Um aluno pergunta por que a polícia mata muito mais gente em algumas periferias do que em bairros nobres. Um leitor busca no Google “o que é necropolítica” depois de ouvir o termo num debate sobre a pandemia. Um concurseiro encontra a palavra numa prova de sociologia e não sabe por onde começar. Este texto responde às três situações.
Necropolítica é o conceito criado pelo filósofo camaronês Achille Mbembe em 2003 para descrever como o poder político decide quem deve viver e quem deve morrer. Não se trata de uma metáfora. Mbembe usa o termo para nomear políticas concretas de Estado que distribuem a morte de forma desigual entre populações.
O conceito nasceu num ensaio acadêmico e hoje aparece em reportagens, debates sobre segurança pública e provas de vestibular. Essa popularização trouxe ganhos e perdas. De um lado, ajudou a nomear fenômenos que antes pareciam dispersos, como a letalidade policial concentrada em bairros negros e periféricos.
De outro, o termo às vezes é usado de forma solta, sem a base teórica que Mbembe construiu ao dialogar com Michel Foucault, Giorgio Agamben e Frantz Fanon. Recuperar essa base é o que torna o conceito útil para além do senso comum.
Este guia explica o que é necropolítica a partir da fonte original, mostra como o conceito se diferencia da biopolítica de Foucault, apresenta dados atuais sobre o Brasil e traz sugestões práticas para o uso do tema em sala de aula. Professores, estudantes de licenciatura, pesquisadores e candidatos a concursos encontram aqui uma referência completa e atualizada.

O que é necropolítica?
Necropolítica é o uso do poder político e social para determinar quem tem o direito de viver e quem está condenado a morrer. A palavra combina o prefixo grego necro, ligado à morte, com política. Mbembe cunhou o termo para descrever como Estados, mercados e outras formas de poder gerenciam a morte de populações inteiras, muitas vezes de maneira seletiva e racializada.
Para Mbembe, a soberania moderna não se define apenas pela capacidade de fazer leis ou administrar a vida da população. Ela se define, sobretudo, pela capacidade de expor certos grupos à morte, ou de simplesmente deixar que morram, sem que isso seja tratado como um problema político central.
Como escreve o autor logo na abertura do ensaio original, publicado em português pela revista Arte & Ensaios da UFRJ, “matar ou deixar viver constituem os limites da soberania” (MBEMBE, 2016, p. 122). É isso, em poucas palavras, o que é necropolítica: o poder de matar, deixar morrer ou expor à morte como instrumento de governo.
A origem do conceito com Achille Mbembe
Achille Mbembe nasceu nos Camarões em 1957 e é hoje professor da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, além de uma das principais referências mundiais em estudos pós-coloniais e africanos. Formado em história e ciência política, Mbembe construiu boa parte de sua obra investigando como o colonialismo moldou formas de poder que sobrevivem à independência formal dos territórios colonizados.
Antes de escrever sobre necropolítica, Mbembe já era conhecido por On the Postcolony, livro de 2001 que examina as marcas deixadas pelo colonialismo nas estruturas políticas africanas. A necropolítica surge como um desdobramento dessa pesquisa, uma tentativa de entender por que a morte em massa continua central para o exercício do poder mesmo depois do fim formal dos impérios coloniais.
Do ensaio de 2003 ao livro de 2018
O ensaio Necropolitics foi publicado originalmente em inglês na revista Public Culture, em 2003. O texto circulou por anos em círculos acadêmicos antes de ganhar uma versão em livro, em francês, em 2016, que resultou depois em edições traduzidas para outros idiomas. No Brasil, a editora N-1 publicou a tradução em 2018, o que ampliou bastante o alcance do conceito fora da universidade.
Vale notar que o ensaio de 2003 e o livro de 2018 não são textos idênticos. O livro amplia argumentos, incorpora exemplos mais recentes e dialoga com debates que ganharam força depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e da chamada guerra ao terror. Quem cita necropolítica em um trabalho acadêmico deveria, idealmente, indicar a qual dessas duas versões está se referindo.
