Quilombismo
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Quilombismo: Abdias Nascimento contra o racismo

Por Cristiano das Neves Bodart

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Quilombismo é o conceito criado pelo intelectual e ativista Abdias Nascimento para explicar, a partir da própria história brasileira, como é possível resistir ao racismo e construir outra forma de organizar a sociedade. Publicado originalmente em 1980, na obra O Quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista, o termo recupera a experiência dos quilombos históricos e a projeta como modelo político para o presente (Nascimento, 1980).

Se você estuda para o Enem, prepara-se para um concurso público ou está organizando uma aula sobre movimento negro e questões étnico-raciais, entender o quilombismo é essencial. O conceito aparece com frequência em provas, vestibulares e debates sobre políticas afirmativas, e conhecê-lo em profundidade ajuda a interpretar boa parte da produção intelectual negra brasileira do século XX.

Neste artigo você vai encontrar os sete pilares centrais do quilombismo, a diferença entre esse conceito e a experiência histórica dos quilombos, por que a proposta segue atual e um conjunto de perguntas frequentes sobre o tema.

Quilombismo: ilustração do conceito de Abdias Nascimento sobre resistência negra
Quilombismo: o conceito de Abdias Nascimento une resistência, autonomia e ancestralidade negra no Brasil.

1. O que é quilombismo? Origem e definição do conceito

Quilombismo é a proposta política formulada por Abdias Nascimento para reorganizar a sociedade brasileira a partir dos valores e da experiência histórica dos quilombos. Não se trata de uma teoria abstrata: nasceu da militância de Abdias no movimento pan-africanista, entre as décadas de 1960 e 1970, e foi sistematizada em conferência apresentada no primeiro Congresso de Culturas Negras das Américas, em 1980 (Nascimento, 1980).

Para compreender o conceito, é preciso primeiro rever o que Abdias entendia por quilombo. Diferentemente do senso comum, que associa a palavra apenas a pessoas escravizadas fugidas, o autor definia quilombo como reunião fraterna e livre, marcada pela solidariedade e pela convivência entre iguais (Nascimento, 1980).

Essa definição é o ponto de partida do conceito: transformar uma experiência histórica de resistência em um projeto de futuro. Pesquisas recentes da Universidade Federal de Minas Gerais, que reúne o texto original de Abdias no portal Literafro, mostram como ele desloca o quilombo de uma condição imaginada como meramente histórica para uma posição epistemológica e civilizatória, tratando-o como matriz de conhecimento e modelo de organização social e de Estado.

O conceito também é mais amplo do que muitos imaginam. Para Abdias, quilombo não se resume a comunidades remotas de pessoas fugidas: qualquer organização afro-brasileira capaz de sustentar continuidades africanas, mesmo quando tolerada pelas autoridades coloniais e imperiais, entrava nessa categoria. Irmandades leigas católicas, terreiros, afochés e escolas de samba eram, para ele, focos legítimos de resistência física e cultural.

Em poucas palavras: quilombismo é o projeto político de Abdias Nascimento que transforma a experiência histórica dos quilombos em modelo de organização social, econômica e cultural para o presente.

Vale destacar que o conceito não é sinônimo de quilombagem, termo cunhado pelo sociólogo Clóvis Moura para descrever o conjunto de estratégias de resistência escrava. Enquanto Moura descreve um fenômeno histórico e sociológico, Abdias propõe uma filosofia política voltada ao presente e ao futuro. Os dois conceitos dialogam, mas não se confundem.

Quilombos históricos: de onde vem a inspiração de Abdias Nascimento

Para entender por que Abdias escolheu justamente o quilombo como modelo, ajuda revisitar sua história. O mais conhecido deles, o Quilombo dos Palmares, existiu por quase um século no interior de Pernambuco, atual Alagoas, e chegou a reunir dezenas de milhares de pessoas em comunidades organizadas por vilas, com produção agrícola própria e sistema de defesa coletivo.

Zumbi, seu último líder, tornou-se símbolo nacional de resistência à escravidão. Sua morte, em 20 de novembro de 1695, deu origem ao Dia Nacional da Consciência Negra, data que Abdias Nascimento ajudou a consolidar décadas mais tarde, já como parlamentar.

Mas Palmares foi apenas o exemplo mais célebre. Ao longo de mais de três séculos de escravidão, centenas de mocambos e comunidades autônomas surgiram em diferentes regiões do país, cada um com sua própria organização interna. É esse repertório histórico plural, e não um único episódio isolado, que sustenta a proposta de Abdias.

A diversidade regional também importa. Além de Palmares, historiadores registram o Quilombo do Ambrósio, em Minas Gerais, os mocambos do Maranhão e as comunidades do vale do rio Ribeira, em São Paulo, cada uma com formas próprias de produção, defesa e relação com povos indígenas vizinhos. Essa pluralidade de arranjos, e não um modelo único, é o que Abdias tinha em mente ao propor os quilombos como referência.

Juridicamente, o Decreto federal nº 4.887/2003 define como remanescentes de quilombos os grupos étnico-raciais com trajetória histórica própria e presunção de ancestralidade negra relacionada à resistência à opressão sofrida. Essa definição legal, direcionada à titulação de terras, é mais restrita do que a leitura política e simbólica que Abdias propõe: para ele, ser quilombo é, antes de tudo, uma atitude coletiva de recusa à subordinação.

