas, todos são afetados pela emoção, por isso apelos à emoção
são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são
falhos e desonestos, com tendência a deixar o oponente de alguém
justificadamente emocional.

Exemplo: Lucas
não queria comer o seu prato de cérebro de ovelha com fígado picado, mas
seu pai o lembrou de todas as crianças famintas de algum país de
terceiro mundo que não tinham a sorte de ter qualquer tipo de comida.
***

4. A falácia da falácia

Supor que uma afirmação está necessariamente errada só porque ela não foi bem construída ou porque uma falácia foi cometida.

poucas coisas mais frustrantes do que ver alguém argumentar de maneira
fraca alguma posição. Na maioria dos casos um debate é vencido pelo
melhor debatedor, e não necessariamente pela pessoa com a posição mais
correta. Se formos ser honestos e racionais, temos que ter em mente que
só porque alguém cometeu um erro na sua defesa do argumento, isso não
necessariamente significa que o argumento em si esteja errado.

Exemplo:
Percebendo que Amanda cometeu uma falácia ao defender que devemos comer
alimentos saudáveis porque eles são populares, Alice resolveu ignorar a
posição de Amanda por completo e comer Whopper Duplo com Queijo no
Burger King todos os dias.
***

5. Ladeira Escorregadia

Você faz parecer que o fato de permitirmos que aconteça A fará com que aconteça Z, e por isso não podemos permitir A.
O
problema com essa linha de raciocínio é que ela evita que se lide com a
questão real, jogando a atenção em hipóteses extremas. Como não se
apresenta nenhuma prova de que tais hipóteses extremas realmente
ocorrerão, esta falácia toma a forma de um apelo à emoção do medo.
Exemplo:
Armando afirma que, se permitirmos casamentos entre pessoas do mesmo
sexo, logo veremos pessoas se casando com seus pais, seus carros e seus
macacos Bonobo de estimação.
Exemplo 2: a explicação feita após o terceiro subtítulo – “O voto divergente do ministro Ricardo Lewandowski e a ladeira escorregadia” – deste texto sobre aborto. Vale a leitura.
***

6. Ad hominem

Você ataca o caráter ou traços pessoais do seu oponente em vez de refutar o argumento dele.
Ataques
ad hominem podem assumir a forma de golpes pessoais e diretos contra
alguém, ou mais sutilmente jogar dúvida no seu caráter ou atributos
pessoais. O resultado desejado de um ataque ad hominem é prejudicar o oponente de alguém sem precisar de fato se engajar no argumento dele ou apresentar um próprio.
Exemplo:
Depois de Salma apresentar de maneira eloquente e convincente uma
possível reforma do sistema de cobrança do condomínio, Samuel pergunta
aos presentes se eles deveriam mesmo acreditar em qualquer coisa dita
por uma mulher que não é casada, já foi presa e, pra ser sincero, tem um
cheiro meio estranho.
***

7. Tu quoque (você também)

Você evitar ter que se engajar em críticas virando as próprias críticas contra o acusador – você responde críticas com críticas.
Esta
falácia, cuja tradução do latim é literalmente “você também”, é
geralmente empregada como um mecanismo de defesa, por tirar a atenção do
acusado ter que se defender e mudar o foco para o acusador.
A
implicação é que, se o oponente de alguém também faz aquilo de que acusa
o outro, ele é um hipócrita. Independente da veracidade da
contra-acusação, o fato é que esta é efetivamente uma tática para evitar
ter que reconhecer e responder a uma acusação contida em um argumento –
ao devolver ao acusador, o acusado não precisa responder à acusação.
Exemplo:
Nicole identificou que Ana cometeu uma falácia lógica, mas, em vez de
retificar o seu argumento, Ana acusou Nicole de ter cometido uma falácia
anteriormente no debate.
Exemplo 2: O
político Aníbal Zé das Couves foi acusado pelo seu oponente de ter
desviado dinheiro público na construção de um hospital. Aníbal não
responde a acusação diretamente e devolve insinuando que seu oponente
também já aprovou licitações irregulares em seu mandato.
***

8. Incredulidade pessoal

Você considera algo difícil de entender, ou não sabe como funciona, por isso você dá a entender que não seja verdade.
Assuntos
complexos como evolução biológica através de seleção natural exigem
alguma medida de entendimento sobre como elas funcionam antes que alguém
possa entendê-los adequadamente; esta falácia é geralmente usada no
lugar desse entendimento.
Exemplo: Henrique
desenhou um peixe e um humano em um papel e, com desdém efusivo,
perguntou a Ricardo se ele realmente pensava que nós somos babacas o
bastante para acreditar que um peixe acabou evoluindo até a forma humana
através de, sei lá, um monte de coisas aleatórias acontecendo com o
passar dos tempos.
***

