A influência da TV

 A influência da TV é uma temática constantemente abordada em sala de aula. Abaixo reproduzo uma texto da Revista Mundo Jovem, assim como apresento uma proposta de atividade sobre o texto.
Na frente da TV
“Quando estou em casa, sozinha, sempre ligo a TV. Ela acaba com a minha solidão.
É quase uma companhia. E eu tiro proveito disso. Quando minha família está em casa e a TV está ligada, nem precisa ter assunto. Mas, sei que a televisão não pode substituir a presença de uma pessoa”. Assim me falou a dona de casa Lúcia Silva, de 30 anos, moradora de um bairro de Goiânia.


Com um simples apertar de botão, a tela da TV ilumina um ambiente e toma o com tamanha eficiência, que acaba nos seduzindo e, não poucas vezes, nos prendendo diante dela. E prende não só as crianças ou adolescentes, mas às vezes toda a família, como revelou dona Lúcia.
Assim, a TV passa a ocupar e marcar a vida de muitas famílias.
Frente a um cotidiano tomado pela luta pela sobrevivência, nas famílias mais pobres os pais não dispõem de tempo para brincar, contar estórias, jogar bola, passear, conviver com os filhos. Muitos saem para trabalhar na madrugada e só voltam para casa tarde da noite, quando os filhos já estão dormindo.
Por outras opções e circunstâncias, os pais de famílias ricas também não têm tempo para conviver com os filhos.
Vemos, assim, que a família não encontra mais tempo para ficar junta, para desfrutar, “curtir” a presença uns dos outros. E quando o tempo sobra, todos param, calados, diante da televisão: “nem precisa ter assunto”… Na correria do dia-a-dia, aos poucos as crianças perdem os referenciais, quando o espaço familiar de convivência é substituído pela televisão.
Outras que já nascem nessa roda-viva, sequer chegam a adquirir referências dessa natureza.
A força da rede

Ninguém mais duvida de que a televisão é um veículo poderoso e em expansão.
Dentro dos meios de comunicação social, a TV perde para o rádio em termos de audiência. A cada dia, este grandioso veículo da comunicação investe mais em tecnologia e qualidade: TV a cabo, TV de alta definição, sistemas de filmagem usados no cinema transpostos para a televisão, dando cada vez mais beleza e qualidade às imagens que vemos.
Aperfeiçoa-se não apenas do ponto de vista tecnológico: veja as refinadas produções dos senados, novelas, programas científicos ou de entretenimento. A força que a televisão tem para mobilizar, encantar e informar
as massas é inquestionável. Ela oportuniza diversão acessível para muitas famílias que, geográfica ou economicamente, estão isoladas.
Não podemos negar a importância da televisão. Ela tornou-se, para muitos, o único canal de acesso ao conhecimento.
Estruturada em redes, a TV integrou diferentes nações do planeta, trazendo e levando notícias. As mais diferenciadas imagens dilatam as nossas pupilas, ora por causa da beleza, ora por causa da violência. A morte e a vida causando-nos espanto e emoção.
Pela TV, a realidade mundial se aproxima de nós e entra em nossas casas, através das imagens, dos sons, das músicas e dos textos falados nos diferentes programas. Assim, vamos nos inteirando de fatos desconhecidos e ampliando conhecimentos ainda em construção.
E, se não tomamos alguns cuidados, a TV acaba sendo um veículo invasor que chega sem pedir licença e vai até onde não queremos.
Não se pode subestimar a força ideológica das grandes redes de televisão, como nos chama a atenção Martín-Barbero: “A televisão não nos afeta só quando estamos olhando para ela. (…) A maior influência da televisão não se produz através do tempo material que lhe dedicamos, mas através do imaginário que ela gera e pelo qual estamos sendo penetrados”.
Atualmente, os pais não conseguem ser uma presença junto aos filhos, capaz de gerar valores. Talvez por isso fiquem tão aflitos e reclamem tanto que os filhos fiquem expostos à apologia do consumismo, da violência e a outros duvidosos valores que a TV veicula.
Portanto, apresenta-se um desafio para as famílias: como ajudar crianças e adolescentes a receberem criticamente o que a TV veicula? Como ajudá-las a ter critérios para selecionar o que assistir?
Como primeira educadora, formadora de valores, a família tem de continuar exercendo o seu papel, em qualquer contingência em que esteja inserida.
Se não assume esse papel, ela vai perdendo sua identidade formadora e, conseqüentemente, comprometendo a integridade moral e o equilíbrio afetivo das futuras gerações.
Na infância, a pessoa absorve certos valores que só a família, enquanto grupo, pode dar. Estes valores serão
determinantes para aprenderem a viver em grupo no conjunto da sociedade.
Nenhum outro grupo social ou veículo formador pode substituir o que é próprio da família.
À família cabe o papel de geradora de alguns dos “filtros” ou “óculos” pelos quais a criança, o adolescente, o jovem e o futuro adulto enxergará o mundo. Através destes “óculos” é que a pessoa distingue o bom e o ruim em tudo o que recebe, inclusive a programação da TV.
Por Rezende Bruno de Avelar, Psicopedagogo.
Fonte: Revista Mundo Jovem
ATIVIDADES (Retiradas do Programa de Sociologia da Secr. de Educação do Estado do RJ)

1- Fazer uma lista de três aspectos positivos e três aspectos negativos de tudo o que é visto na
TV. Esses elementos infl uenciam o nosso jeito de ser?
2- Quais as maiores infl uências da TV na vida do jovem? A TV já infl uenciou você pessoalmente
em algo (roupa, calçado, comida, gíria, vocabulário, idéias, músicas, comportamento etc.)?
3- Há diferença entre narrar e analisar fatos? Normalmente as pessoas analisam ou apenas
repetem o que assistem na TV?
Cristiano Bodart Bodart

Graduado em Ciências Sociais, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo/USP.

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