ANTHONY GIDDENS: SOCIOLOGIA

ANTHONY GIDDENS: SOCIOLOGIA. 

Tradução de Cristiano Bodart

1. O desenvolvimento de um ponto de vista sociológico
Aprender a pensar sociológicamente – em outras palavras, usar um enfoque mais amplo – significa cultivar a imaginação. Como sociólogos, temos que imaginar, por exemplo, como experimentam o sexo e o matrimônio aquelas pessoas – a maioria da humanidade até a pouco tempo – para quem o amor romântico lhes é alheio e incluso lhes parece absurdo. Estudar sociologia não pode ser um processo rotineiro de aquisição de conhecimento. Um sociólogo é alguém capaz de liberar-se da imediatez das circunstâncias pessoais para por as coisas em um contexto mais amplo.  O trabalho sociológico depende do que o autor americano Wright Mills, em uma célebre expressão, denominou de imaginação sociológica (Mills, 1970).
A imaginação sociológica nos pede, sobre tudo, que sejamos capazes de pensar nos distanciando das rotinas familiares de nossas vidas cotidianas para poder vê-las como se fosse algo novo. Consideremos o simples ato de beber uma cícara de café. Que poderíamos dizer, desde um ponto de vista sociológico, deste feito de comportamento, que parece ter tão pouco interesse?: Muitíssimas coisas. Em primeiro lugar, poderíamos apontar que o café não é só uma bebida, já que tem um valor simbólico como parte de uns rituais sociais cotidianos. Com freqüência o ritual a que vá unindo o beber café á muito mais importante que o ato em si. Duas pessoas que ficam para tomar um café provavelmente têm mais interesse em encontrar-se  e bater papo do que apenas beber. A bebida e a comida dão lugar em todas as sociedades a oportunidades para a interação social e a execução de rituais, e isto constituem um interessantíssimo objeto de estudo sociológico.  
Em segundo lugar, o café é uma droga que contem cafeína, a qual tem um efeito estimulante no cérebro. A maioría das pessoas na cultura ocidental não considera que os adeptos ao café consomem droga. Como o alcool, o café é uma droga aceitada socialmente, em outras que a maconha, por exemplo, não é. No entanto, há culturas que toleram o consumo de maconha, e inclusive de cocaína, mas preocupada sobre o café e o álcool. Aos sociólogos lhes interessa saber por que existem estes contrastes.
Em terceriro lugar, um indivíduo, ao beber uma xícara de café, forma parte de uma série extremadamente complicada de relações sociais e econômicas que se estendem por todo o mundo. Os processos de produção, transporte e distribução desta substância requerem transações continuadas entre pessoas que se encontram a milhas de kilometros de quem o consome consume. O estudo destas transações globais constituem uma tarefa importante para a Sociologia, posto que muitos aspectos de nossas vidas atuais vêm sendo afetadas por comunicações e influências sociais que tem lugar na escala mundial.
      Finalmente, o ato de beber uma xícara de café supoe que anteriormente se tem produzido um processo de desenvolvimento social e econômico. 
      Junto com outros muitos componentes da dieta ocidental agora habituais — como chá, bananas, batatas e açúcar branco, o consumo do café começou a se espalhar no final do século XIX, e embora tenha originado no Oriente Médio, a enorme demanda por este produto desde o período da expansão colonial ocidental meio século atrás. Atualmente, quase todos bebem café nos países ocidentais a partir de áreas (América do Sul e África) que foram colonizados pelos europeus, mas de jeito nenhum é um componente da dieta “natural” do Ocidente.
 Sociología del café
1.  Valor simbólico: para muchos occidentales la taza de café por la mañana es un rito personal, que se repite con otras personas a lo largo del día.
2. Utilización como droga: Muchos beben café para darse un «empujón adicional». Algunas culturas prohiben su uso.                  
3. Relaciones sociales y económicas: el cultivo, empaquetado, distribución y comercialización del café son actividades de carácter global que afectan a diversas culturas, grupos sociales y organizaciones dentro de esas mismas culturas, así como a miles de individuos. Gran parte del café que se consume en Europa y los Estados Unidos se importa de Sudamérica.
4. Desarrollo social y económico anterior: Las «relaciones en torno al café» actuales no siempre existieron. Se desarrollaron gradualmente y podrían desaparecer en el futuro.
Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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