Depois de ler Maiakovski* – Eu não me importei com o Rio de Janeiro

Sobre o Caso Marielle e outros tantos outros da violência institucionalizada no Rio de Janeiro

Por Roniel Sampaio Silva
Texto de Bertolt Brecht adaptado
Primeiro levaram os Amarildos
Mas não me importei com isso
Eu não era Amarildo
Em seguida levaram algumas Claúdias
Mas não me importei com isso
Eu também não era Cláudia
Depois prenderam outros Rafael Braga
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou preto e nem moro na rua
Depois mataram umas Marielles
Mas como não sou socialista
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
 

Marielle foi executada por fortíssimos indícios de motivação política e agora querem que a resposta ao episódio seja totalmente desprovida de política.

Querer despolitizar um assassinato político é sobretudo banalizar e corroborar com os alastramentos dos assassinatos desta natureza por todo o país.

Camuflar o caráter político deste tipo de homicídio é apertar o gatilho junto aos assassinos, temperando tais mortes com o cinismo que só os políticos mais pseudopolitizados conseguem fazer junto a sua legião de cúmplices seguidores os quais fazem questão de fazer dos seus o sacrifício dos sádicos de modo a negar tudo que são.

*Texto original produzido no contexto de perseguição nazista e denunciado pelo autor alemão.
*Citação atribuída ao pastor Martin Niem õller na ascensão do nazismo na Alemanha nos anos 1930. STANDING, Guy. O precariado: a nova classe perigosa. Belo Horizonte: Autêntica, 2013. p-271.

Roniel Sampaio Silva

Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais. Professor do Programa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Campo Maior. Dedica-se a pesquisas sobre condições de trabalho docente e desenvolve projetos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias.

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