A Sociologia, o som e o silêncio

Por Roniel Sampaio Silva
Este texto tem por objetivo apontar algumas reflexões sociológicas preliminares acerca da percepção e construção social da freqüência captada por nossos ouvidos. Será que os sons são fruto apenas do seu meio emissor?

Nosso corpo dispõe de um dos aparelhos mais incríveis que se possa imaginar: o ouvido. Podemos ouvir frequências entre 20 e 20 mil Hertz. Todavia, nossa audição, se comparada a de outros animais, está muito aquém em desempenho. Tanto é a percepção auditiva de nossa realidade, quanto nossa própria realidade tem mudado. Os ruídos da cidade estão nos deixando mais surdos do ponto de vista fisiológico (e porque não, cognitivo?) Mas o que isso tem a ver com Sociologia?

Em primeiro lugar é
preciso que categorizemos a freqüência captada pelo ouvido. O que ouvimos trata-se de um ruído ou música? Independentemente do gênero, a musical tem características que a peculiariza tais como, melodia, harmonia e ritmo. Para além do domínio de teoria musical é preciso compreender que aprendemos a ouvir a partir do que nos é dito. Todavia, o que um grupo considera música nem sempre é aceito por outro como tal. Desse modo, o conceito de música que cada um tem traz consigo uma bagagem etnocêntrica, o qual o habitus do indivíduo vai fazendo com que determinado ritmo musical se torne mais preferível e “audível”. O processo de socialização vai ensinando ao ouvido entender essas diversas linguagens.

Outro ponto importante diz respeito a analisar a mudança social a partir da música. Para nós sujeitos pertencentes a mesma geração fica um pouco difícil perceber as transformações da tecnologia e da sociedade. Weber já apontava que a mudança da técnica acarreta na mudança da música. Ora, se a técnica tem proporcionado transformações da sociedade essa tem influenciado igualmente a técnica; é uma via de mão dupla. Neste sentido, por exemplo, podemos citar que o hábito de ouvir música com fones revela uma tendência de individualização acentuada no mundo ocidental capitalista e essa tendência induz a produção e reprodução de um tipo de tecnologia.

Sugiro fazermos uma reflexão entorno do surgimento de bandas do gênero emocore (emotive hardcore). Essas primeiras bandas costumava ter em suas música um apelo a ideologia punk, criticando os abusos do regime capitalista. Com as diversas transformações sociais e a descrença numa mudança de sistema econômico, acredita-se que tais bandas migraram seus temas para assuntos mais subjetivos e emotivos. A migração de estilo, ritmo e técnicas musicais pode revelar aspectos da mudança de comportamento e pensamento dos sujeitos e grupos, bem como sua aceitação.

A música promove uma interação porque aponta para uma linguagem. Nem sempre esta linguagem é facilmente compreendida pelos sujeitos, algumas vezes ela se torna inconsciente. É nesse sentido que a sociologia busca entender o som como elemento simbólico, construído pelo homem. A partir de uma leitura apurada é possível fazer uma reflexão sobre estes sujeitos.
Não apenas o som é uma linguagem, mas também a ausência dele, o silêncio. Como diria Freud, somos não apenas o que dizemos, mas aquilo que deixamos de dizer. Algumas vezes o silêncio/hesitação fala muito mais do que outra linguagem. No mundo que atualmente vivemos o silêncio está cada vez mais efêmero e distante, e tem dado lugar a ostentação sonora de motores e sons de carros.

Façamos deste mundo um local mais silencioso porque é principalmente nele que se faz a reflexão. Antes do silêncio, faça uma reflexão ouvindo nosso podcast.
ronielsampaio@gmail.com

Graduado em Ciências Sociais pela UFPI, mestre em Educação pela UNIR e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí.

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  1. lilian tatiana barros vieira
    setembro 16, 21:27 lilian tatiana barros vieira

    Boa noite. Estou trabalhando com os alunos do 2º ano (Escola Estadual José Bonifácio, em Belo Horizonte-MG), o tema violência. E uma das atividades desenvolvidas para fixar o contéudo é o gênero textual: Paródia. As turmas recriaram letras de música com base nos tipos de violência.
    Seria possível publicar neste blog as paródias produzidas pelos alunos? Grata. (Lilian Tatiana de Barros Vieira-e-mail: ltbv34@gmail.com.

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  2. Johnathan Soares
    dezembro 25, 15:14 Johnathan Soares

    Texto fraco, espero que faça um serviço melhor e com mais vontade. Abraços.

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