O posicionamento político de Stephen Hawking

O posicionamento político de Stephen Hawking

Stephen  Hawking: o político

Por Fernando Pureza*

 

Morreu Stephen Hawking. Surgem elogios fúnebres na internet, falando do homem como exemplo de superação ou do cientista que nos permitiu desvendar um pouquinho mais sobre os mistérios do universo. É uma morte sentida por todos e todas, creio eu. Poucas unanimidades se consolidam no nosso imaginário nos dias de hoje.

frase-hawking-300x300De minha parte, acho importante lembrar também do Hawking político: Hawking foi, nos últimos anos, um defensor incansável do sistema de saúde público britânico, alegando que sem ele talvez ele sequer tivesse conseguido ter uma vida longa e plena. Na última campanha do parlamento, abriu seu voto e chegou a fazer campanha em favor do Trabalhista Jeremy Corbyn. Segundo um de seus biógrafos, um dos maiores arrependimentos de Hawking foi não ter passado com sua cadeira de rodas sobre o pé de Margareth Thatcher. Era um militante pacifista, contra a guerra no Vietnã e contra a corrida nuclear. Se recusou a aceitar o título de Sir e criticou duramente o governo britânico por conta dos cortes orçamentários na pesquisa científica. Foi mais longe e aderiu ao boicote de artistas e intelectuais contra o Estado de Israel em 2013 em apoio à Palestina.

De minha parte, pensando nessa homenagem a um físico, mas também a um sujeito político, queria deixar uma resposta dele ao Reddit, em 2015. Um dos jovens do fórum perguntou a ele como deveríamos lidar com um mundo em que as máquinas produzissem riqueza. A resposta do físico, contudo, foi essa:

“Se as máquinas produzirem tudo que precisamos, tudo vai depender de como as coisas serão distribuídas. Todos podem ter uma vida de lazer conspícuo se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada, ou, por outro lado, as pessoas podem acabar miseravelmente pobres se os donos dessas máquinas conseguirem promover sua luta contra a redistribuição da riqueza. E por ora, a tendência é pela segunda opção, com os impulsos tecnológicos alimentando, cada vez mais, a crescente desigualdade”.

 

*Professor da Universidade Federal da Paraíba

Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Docente do Centro de Educação da Ufal.

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