Em defesa das análises das Ciências Sociais

Em defesa das análises das Ciências Sociais

A abordagem das ciências sociais

Por Francisco Robert Bandeira Gomes da Silva

 

É importante esclarecer que as ciências sociais, quando conduzidas com honestidade, encontra diversos padrões de comportamentos da sociedade, isto é, elas não têm a intenção de criar/produzir os seus “achados”, os seus resultados. Com isso, o (a) cientista social, na busca da objetividade científica (que impossivelmente é plena ou a de um laboratório, a exemplo das Ciências Exatas) realiza uma descrição da sociedade, em particular, no que se refere aos seus objetos estudos.

Francisco Robert Bandeira Gomes da Silva

Vejamos um exemplo: O pensador italiano nascido em Florença, Nicolau Maquiavel após escrever “O Príncipe” foi adjetivado de “maquiavélico”, o que suscita uma questão: será que esse adjetivo é atributo justo ao florentino? Não! O que Maquiavel fez foi expor as vaidades daqueles que governavam, isto é, expôs um padrão de como se comportavam os que tratavam da política naquela época. Assim, “maquiavélico” foi utilizado como se o referido autor italiano tivesse produzido a partir de suas paixões um comportamento nada cristão dos governantes. Os fatos históricos são testemunhas do realismo de Maquiavel.

Outro exemplo: Weber atribuiu o termo “desencantamento do mundo” para demonstrar a racionalização do papel das análises nas Ciências Sociais. De acordo com Pierucci (2003, p. 7), no livro “O desencantamento do mundo”, o termo cunhado por Weber, “em sentido estrito se refere ao mundo da magia e quer dizer literalmente: tirar o feitiço, desfazer um sacrilégio, escapar da praga rogada, derrubar um tabu, em suma quebrar o encanto”. Isto é, quando os (as) cientistas sociais analisam a sociedade apenas demonstram os padrões existentes, o que muitas vezes contraria as verdades construídas por aqueles que dominam a produção do “imparcial”, do encantado.

Os resultados encontrados por meio das Ciências Sociais desencantam o mundo, como afirma Max Weber, em alguns casos, contrariam as paixões do (a) pesquisador (a). Assim, a medida do possível, as paixões devem ser abandonadas durante as investigações. Pois não podemos esquecer o que nos ensinam Debord (1991) e Balandier, respectivamente, a sociedade é um espetáculo, cujo o governo é uma teatrocracia, a política real está restrita aos bastidores, no palco tudo é espetacular.

As pesquisas realizadas por meio das Ciências Sociais auxiliam no entendimento da sociedade, podem, ainda, servirem de instrumentos críticos para se enxergar a(s) realidade(s), para perceber-se que a “imparcialidade” não existe, que tudo é parcial, no qual advém dos desejos privados de determinados grupos sociais, que se propagam na sociedade como algo “universal”.

Referências

BALANDIER, Georges. O poder em cena. Brasília: EdUnB, 1982.

DEBORD, Guy. A sociedade do espectáculo. 1991. Disponível em: <http://www.academia.edu/download/32300914/A_sociedade_do_espetaculo.pdf>. Acesso em: 11.abr.2018.

PIERUCCI, PIERUCCI, Antônio Flávio. O desencantamento do mundo. Editora 34, 2003.

 

*Cientista Social. Doutorando em Sociologia (UECE). Professor da Faculdade Estácio de Teresina.

Roniel Sampaio Silva

Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais. Professor do Programa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Floriano. Dedica-se a pesquisas sobre condições de trabalho docente e desenvolve projetos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias.

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