De onde vem o conceito: o diálogo com Foucault e Agamben
Mbembe não criou a necropolítica isolado. Ele constrói o conceito em diálogo crítico com dois filósofos centrais do pensamento político do século 20: Michel Foucault e Giorgio Agamben.
Biopoder em Foucault
Foucault cunhou o termo biopoder nos anos 1970 para descrever uma mudança na forma como os Estados modernos exercem o poder. Em vez de simplesmente punir ou matar súditos, como faziam as monarquias absolutistas, os Estados modernos passaram a administrar a vida da população: taxas de natalidade, saúde pública, expectativa de vida, produtividade do trabalho.
Como mostra o artigo sobre o conceito de poder em Foucault publicado aqui no Café com Sociologia, essa mudança não elimina a violência do Estado. Ela a reorganiza. O biopoder convive com o que Foucault chamou de racismo de Estado: o critério que decide quais grupos populacionais merecem cuidado e quais podem ser deixados à própria sorte.
Estado de exceção em Agamben
Giorgio Agamben contribui com a ideia de estado de exceção, situação em que o poder soberano suspende temporariamente as leis normais em nome de uma emergência. Para Agamben, os campos de concentração representam o exemplo mais extremo dessa suspensão: espaços onde a vida humana é reduzida à condição de vida nua, sem proteção jurídica alguma.
Mbembe usa esse ponto de partida, mas desloca o foco. Em vez de tratar o estado de exceção como algo temporário e restrito a campos de concentração, ele mostra que, em colônias e territórios ocupados, a exceção vira regra permanente. Não há retorno à normalidade jurídica depois de um período de crise, porque a própria noção de normalidade nunca chegou a existir para essas populações.
A crítica de Mbembe ao biopoder
Mbembe reconhece a importância de Foucault e Agamben, mas argumenta que os dois conceitos são insuficientes para explicar certas experiências históricas, sobretudo a escravidão e o colonialismo. Nessas experiências, afirma Mbembe, o poder não apenas administra a vida ou suspende a lei em situações excepcionais. Ele produz diretamente mundos de morte, o que o autor chama de necropoder.
A diferença é sutil, mas decisiva. Enquanto o biopoder foucaultiano se pergunta como fazer viver e deixar morrer, a necropolítica pergunta como fazer morrer e deixar viver, ou até como transformar a própria vida em uma forma de morte em vida. É o caso, segundo Mbembe, da condição do escravizado nas plantations e da população sob ocupação colonial.
Necropolítica e biopolítica: qual é a diferença
Muita gente usa necropolítica e biopolítica como sinônimos. Não são. Os dois conceitos descrevem lógicas de poder diferentes, ainda que relacionadas.
A biopolítica, tal como Foucault a descreve, tem como alvo a gestão da vida da população em geral: campanhas de vacinação, políticas de natalidade, previdência social. Já a necropolítica tem como alvo a distribuição desigual da morte entre grupos específicos, definidos sobretudo por raça, classe e origem colonial.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre os dois conceitos.
| Aspecto | Biopolítica (Foucault) | Necropolítica (Mbembe) |
|---|---|---|
| Foco principal | Administrar a vida da população | Administrar a distribuição da morte |
| Pergunta central | Como fazer viver e deixar morrer? | Como fazer morrer e deixar viver? |
| Instrumentos típicos | Estatística, saúde pública, natalidade | Guerra, segregação espacial, letalidade policial |
| Situação de referência | Estado social moderno | Colônia, plantation, campo, gueto |
| Sujeito produzido | População administrada | “Mortos-vivos”, corpo matável |
Essa distinção não significa que os dois poderes atuem separados. Na prática, biopoder e necropoder costumam operar juntos, muitas vezes dentro do mesmo Estado. Um sistema de saúde pública pode cuidar bem de uma parte da população e, ao mesmo tempo, tratar outra parte como descartável. Foi o que aconteceu durante a pandemia de Covid-19 no Brasil, tema que retomo mais adiante.