9. Alegação especial

Você altera as regras ou abre uma exceção quando sua afirmação é exposta como falsa.
Humanos são criaturas engraçadas, com uma aversão boba a estarem errados.
Em
vez de aproveitar os benefícios de poder mudar de ideia graças a um
novo entendimento, muitos inventarão modos de se agarrar a velhas
crenças. Uma das maneiras mais comuns que as pessoas fazem isso é
pós-racionalizar um motivo explicando o porque aquilo no qual elas
acreditavam ser verdade deve continuar sendo verdade.
É geralmente
bem fácil encontrar um motivo para acreditar em algo que nos favorece, e
é necessária uma boa dose de integridade e honestidade genuína consigo
mesmo para examinar nossas próprias crenças e motivações sem cair na
armadilha da auto-justificação.
Exemplo:
Eduardo afirma ser vidente, mas quando as suas “habilidades” foram
testadas em condições científicas apropriadas, elas magicamente
desapareceram. Ele explicou, então, que elas só funcionam para quem tem
fé nelas.
***

10. Pergunta carregada

Você faz uma pergunta que tem uma afirmação embutida, de modo que ela não pode ser respondida sem uma certa admissão de culpa.
Falácias
desse tipo são particularmente eficientes em descarrilar discussões
racionais, graças à sua natureza inflamatória – o receptor da pergunta
carregada é compelido a se justificar e pode parecer abalado ou na
defensiva. Esta falácia não apenas é um apelo à emoção, mas também
reformata a discussão de forma enganosa.
Exemplo:
Graça e Helena estavam interessadas no mesmo homem. Um dia, enquanto
ele estava sentado próximo suficiente a elas para ouvir, Graça pergunta
em tom de acusação: “como anda a sua rehabilitação das drogas, Helena?”
***

11. Ônus da prova

Você espera que outra pessoa prove que você está errado, em vez de você mesmo provar que está certo.
O
ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca
com quem refuta a afirmação. A impossibilidade, ou falta de intenção,
de provar errada uma afirmação não a torna válida, nem dá a ela nenhuma
credibilidade.
No entanto, é importante estabelecer que nunca
podemos ter certeza de qualquer coisa, portanto devemos valorizar cada
afirmação de acordo com as provas disponíveis. Tirar a importância de um
argumento só porque ele apresenta um fato que não foi provado sem
sombra de dúvidas também é um argumento falacioso.
Exemplo:
Beltrano declara que uma chaleira está, nesse exato momento, orbitando o
Sol entre a Terra e Marte e que, como ninguém pode provar que ele está
errado, a sua afirmação é verdadeira.
***

12. Ambiguidade

Você usa duplo sentido ou linguagem ambígua para apresentar a sua verdade de modo enganoso.
Políticos
frequentemente são culpados de usar ambiguidade em seus discursos, para
depois, se forem questionados, poderem dizer que não estavam
tecnicamente mentindo. Isso é qualificado como uma falácia, pois é
intrinsecamente enganoso.
Exemplo: Em um
julgamento, o advogado concorda que o crime foi desumano. Logo, tenta
convencer o júri de que o seu cliente não é humano por ter cometido tal
crime, e não deve ser julgado como um humano normal.
***

13. Falácia do apostador

Você
diz que “sequências” acontecem em fenômenos estatisticamente
independentes, como rolagem de dados ou números que caem em uma roleta.
Esta
falácia de aceitação comum é provavelmente o motivo da criação da
grande e luminosa cidade no meio de um deserto americano chamada Las
Vegas.
Apesar da probabilidade geral de uma grande sequência do
resultado desejado ser realmente baixa, cada lance do dado é, em si
mesmo, inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance
baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de
dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independente de
todos os lances anteriores ou futuros.
Exemplo:
Uma roleta deu número vermelho seis vezes em sequência, então Gregório
teve quase certeza que o próximo número seria preto. Sofrendo uma forma
econômica de seleção natural, ele logo foi separado de suas economias.
***

14. Ad populum

Você
apela para a popularidade de um fato, no sentido de que muitas pessoas
fazem/concordam com aquilo, como uma tentativa de validação dele.
A
falha nesse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem
absolutamente nenhuma relação com a sua validade. Se houvesse, a Terra
teria se feito plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos
acreditavam que ela era assim.
Exemplo:
Luciano, bêbado, apontou um dedo para Jão e perguntou como é que tantas
pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e
boba. Jão, por sua vez, já havia tomado mais Guinness do que deveria e
afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes
de fato existirem é grande.
***

