Quase não notamos a sutileza de muitas coisa e atividades que são sexualizadas, as quais marcam uma oposição camuflada entre masculino e feminino, como as noções de em cima/embaixo, frente/atrás, seco/úmido, quente/frio. Ao homem desejoso por sexo se diz: “você está pegando fogo”; à mulher, ao contrário, se diz que têm a capacidade de “apagar o fogo”, indicando quase sempre servidão ao homem, ou ainda “você está toda molhada”, como se lubrificação fosse de exclusividade das mulheres, embora a tenha com maior intensidade. Expressões como “ativo” e “passivo” está igualmente relacionada a dominação masculina, assim como por cima e por baixo. Ainda que em um relacionamento homoafetivo, o passivo será aquele que está em condição feminina. A ideia de possuir está associada ao masculino, assim como a ideia de poder e de tomar para si. Nas relações sociais em nossa machista sociedade, cabe ao homem possuir e a mulher jogar o jogo de se deixar ou não ser possuída. O ato sexual é visto, para os que estão em condições masculinas, como “conquista” e dentre as pessoas em condições femininas como “possuída”; por isso as comuns e horríveis expressões: “dar” e “pegar”..
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*Texto publicado originalmente no Jornal “Correio Regional”, em 08 de Março de 2013, p.2. (jornal impresso)





Seu texto me deixou feliz. É muito bom ver homens bons pensando, escrevendo ou verbalizando sobre atitudes que temos, mas não deveríamos. A autocrítica é algo que tem nos faltado como sociedade. Obrigada.