Como a necropolítica funciona na prática
Antes de detalhar os exemplos históricos que Mbembe analisa, vale explicar um conceito auxiliar: o corpo matável. Trata-se da ideia de que certos corpos, definidos por raça, origem ou classe, se tornam alvos legítimos de violência aos olhos do poder, enquanto outros corpos permanecem protegidos pelas mesmas leis.
O corpo matável não precisa cometer nenhum crime para estar em risco. Basta pertencer à categoria social que o Estado, o mercado ou a opinião pública tratam como descartável. Essa ideia volta a aparecer, mais adiante, quando o texto trata dos dados de letalidade policial no Brasil.
A fazenda escravista
Mbembe recorre à experiência da escravidão para mostrar uma das primeiras formas históricas de necropoder. O escravizado, explica o autor, sofre uma tripla perda: perde a casa de origem, perde direitos sobre o próprio corpo e perde status político. O resultado é uma vida mantida sob ameaça constante de morte, o que Mbembe descreve como uma forma de morte em vida.
A colônia e o apartheid
No regime colonial, sobretudo no apartheid sul-africano, o necropoder se organiza pelo espaço. Bairros, distritos e as chamadas homelands, ou bantustões, segregam fisicamente a população negra, restringindo o acesso a terra, moradia e cidadania. Mbembe recorre a Frantz Fanon para mostrar como a cidade colonial se divide em duas: a cidade do colonizador, com infraestrutura e conforto, e a cidade do colonizado, marcada pela fome e pela precariedade.
Ocupação colonial tardia e soberania vertical
Em exemplos mais recentes, Mbembe descreve o que chama de soberania vertical: o controle simultâneo do espaço aéreo, da superfície e do subsolo de um território ocupado. Rodovias, muros, postos de controle e vigilância aérea fragmentam o cotidiano da população ocupada, tornando praticamente impossível a livre circulação.
O objetivo, segundo o autor, não é apenas controlar, mas produzir o que ele chama de mundos de morte: formas sociais em que populações inteiras vivem sob a condição de mortos-vivos. Essas tecnologias de controle territorial mudam de contexto para contexto, mas a lógica de fundo se repete em diferentes ocupações ao longo do século passado.
Em todos esses casos, o necropoder não depende necessariamente de matar todo mundo o tempo todo. Basta expor um grupo a condições de vida tão precárias que a morte se torna uma possibilidade sempre presente. É esse mecanismo, mais do que qualquer ato isolado de violência, que caracteriza o que é necropolítica no pensamento de Mbembe.
Necropolítica no Brasil: exemplos e dados atuais
Letalidade policial e racismo estrutural
O uso mais frequente da palavra necropolítica no debate público brasileiro está ligado à segurança pública. Os dados mais recentes ajudam a entender por que o conceito ganhou tanta força por aqui.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a polícia brasileira matou 6.602 pessoas em 2025, o maior número já registrado pela série histórica. Isso equivale a cerca de 18 mortes por dia, um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2026).
Entre 2015 e 2025, a soma de mortes por intervenção policial no país chega a 60.558 casos. O perfil das vítimas confirma a leitura de Mbembe sobre a distribuição desigual da morte.
De acordo com o mesmo levantamento, 82% das pessoas mortas pela polícia em 2025 eram negras e 99,3% eram homens (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2026). Não é um dado isolado: a série histórica do anuário mostra o mesmo padrão racial ano após ano, o que caracteriza uma política, e não um conjunto de casos excepcionais.
Esse padrão dialoga diretamente com o conceito de racismo enquanto fenômeno social: a desigualdade racial na segurança pública não decorre de decisões isoladas de policiais individuais, mas de uma lógica que atravessa instituições inteiras. Para aprofundar essa relação, vale a leitura do texto sobre desigualdade racial e sociedade publicado aqui no blog.
Necropolítica na pandemia de Covid-19
A pandemia de Covid-19 se tornou um dos exemplos mais discutidos de necropolítica no Brasil. Pesquisadores e veículos de imprensa usaram o termo para descrever a desigualdade no acesso a leitos de UTI, oxigênio e vacinas entre diferentes grupos sociais. Boletins epidemiológicos divulgados durante a pandemia mostraram população negra e parda com participação desproporcional entre as vítimas em vários estados, mesmo onde representava parcela menor da população.