15. Apelo à autoridade

Você usa a sua posição como figura ou instituição de autoridade no lugar de um argumento válido. (A popular “carteirada”.)
É
importante mencionar que, no que diz respeito a esta falácia, as
autoridades de cada campo podem muito bem ter argumentos válidos, e que
não se deve desconsiderar a experiência e expertise do outro.
Para
formar um argumento, no entanto, deve-se defender seus próprios
méritos, ou seja, deve-se saber por que a pessoa em posição de
autoridade tem aquela posição. No entanto, é claro, é perfeitamente
possível que a opinião de uma pessoa ou instituição de autoridade esteja
errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza
não tem nenhuma relação intrínseca com a veracidade e validade das suas
colocações.
Exemplo: Impossibilitado de
defender a sua posição de que a teoria evolutiva “não é real”, Roberto
diz que ele conhece pessoalmente um cientista que também questiona a
Evolução e cita uma de suas famosas falas.
Exemplo 2:
Um professor de matemática se vê questionado de maneira insistente por
um aluno especialmente chato. Lá pelas tantas, irritado após cometer um
deslize em sua fala, o professor argumenta que tem mestrado
pós-doutorado e isso é mais do que suficiente para o aluno confiar nele.
***

16. Composição/Divisão

Você implica que uma parte de algo deve ser aplicada a todas, ou outras, partes daquilo.
Muitas
vezes, quando algo é verdadeiro em parte, isso também se aplica ao
todo, mas é crucial saber se existe evidência de que este é mesmo o
caso.
Já que observamos consistência nas coisas, o nosso
pensamento pode se tornar enviesado de modo que presumimos consistência e
padrões onde eles não existem.
Exemplo:
Daniel era uma criança precoce com uma predileção por pensamento lógico.
Ele sabia que átomos são invisíveis, então logo concluiu que ele, por
ser feito de átomos, também era invisível. Nunca foi vitorioso em uma
partida de esconde-esconde.
***

17. Nenhum escocês de verdade…

Você faz o que pode ser chamado de apelo à pureza como forma de rejeitar críticas relevantes ou falhas no seu argumento.
Nesta
forma de argumentação falha, a crença de alguém é tornada
infalsificável porque, independente de quão convincente seja a evidência
apresentada, a pessoa simplesmente move a situação de modo que a
evidência supostamente não se aplique a um suposto “verdadeiro” exemplo.
Esse tipo de pós-racionalização é um modo de evitar críticas válidas ao
argumento de alguém.
Exemplo: Angus declara
que escoceses não colocam açúcar no mingau, ao que Lachlan aponta que
ele é um escocês e põe açúcar no mingau. Furioso, como um “escocês de
verdade”, Angus berra que nenhum escocês de verdade põe açúcar no seu
mingau.
***

18. Genética

Você julga algo como bom ou ruim tendo por base a sua origem.
Esta falácia evita o argumento ao levar o foco às origens de algo ou alguém. É similar à falácia ad hominem
no sentido de que ela usa percepções negativas já existentes para fazer
com que o argumento de alguém pareça ruim, sem de fato dissecar a falta
de mérito do argumento em si.
Exemplo:
Acusado no Jornal Nacional de corrupção e aceitação de propina, o
senador disse que devemos ter muito cuidado com o que ouvimos na mídia,
já que todos sabemos como ela pode não ser confiável.
***

19. Preto-ou-branco

Você apresenta dois estados alternativos como sendo as únicas possibilidades, quando de fato existem outras.
Também conhecida como falso dilema,
esta tática aparenta estar formando um argumento lógico, mas sob
análise mais cuidadosa fica evidente que há mais possibilidades além das
duas apresentadas.
O pensamento binário da falácia
preto-ou-branco não leva em conta as múltiplas variáveis, condições e
contextos em que existiriam mais do que as duas possibilidades
apresentadas. Ele molda o argumento de forma enganosa e obscurece o
debate racional e honesto.
Exemplo: Ao
discursar sobre o seu plano para fundamentalmente prejudicar os direitos
do cidadão, o Líder Supremo falou ao povo que ou eles estão do lado dos
direitos do cidadão ou contra os direitos.
***

