Música e alienação

Abaixo uma música (Vídeo, letra e questão para debate) que abre caminho para a discussão em torno da alienação, especialmente por meio da música. Trata-se de uma música lançada em 2004 (não sei se já havia sido cantada por outros cantores anteriormente).
O mais interessante é que comumente usa-se músicas críticas para demonstrar aos educandos que muitos músicos as utilizam como instrumento de conscientização e protesto. Nesta música é possível demonstrar que a música pode ter um efeito contrário a este.

Direitos Iguais

Chico Rey e Paraná

Composição: Breno Kiss / Tivas
1.Um homem pra saber das coisas não precisa 
2.Simplesmente se informar,

3.Tem que sair por o pé na estrada.
4.Acreditar que é possível sem bandeira,
5.Sem medo, sem protestar.
6.A violência nunca leva a nada, 
7.Debaixo desse sol tão forte trópe americano.
8.Abaixo desse mar do sórte equatoriano, 
9.Nos vales, nas caatingas nuas, 
10.Ruas e cidades e beiras de cais,
11.Vai poder viver bem mais e vai aprender,
12.Vai aprender bem mais,
13.Se correr e trabalhar a tempo 
14.O sagrado chão da nossa terra,
15.Vai ver as flores colorindo as serras, 
16.Em comunhão com a natureza reverá a lição dos nossos ancestrais.
17.Dizer não a estupidez das guerras, 
18.Debaixo desse sol tão forte trópe americano.
19.Abaixo desse mar do sórte equatoriano, 
20.São tantas aldeias, favelas, velhos e crianças nesse tanto faz.
21.Querendo viver em paz com todo direito, ter direitos iguais.
22.Nós temos que aprender a olhar mais pro céu,
23.Agradecer ao sol, a cada amanhecer que brilhar.
24.Nós temos que aprender mais do que ensinar,
25.Ta tudo em nossas mãos e ainda nem sabemos amar.26.
26.Debaixo desse sol tão forte trópe americano.
27.Abaixo desse mar do sorte equatoriano, 
28.São tantas aldeias, favelas, velhos e crianças nesse tanto faz.
29.Querendo viver em paz com todo direito, ter direitos iguais.
30.Nós temos que aprender a olhar mais pro céu, 
31.Agradecer ao sol, a cada amanhecer que brilhar.
32.Nós temos que aprender mais do que ensinar, 
33.Ta tudo em nossas mãos e ainda nem sabemos amar.
Propostas para reflexão ou debate:
Nas linhas 1,2 e 3 enfatiza o importância da experiência sobre a educação sistematizada (escolar). Tal música, não poderia estar induzindo a população a não ir para a escola? Em outro momento (nas linhas3, 4 e 5)a música não estaria induzindo a não manifestação, a não termos bandeiras, em fim, sermos alienados?

Temos músicas atuais que induzem ao comportamento de alienação?

Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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Leave a response comment6 Responses
  1. Anônimo
    agosto 12, 20:24 Anônimo

    Creio que pelo fato de a música ter um forte componente restaurador, aliviante de dores diversas, ela acaba atraindo também alguns espíritos confusos, em busca perguntas às quais possam engajar pesquisa; aqueles que andam tateando com luvas, farejando de máscara… Espírito crítico pouco treinados, falo porque conheco

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  2. Arinaldo Martins de Sousa
    maio 24, 17:53 Arinaldo Martins de Sousa

    A musica do vídeo que apareceu é outra, diferente da letra que foi apresentada

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  3. Anônimo
    maio 24, 20:38 Anônimo

    Entendo que ele entra em contradição, pois nas estrófes 1,2e 3, ele diz que não adianta aprender por aprender, tem que por o pé na estrada. Já as estrofes 11,12,13, e 14, dizem que você tem ficar em sua terra, ou seja que não é preciso sair.
    Também entra em contradição quando pede direitos iguais, mas é contra manifestações, como se fosse possível fazer mudanças sem manifestações.
    Fico pensando em que circunstâncias essa música foi feita.

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  4. Pietra Souza
    março 15, 01:11 Pietra Souza

    Acho que quando ele diz sobre o aprender nos versos 1,2 e 3 é justamente uma crítica a alienação que a própria escola produz. Parece incoerente isso, não? Mas acontece. Não sei quanto a faculdade, mas curso o ensino médio,estou no terceiro ano. Nosso estudo até aqui é totalmente teórico. Simplesmente aceitamos as informações que nos são transmitidas, sem sequer termos a oportunidade de testá-las. Vejo nesses versos justamente o incentivo de testá-las e até de produzir novos conhecimentos. Como li em uma charge na internet "Newton não teria descoberto a gravidade se estivesse preso á uma sala de aula, mas sim sob um pé de maçã." Muitos usam essa frase como ''muleta'', mas acho que ela realmente quer dizer algo. Que devemos procurar novos conhecimentos, em vez de somente repetir tudo o que já sabemos.

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  5. Nubika
    julho 14, 17:07 Nubika

    Quando fala de “se informar”, na linha 2, fala de obter conteúdos insignificantes, informações que não estão relacionadas à realidade de cada vivência, pois esses conhecimentos não levam à sabedoria (o saber das coisas) – são informações adquiridas de maneira geral, na escola, pela mídia em especial, que nem sempre condizem com o que realmente inporta, porém, muitas pessoas se deixam justamente alienar.
    Quando fala em “Bandeiras” e “protestos”, talvez no sentido de que, muitas vezes por “bandeiras” e divergencias de opiniões é que se chega aos estados de caos, brigas, lutas, guerras.
    Segundo a música (e segundo a interpretação que faço dela), o conhecimento que realmente importa, e o que faz “saber das coisas” é o observar a natureza e aprender com ela, aparente nas linhas 13, 14, 15, 16, 22, 23 e observando a harmonia que há na natureza, “dizer não às guerras”, ou seja, viver em paz. Aprender com a natureza saber amar, pois a informação por informação, o conhecimento pelo conhecimento, não leva à nada, se “ainda nem sabemos amar”. Se isso é alienante ou não, não sei, mas é o que depreendi da música e me parece muito boa.

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