O caso brasileiro ilustra bem o argumento central de Mbembe: a necropolítica não exige uma ordem explícita de matar. Basta a omissão seletiva, a demora em oferecer socorro a determinados grupos, ou a decisão de priorizar a economia em detrimento da vida de populações vulneráveis.
Fronteiras, migração e outras frentes
Ainda que o exemplo da segurança pública seja o mais citado, o conceito também aparece em debates sobre política migratória, crise carcerária e violência contra povos indígenas. Rotas migratórias marcadas por travessias perigosas, presídios superlotados e terras indígenas sem demarcação são exemplos de espaços onde o risco de morte se concentra em grupos específicos, muitas vezes por omissão do poder público.
Em todos esses casos, o padrão se repete: grupos historicamente vulnerabilizados enfrentam risco de morte maior do que o restante da população, e essa diferença não é acidental, mas resultado de decisões políticas e omissões deliberadas.
Necropolítica no ensino de sociologia
Ensinar necropolítica em sala de aula exige cuidado. É um tema denso, carregado emocionalmente e, para muitos estudantes, diretamente ligado à própria experiência de vida. Antes de avançar para a teoria, vale contextualizar por que o conceito importa para entender o Brasil contemporâneo.
A Base Nacional Comum Curricular situa a discussão sobre desigualdade, poder e direitos humanos entre as competências centrais da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas no Ensino Médio. Necropolítica se encaixa nessa proposta ao permitir que os estudantes relacionem teoria sociológica a dados concretos sobre violência, racismo e política de segurança pública no próprio país.
Sugestões práticas para a sala de aula
Algumas estratégias ajudam a tornar o conceito mais acessível sem simplificá-lo demais.
- Comece pelos dados locais. Antes de apresentar a teoria, mostre estatísticas de letalidade policial do estado ou município onde a escola está localizada. Isso ancora o conceito na realidade dos estudantes.
- Compare biopolítica e necropolítica lado a lado, usando a tabela apresentada neste texto como ponto de partida para o debate em turma.
- Use documentários como disparador de discussão. Como já mostramos no texto sobre documentários sobre crimes reais para trabalhar em sala de aula, produções audiovisuais ajudam a conectar teoria e realidade sem exigir leitura prévia extensa.
- Reserve tempo para o debate ético. Estudantes tendem a ter reações fortes ao tema. Um espaço estruturado de fala evita que a discussão vire apenas desabafo, sem conexão com os conceitos sociológicos.
O tema também funciona bem em atividades interdisciplinares. Professores de história podem explorar os exemplos coloniais que Mbembe analisa, enquanto professores de filosofia têm no diálogo com Foucault e Agamben um ponto de entrada natural. Um projeto conjunto entre as três disciplinas costuma render discussões mais ricas do que uma abordagem isolada em sociologia.
Uma forma simples de avaliar a aprendizagem é pedir que os estudantes identifiquem, em uma notícia recente, elementos que dialoguem com a necropolítica: quem morre, quem sobrevive, e quais decisões políticas explicam essa diferença. O exercício funciona tanto para o ensino médio quanto para turmas de graduação em ciências sociais.
Vale reforçar: o objetivo pedagógico não é apenas explicar o que é necropolítica, mas ajudar o estudante a reconhecer o conceito em situações concretas, dentro e fora da sala de aula.
Críticas e limites do conceito de necropolítica
Nenhum conceito sociológico está livre de crítica, e a necropolítica não é exceção. Alguns pesquisadores apontam que o termo, ao circular fora da academia, perdeu parte da precisão original. Usado de forma solta, necropolítica às vezes vira sinônimo genérico de violência do Estado, o que esvazia a contribuição específica de Mbembe sobre soberania, racismo e colonialismo.
Outra crítica recorrente diz respeito à dificuldade de operacionalizar o conceito em pesquisa empírica. Diferente de indicadores como taxa de homicídio ou índice de Gini, a necropolítica é, antes de tudo, uma chave de leitura filosófica. Isso a torna poderosa para interpretar fenômenos, mas exige cuidado metodológico quando o objetivo é comparar dados entre países ou períodos históricos.
