A importância dos conceitos: O preço que se paga pelo desprezo a eles

A importância dos conceitos: O preço que se paga pelo desprezo a eles

A importância dos conceitos: Por que a palavra também é uma trincheira*

Por Roniel Sampaio Silva

Guerra é paz

Liberdade é escravidão

Ignorância é força**

 

Sabe aquele esforço do seu professor ou professora para você aprender um conceito? Para muita gente um conceito parece banal, especialmente os conceitos das Ciências Humanas, os quais são erradamente relacionados como “decorebas”. Porém, você já parou para pensar sobre a importância e relevância social dos conceitos?

Estudar e entender um conceito é primordial não apenas para o desenvolvimento intelectual do indivíduo, mas também para a compreensão de tal domínio tornam-se um termômetro do momento em que a sociedade está passando. Os conceitos embora sejam plurais a hegemonia em torno deles se dá por disputas intelectuais, política e até militares.Um conceito torna-se legitimado socialmente e pode, inclusive, representar um projeto de nação.

importância conceitos

Neste sentido tais conceitos socialmente legitimados pela academia e movimentos sociais podem ser deturpados e neles podem ser inseridos pautas contraditórias ao princípio básico do conceito.

Por exemplo, uma sociedade que não compreende bem o conceito de democracia torna-se refém do autoritarismo, passa a desprezar os ideais democráticos ao ponto de defender uma sociedade autocrática; achando que aquilo trata-se de democracia.

Uma sociedade que desconhece o conceito de liberdade pode entender liberdade como poder ilimitado do indivíduo cujos abusos cessam a liberdade dos demais. Neste sentido, qualquer tentativa de limitação do poder do indivíduo despótico é tido como atentado à liberdade, invertendo o conceito de liberdade.

Por fim, uma sociedade que despreza a busca crítica pelos conceitos não tem os instrumentos básicos para saber aonde está indo. Numa sociedade assim, os especialistas nos conceitos perdem seu espaço para as “autoridades circunstancias”, os quais serão os guias para as armadilhas da história. Uma sociedade que despreza os conceitos e contraria seus especialistas poderá cometer os equívocos históricos de gerações anteriores , erros estes grafados com sangue e suor nas “páginas” da história.

 

Nota:
  • Originalmente publicado no Blog Café com Sociologia em 09 de setembro de 2017.

**ORWELL, George. 1984. Editora Companhia das Letras, 2009.

 

Como citar esse texto:

SILVA, Roniel Sampaio Silva. O preço que se paga pelo desprezo aos conceitos. Blog Café com Sociologia. 2017. Disponível em: https://cafecomsociologia.com/o-preco-que-se-paga-pelo-desprezo-aos-conceitos/.  Acessado em: dia, mês, ano.

 

 

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Roniel Sampaio Silva

Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais. Professor do Programa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Floriano. Dedica-se a pesquisas sobre condições de trabalho docente e desenvolve projetos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias.

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  1. Erika
    setembro 14, 10:48 Erika

    Olá, parabéns pelo site! No último parágrafo desse texto está faltando alguma coisa, não?!?

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  2. VALNEI FRANCISCO DE FRANÇA
    setembro 14, 11:13 VALNEI FRANCISCO DE FRANÇA

    Prezados, fia um texto ensaiando uma análise da conjuntura brasileira e o Livro do George. Caso tenha interesse em lê-lo enviem-me um e-mail para onde eu possa enviar.
    “Terminei a leitura do Livro 1984, de George Orwell.
    Agora é fazer a relação do conteúdo com a conjuntura do Brasil
    É sempre gratificante quando chegamos ao final de uma leitura. Sinto-me como o andarilho que no deserto chega a uma parada. Sombra, água para saciar a sede, local para repouso, alimento. Uma leitura – boa ou má – é como uma longa caminhada, onde a extensão é determinada pelo prazer de ler. Quanto melhor a leitura, mais longa a caminhada.
    George Orwell, em 1984, foi analítico com o seu tempo. Vivenciou desde as barbáries das guerras como o início das contradições da guerra-fria, os seus motivos, as suas ações. Com a “pena e o papel” agiu rápido, tal qual um vidente perscruta sua “bola de cristal”, ou as “cartas do baralho”. Ou seria como um cientista a utilizar seus instrumentos para entender a vida, no momento, em meados de 1940…”

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  3. Martha Cavalcante dos Santos Bispo
    maio 07, 01:57 Martha Cavalcante dos Santos Bispo

    Fico feliz em poder participar desse espaço, texto didático e esclarecedor. Realmente apropriar-se das ferramentas necessárias para poder interagir dentro dos espaços sociais e fundamental.

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