20. Tornando a questão supostamente óbvia

Você apresenta um argumento circular no qual a conclusão foi incluída na premissa.
Este
argumento logicamente incoerente geralmente surge em situações onde as
pessoas têm crenças bastante enraizadas, e por isso consideradas
verdades absolutas em suas mentes. Racionalizações circulares são ruins
principalmente porque não são muito boas.
Exemplo:
A Palavra do Grande Zorbo é perfeita e infalível. Nós sabemos disso
porque diz aqui no Grande e Infalível Livro das Melhores e Mais
Infalíveis Coisas do Zorbo Que São Definitivamente Verdadeiras e Não
Devem Nunca Serem Questionadas.
Exemplo 2: O plano estratégico de marketing é o melhor possível, foi assinado pelo Diretor Bam-bam-bam.
***

21. Apelo à natureza

Você argumenta que só porque algo é “natural”, aquilo é válido, justificado, inevitável ou ideal.

porque algo é natural, não significa que é bom. Assassinato, por
exemplo, é bem natural, e mesmo assim a maioria de nós concorda que não é
lá uma coisa muito legal de você sair fazendo por aí. A sua
“naturalidade” não constitui nenhum tipo de justificativa.
Exemplo:
O curandeiro chegou ao vilarejo com a sua carroça cheia de remédios
completamente naturais, incluindo garrafas de água pura muito especial.
Ele disse que é natural as pessoas terem cuidado e desconfiarem de
remédios “artificiais”, como antibióticos.
***

22. Anedótica

Você usa uma experiência pessoal ou um exemplo isolado em vez de um argumento sólido ou prova convincente.
Geralmente
é bem mais fácil para as pessoas simplesmente acreditarem no testemunho
de alguém do que entender dados complexos e variações dentro de um continuum.
Medidas
quantitativas científicas são quase sempre mais precisas do que
percepções e experiências pessoais, mas a nossa inclinação é acreditar
naquilo que nos é tangível, e/ou na palavra de alguém em quem confiamos,
em vez de em uma realidade estatística mais “abstrata”.
Exemplo:
José disse que o seu avô fumava, tipo, 30 cigarros por dia e viveu até
os 97 anos — então não acredite nessas meta análises que você lê sobre
estudos metodicamente corretos provando relações causais entre cigarros e
expectativa de vida.
***

23. O atirador do Texas

Você
escolhe muito bem um padrão ou grupo específico de dados que sirva para
provar o seu argumento sem ser representativo do todo.
Esta
falácia de “falsa causa” ganha seu nome partindo do exemplo de um
atirador disparando aleatoriamente contra a parede de um galpão, e, na
sequência, pintando um alvo ao redor da área com o maior número de
buracos, fazendo parecer que ele tem ótima pontaria.
Grupos
específicos de dados como esse aparecem naturalmente, e de maneira
imprevisível, mas não necessariamente indicam que há uma relação causal.
Exemplo:
Os fabricantes do bebida gaseificada Cocaçúcar apontam pesquisas que
mostram que, dos cinco países onde a Cocaçúcar é mais vendida, três
estão na lista dos dez países mais saudáveis do mundo, logo, Cocaçúcar é
saudável.
***

24. Meio-termo

Você declara que uma posição central entre duas extremas deve ser a verdadeira.
Em
muitos casos, a verdade realmente se encontra entre dois pontos
extremos, mas isso pode enviezar nosso pensamento: às vezes uma coisa
simplesmente não é verdadeira, e um meio termo dela também não é
verdadeiro. O meio do caminho entre uma verdade e uma mentira continua
sendo uma mentira.
Exemplo: Mariana disse que
a vacinação causou autismo em algumas crianças, mas o seu estudado
amigo Calebe disse que essa afirmação já foi derrubada como falsa, com
provas. Uma amiga em comum, a Alice, ofereceu um meio-termo: talvez as
vacinas causem um pouco de autismo, mas não muito.
***
Espero que essa lista seja útil.
Por
fim, questiono: onde já identificaram falácias lógicas em seu
dia-a-dia? Compartilhem suas dúvidas e percepções sobre o tema.
Fonte: https://www.papodehomem.com.br

*Trabalha em espaços de aprendizado sobre como melhorar a vida e as relações, como ter melhor equilíbrio emocional e encontrar uma felicidade mais genuína – sem oba-oba, com o pé no chão da vida cotidiana. Coordenador do lugar e do CEBB Joinville, professor do programa Cultivating Emotional Balance, desenhista e professor de desenho.

[email protected]

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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  1. Professora Renata
    março 15, 02:44 Professora Renata

    Muito bom….

    reply Reply this comment
  2. Bruno Nobrega
    julho 26, 11:11 Bruno Nobrega

    Dá vontade de fazer um cartaz e sair fixando nos muros da faculdade!

    reply Reply this comment
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