Há também quem questione até que ponto é possível atribuir intenção deliberada a um Estado, distinguindo negligência de necropolítica propriamente dita. Mbembe responde a essa crítica ao lembrar que o conceito não depende de prova de intenção individual: basta observar o padrão sistemático de quem vive e quem morre para identificar uma lógica necropolítica em funcionamento.
Pesquisadores brasileiros, sobretudo no campo do pensamento decolonial, adaptaram o conceito de Mbembe para analisar especificidades locais, como a relação entre necropolítica e o legado da escravidão no país. Essa leitura dialoga com discussões mais amplas sobre pensamento decolonial, apresentadas em outro texto deste blog, e reforça que necropolítica não é um conceito fechado, mas uma ferramenta em constante reelaboração.
Perguntas frequentes sobre necropolítica
O que é necropolítica, de forma resumida?
Resumidamente, necropolítica é o uso do poder político para decidir quem vive e quem morre, e para expor determinados grupos a um risco de morte muito maior do que outros. O conceito foi desenvolvido pelo filósofo camaronês Achille Mbembe em 2003.
Quem criou o conceito de necropolítica?
O termo foi criado por Achille Mbembe, filósofo, historiador e cientista político nascido nos Camarões, atualmente professor na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.
Qual a diferença entre necropolítica e biopolítica?
A biopolítica de Foucault descreve como o Estado administra a vida da população em geral. A necropolítica de Mbembe descreve como o poder distribui a morte de forma desigual entre grupos específicos, sobretudo com base em raça e origem colonial.
Necropolítica é a mesma coisa que genócidio?
Não exatamente. Genócidio é uma categoria jurídica, definida em tratados internacionais, que exige intenção comprovada de destruir um grupo. Necropolítica é um conceito sociológico e filosófico mais amplo, que inclui desde políticas de segregação até omissões estatais que aumentam o risco de morte de determinados grupos, sem que isso configure necessariamente um crime de genócidio.
Como a necropolítica aparece no Brasil hoje?
No Brasil, o exemplo mais citado é a letalidade policial concentrada em bairros negros e periféricos, mas o conceito também aparece em debates sobre a resposta à pandemia de Covid-19, política carcerária e violência contra povos indígenas.
Necropolítica é um conceito da sociologia ou da filosofia?
Dos dois campos. Mbembe é filósofo de formação, mas o conceito é amplamente usado na sociologia, na ciência política e nos estudos sobre relações raciais, o que o torna interdisciplinar por natureza.
Como o tema necropolítica cai em provas e concursos?
Provas de vestibular, Enem e concursos costumam cobrar a definição do conceito, o nome de Achille Mbembe como autor, e a relação com o biopoder de Foucault. Vale também estudar exemplos concretos, como dados de letalidade policial, para sustentar respostas discursivas.
Considerações finais
Entender o que é necropolítica ajuda a nomear um fenômeno que muitas vezes passa despercebido: a distribuição desigual do risco de morte entre diferentes grupos sociais. O conceito de Achille Mbembe não é apenas uma ferramenta acadêmica distante da realidade brasileira.
Os números de letalidade policial, a desigualdade no acesso à saúde durante a pandemia e a segregação espacial das cidades mostram que a necropolítica opera todos os dias, em escala nacional.
Para professores e estudantes de sociologia, o conceito oferece uma chave de leitura poderosa, desde que usada com o rigor que Mbembe propôs: em diálogo com Foucault, Agamben e a longa história do colonialismo e da escravidão. Mais do que decorar uma definição, vale o exercício de aplicar o conceito a situações concretas, sejam elas notícias recentes, dados oficiais ou observações do próprio cotidiano.
Se este texto ajudou a esclarecer esse conceito, aproveite para explorar os outros temas de sociologia relacionados disponíveis aqui no Café com Sociologia.
Referências
AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer: o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2026.
FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). São Paulo: Martins Fontes, 1999.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, n. 32, p. 122-151, dez. 2016.


