A fascinação guia o interesse das ciências sociais pelo fenômeno social da arte. Os debates gerados a partir desse interesse decorrem do propósito e da relevância que a arte possui na sociedade. Do ponto de vista de um sociólogo, a arte sociológica é um artefato cultural; a expressão estética individual é secundária. A arte exibe o tecido social, as relações de poder e, até mesmo, os valores sociais. Isso ajuda a criar a suposição básica deste projeto. Ele tenta abordar o fenômeno social da arte de uma perspectiva das ciências sociais para dissecar a complexa simbolização impressa do fenômeno artístico e as relações políticas e históricas que o definem.
A Arte como Construção Social
A arte é a construção social por excelência; dessa forma, ela está imbuída de significado e valor conforme determinado por um grupo específico, que pode variar dependendo do tempo e do lugar. Em uma sociedade dada, a arte é resultado das negociações e tratativas dos participantes dentro dessa sociedade. Os participantes, de acordo com Pierre Bourdieu (1996), atuam em um ”campo artístico”, e a arte é definida pelos dominantes ou poderosos. A visão determinante ou definidora da arte pode ser estética, política, econômica ou uma combinação de todas.
A reflexão da arte e da estrutura social pode também funcionar de forma oposta; em outras palavras, a estrutura ou ideologia dominante da sociedade também pode influenciar a arte. O exemplo do patrocínio da poderosa Igreja e da aristocracia reflete o poder político e a influência da arte durante o Renascimento. No século XX, o surgimento do modernismo e do surrealismo foi uma arte em um sentido político. Esses movimentos artísticos e desafios refletiram o status social, cultural e político da sociedade da época. A arte transcende a sociedade, e essa natureza inovadora e criativa da arte dota a sociedade de relações sociais divergentes.
A Função Simbólica da Arte
A arte desempenha um papel fundamental na cultura social como símbolo. Segundo Geertz (1978), a cultura consiste em uma coleção de significados compartilhados, e a arte é um meio primordial de definir e transmitir esses significados. Através do uso de símbolos, metáforas e narrativas, a arte permite que indivíduos e coletivos comuniquem suas identidades, valores e perspectivas.
A arte religiosa ilustra perfeitamente essa função. Historicamente, a arte servia à função sagrada de facilitar a comunicação entre o humano e o divino. Hoje, além da arte pública que celebra a identidade de uma nação, a arte ainda cumpre a função de comunicar o que alguns veem como pontos de vista ‘desviantes’ sobre gênero, raça e classe.
A Arte e as Relações de Poder
A dinâmica de poder entre a arte e o controle social é igualmente importante no papel da arte na história e na ciência social. O poder não é meramente uma força opressiva, mas, ao contrário, é produtivo na construção de quadros e metodologias que informam as ações e pensamentos da classe subalterna (Foucault, 1979). O poder é contestado de forma habilidosa na forma de práticas sociais. A arte pode ser contestada de várias maneiras, seja a visão dos colonizadores sobre as pessoas colonizadas como “exóticas” e “primitivas” como formas de justificar a dominação europeia, ou, no caso de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, liderando o movimento Modernista brasileiro, onde o objetivo era desafiar a dominação de culturas estrangeiras expressando a identidade nacional por meio da arte. Dessa forma, o papel social da arte pode ser dominante ou rebelde, dependendo das configurações sociais nas quais a arte é produzida e consumida.
A Arte na Era da Globalização
Numa era globalizada, o que é arte torna-se algo deveras intrincado e multifacetado, com certeza. Com as tecnologias digitais a acelerarem, e os fluxos culturais globais, bem intensos, a arte ficou mais acessível, diversa, mas… também comercializada e até padronizada, às vezes. Appadurai (1996) nos diz, a globalização forma “paisagens culturais” muito fluidas, onde tradições locais e globais se juntam de formas meio malucas, né?
Neste cenário, a arte contemporânea, muitas vezes, desafia as fronteiras do local e global, do antigo e novo, o que é famoso e erudito. Artistas como Ai Weiwei usam a arte, sabe, para criticar políticas do governo chinês, e, ao mesmo tempo, dialogam com as tendências globais da arte. Por outro lado, a globalização trouxe a mercantilização da arte, com obras a serem tratadas como negócios financeiros, ao invés de meras expressões culturais.
Considerações finais
Em resumo, o conceito de arte, vendo da perspectiva das ciências sociais, tá profundamente ligado às dinâmicas sociais, culturais e políticas nas sociedades humanas. A arte não é so uma manifestação estética individual, mas um fenômeno coletivo, que espelha e afeta as estruturas sociais, os valores culturais, e as relações de poder, sabe? Por meio de sua função simbólica, a arte deixa indivíduos e grupos mostrar suas identidades e visões do mundo, ao mesmo tempo que age como um palco de disputas onde interesses políticos e econômicos são negociados, as vezes.
Agora, na era da globalização, a arte ficou cada vez mais complexa e multifacetada, metendo a mão nas fronteiras entre o local e o global, o tradicional e o moderno. No entanto, também topa com desafios relacionados à mercantilização e à padronização cultural. Logo, entender a arte a partir das ciências sociais não só melhora nossa apreciação estética, mas também nos faz refletir criticamente sobre as dinâmicas sociais e culturais que moldam o mundo em que vivemos.
Referências Bibliográficas
APPADURAI, Arjun. Modernity at Large: Cultural Dimensions of Globalization. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996.
BOURDIEU, Pierre. As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1978.
