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Fundamentalismo Religioso

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Fundamentalismo religioso: reflexões necessárias

Por Cristiano das Neves Bodart
O termo fundamentalismo religioso vem sendo empregado, especialmente pela mídia televisiva, de forma pejorativa (geralmente limitado ao islã). Nesta mídia não vemos o termo associado a boas ações, pelo contrário, a ataques terroristas e outros atos de violência. Nós, cientistas sociais, não podemos colaborar para a solidificação de uma inverdade como esta, principalmente quando temos o monopólio da palavra: em sala de aula.
 
Tratar de tal conceito sem ir à raiz de suas origens é correr o risco de reproduzir o que a grande mídia “criou”: um monstro que deve ser eliminado.
 
O termo fundamentalismo religioso foi criado por parte de um grupo religioso, os quais, no início de século XX, nos Estados Unidos, se reuniram para discutir e formular caminhos doutrinários de combate as influências dos movimentos modernistas (na teologia, o Modernismo é uma corrente heterogênea de pensamento que, basicamente, defende a evolução  – e modificação ou transformação – do dogma e “uma reinterpretação da religião à luz do pensamento científico do século XIX”).
 
Fundamentalismo é um movimento que tem por objetiva voltar aos princípios fundamentais, ou vigentes na fundação do grupo religioso. É preservar as bases doutrinárias, é não permitir que os “modismos” entrem em suas religiões.
 
Ao contrário, os modernistas cristão, por exemplo, defendiam (ainda defendem) que a bíblia não possui inspiração divina e que a mesma não pode ser seguida em todas as situações, apenas em questões que coincida com os costumes atuais. Defendem que as celebrações devem se adequar aos gostos culturais atuais. Para os fundamentalistas isso seria levar o mundo e suas coisas mundanas para dentro da igreja.
 
Hoje, se fala muito em respeito. O que buscam os fundamentalistas? Respeito à suas bases religiosas, aos fundamentos de sua religião. Aqui está o motivo de muitos dos conflitos que envolvem grupos religiosos fundamentalistas, especialmente os grupos não ocidentais: a invasão de costumes, hábitos e valores ocidentais em tais grupos.
 
Não busco defender o fundamentalismo religioso, apenas acredito que respeito deve ser uma ação mutua. Por que, por exemplo, querer criar leis que obrigue os padres e pastores brasileiros a casarem homossexuais (já passou algo assim pelo Congresso Nacional)? Os homossexuais ao buscarem aceitação em outros grupos sociais acabam, mesmo sem desejar, ferindo preceitos fundamentais desses grupos. Por que, por exemplo, querer criar leis que obrigue os templos serem usados como salas de aula durante o dia (também já passou algo assim pelo Congresso Nacional)? Como buscar respeito desrespeitando? Será que a nossa história de etnocídio cultural (o caso de nossos índios) nada nos ensinou? Quantos índios fundamentalistas forma mortos por cruzes afiadas? (lembram da expressão “entre a cruz e a espada”?).
 
Se agarrar aos preceitos do mundo moderno (globalizado) e não se abrir ao respeito à grupos étnicos e religiosos não seria uma defesa tão legítima quanto daqueles que querem preservar suas fundações? Por que as práticas modernas devem ser aceitas? Ou melhor, impostas? 
 
A crítica não deve se voltar a prática fundamentalista, mas aos fundamentos que são realmente nocivos a sociedade/humanidade. O desafio maior é definir um parâmetro para tal juízo de valor. Estaria a modernidade (impregnada de concepções capitalistas, individualistas, egocêntricas e mercadológica) habilitada a julgar os fundamentos de grupos minoritários?
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