“A Naturallização da desigualdade”

Como o exercício da “ideologia do desempenho” se dá de forma sub-reptícia, sutil e silenciosamente por meio de uma prática reproduzida irrefletidamente nos diversos habitus com escolhas, distinções e distanciamentos como que pré-embutidos em um princípio de realidade simbólico ancorado e reproduzido institucíonalmente, a opacidade da dominação, também sob condições modernamente periféricas, é autodestrutiva para os grupos afetados com um “habitus precário”, na medida em que a auto-representação e a auto-estima, socialmente construídas, leva inexoravelmente àquilo que Taylor havia definido como a consequência da ausência de reconhecimento social: “ausência de reconhecimento não significa apenas falta do devido res¬peito a alguém. Ela inflige feridas profundas, atingindo suas vítimas com um auto-desprezo mutilador.”43 Uma dessas formas de feridas profundas parece-me a aceitação da situação de precariedade como legítima e até merecida e justa, fechando o círculo do que gostaria de chamar de “naturalização da desigualdade”, mesmo de uma desigual¬dade abissal como a da sociedade brasileira. (SOUZA, Jessé. A Construção Social da Subcidadania. p. 178-179)

Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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  1. Anônimo
    outubro 21, 19:40 Anônimo

    Que foto espetacular!!!!!!!!

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  2. Anônimo
    agosto 06, 22:56 Anônimo

    a beleza na tristeza….

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  3. Anônimo
    março 23, 19:36 Anônimo

    …A naturalização da desigualdade…

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