Preconceito regional e a negação da nação brasileira

Preconceito regional e a negação da nação brasileira

 

Por Ezyle Rodrigues de  Oliveira*
A discriminação é perceptível através da não aceitação das diferenças presentes na língua, nos costumes e nas tradições culturais próprias de  cada Região brasileira. Nota-se que a sociedade nordestina é vitimada por preconceitos culturais descabidos em relação as demais regiões do país. Essa discriminação tem, sobretudo, raízes no racismo [os vitimados mulatos, negros e descendentes de índios compõem grande parcela da população do Nordeste]. Já não bastasse a discriminação a Região têm dificuldades políticas e climáticas para melhorar sua qualidade de vida, sobretudo no sertão.
Cerca de 40% da população do Nordeste ainda vive na pobreza. Existem estados com altas concentrações de pessoas com rendimento de até meio salário. Entre outros fatores, a falta de oportunidade causada devido a menores ofertas de trabalho. Se não bastasse as dificuldades climáticas, a política reproduz tal pobreza.
A falta de oportunidades gerou e tem gerado [agora em menor proporção] uma emigração para várias regiões do país. A imigração desses produz, infelizmente,  a falsa percepção que a pobreza nas metrópoles são gerada por eles, quando na verdade a exploração sobre mão de obra barata que, por um lado, promovia o desenvolvimento destas regiões, por outro marginalizava-os.
Com a migração, derivados dos demais fatores causadores da desigualdade , passamos a ter um povo brasileiro ainda mais misturado. A integração cultural, tem, ao contrário da lógica, gerado um cenário marcado pelo preconceito descabido, vide a discriminação em relação aos nordestinos que migraram para São Paulo. Praticar o preconceito é segregar uma nação de várias faces, cores e etnias no qual não há melhores ou piores. Além disso, é excluir pessoas que não escolheram seu local de natalidade [como se isso fosse um problema], é inferiorizar e marginalizar pessoas com a mesma nacionalidade e, portanto, a mesma história.
Certamente a mídia tem uma parcela de culpa significativa, pois colabora para criar “estereótipos inferiorizados” [ao nordestino caba, nas novelas globais, quase sempre, o papel de empregado]. O preconceito constitui a negação da própria natureza da nação brasileira. Nega-se com isso sua multiplicidade de formas, cores, movimentos e tons.

Referências

Pessôa, S. d. (s.d.). Existe um Problema de Desigualdade Regional no Brasil? Fonte:
www.ufpe.br/…/Pessoa__Probela_de_Desigualdade_no_Brasil.ppt
Santana, F. M., Lacerda, I. F., & Fontenele, J. H. (s.d.). Preconceito Regional nas Redes Sociais: São Paulo X Nordeste.
*  Estudante do curso técnico integrado em informática no IFRN Câmpus Santa Cruz/RN. E-mail: [email protected],
Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Docente do Centro de Educação da Ufal.

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  1. Anônimo
    abril 05, 00:08 Anônimo

    Disse tudo 🙂

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  2. Anônimo
    abril 05, 04:31 Anônimo

    Parabéns pelo o texto!

    Sou filho e neto de nordestino. Pelo menos aqui em Brasília, onde eu resido, ha um grande preconceito contra os nordestinos, basta apenas observar o comportamento e as brincadeiras de alguns grupinhos de pessoas, normalmente eles acabam comparando a figura do nordestino com algo ruim, algo inferior. Não sabendo eles que os nordestinos possuem umas das culturas mais belas e interessantes do Brasil. Os nordestinos são alegres, acolhedores e simpático normalmente gostam de uma boa conversa, gostam de tratar as pessoas bem, são trabalhadores e honesto, não sei porque os meios de entreterimento insiste em mostrar uma imagem negativa do povo nordestino.

    Twitter: @leonardspes

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  3. Elisangela Vieira Elis
    abril 06, 13:05 Elisangela Vieira Elis

    Sou filha de nordestina e nunca neguei minhas raizes, sorte que moro no norte de minas e a cultura é muito parecida! Nunca sofri preconceito por isto. Mas somos todos brasileiros, não importa se a pessoa é do sul ou nordeste. Somos formado de três matrizes, a africana, a portuguesa e a indigêna. Somos iguais, e com uma riqueza de cultura enorme. Pena que muitos não entendem.

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