2. Quilombismo como sistema econômico: cooperação e autogestão

Um dos pilares menos conhecidos do quilombismo é sua dimensão econômica. Abdias observava que os quilombos históricos desenvolveram formas de produção baseadas na posse comum da terra e na cooperação, e não na exploração do trabalho alheio (Nascimento, 1980).

Ele chamava essa lógica de comunitarismo, em referência a tradições africanas de organização coletiva da vida econômica, como o ujamaa. A proposta rompe com os princípios centrais da lógica capitalista: em vez do lucro individual como fim último, o quilombismo valoriza a subsistência digna, a autonomia territorial e a distribuição justa dos recursos.

Essa ideia dialoga com práticas ainda vivas em comunidades quilombolas contemporâneas, que combinam agricultura familiar, extrativismo sustentável e associativismo. Não é coincidência: a Constituição de 1988 e o Decreto federal nº 4.887/2003 reconhecem o direito dessas comunidades ao território que ocupam, justamente por sustentarem modos de vida coletivos herdados dessa tradição, conforme detalha a Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura responsável pela certificação dessas comunidades.

Fica uma pergunta para refletir: por que um modelo econômico baseado em cooperação, pensado há séculos, ainda soa tão distante da forma como organizamos a economia hoje?

3. Crítica ao Estado-nação e a proposta de autodeterminação negra

Abdias Nascimento também dirige sua crítica ao modelo de Estado herdado da colonização. Para ele, o Estado brasileiro nasceu estruturado para excluir populações negras e indígenas, e por isso não bastaria reformá-lo: seria preciso repensar sua própria lógica de organização (Nascimento, 1980).

Em vez de um poder centralizado e hierárquico, o quilombismo propõe uma organização horizontal, inspirada em valores comunitários africanos, com autonomia territorial e participação direta das comunidades nas decisões que as afetam.

Essa crítica não é apenas teórica. Abdias defendia que o povo negro, por representar parcela expressiva da população brasileira, deveria assumir papel central na condução política do país — não como concessão, mas como exercício de autodeterminação: o direito de decidir sobre os próprios caminhos e de reconstruir a sociedade a partir de saberes e valores negros.

A tabela a seguir resume, de forma simplificada, o contraste que Abdias traça entre os dois modelos:

Estado-nação de matriz ocidentalOrganização quilombista
Poder concentrado em instituições centraisPoder distribuído entre comunidades
Hierarquia herdada do período colonialHorizontalidade e participação direta
Território definido por fronteiras administrativasTerritório definido pela ocupação tradicional
Cidadania formal, muitas vezes excludenteAutodeterminação e autonomia coletiva

Nem todos os pesquisadores concordam com a viabilidade prática desse projeto em larga escala. Cientistas políticos ponderam que substituir integralmente o Estado-nação por arranjos comunitários descentralizados esbarra em desafios concretos de coordenação, segurança jurídica e relação com outros países. Abdias, porém, nunca apresentou a proposta como um plano de governo pronto, e sim como um horizonte normativo: um parâmetro para avaliar o quanto as instituições atuais incluem ou excluem a população negra.

4. Espiritualidade de matriz africana como resistência

Outro elemento central do quilombismo é o reconhecimento da espiritualidade de matriz africana como pilar da resistência negra. Para Abdias Nascimento, o candomblé e a umbanda não são apenas expressões de fé: são formas de organização simbólica, ética e comunitária que estruturam a visão de mundo e a identidade coletiva dos povos negros (Nascimento, 1980).

Isso explica por que Abdias considerava terreiros como quilombos legalizados: espaços que, mesmo dentro da legalidade colonial e imperial, preservaram cosmovisões, línguas, saberes de cura e formas próprias de organizar a vida comunitária.

Essa dimensão espiritual continua sendo alvo de intolerância religiosa no Brasil contemporâneo. Reconhecer o papel das religiões afro-brasileiras na formação da ancestralidade africana é, portanto, também uma forma de combater esse tipo de violência simbólica.

5. Quilombismo contra o mito da democracia racial

Para Abdias, a ideia de democracia racial, muito difundida no Brasil ao longo do século XX a partir da obra de Gilberto Freyre, seria um mito que serve apenas para ocultar desigualdades reais e silenciar as vozes negras (Nascimento, 2000).

Como também apontou Kabengele Munanga (2004), essa ideologia opera como uma forma sofisticada de manutenção do racismo estrutural, ao negar sua própria existência. O mito não nega o racismo de forma explícita: ele o dissolve na ideia de que o Brasil seria naturalmente harmonioso e miscigenado, o que dificulta o reconhecimento institucional da desigualdade racial.

Ao formular o quilombismo, Abdias oferece uma resposta direta a esse mito: em vez de esperar por uma integração que nunca se completa, o povo negro deveria construir suas próprias instituições, sua própria economia e sua própria narrativa histórica, reforçando o debate já presente na formação do povo brasileiro.

6. Epistemologias negras: outro pilar do quilombismo

Outro aspecto essencial do pensamento de Abdias é a valorização das epistemologias negras: formas de conhecimento produzidas a partir das experiências históricas, espirituais e culturais dos povos africanos e da diáspora (Bodart, Moraes e Tavares, 2025).

Ele defendia que os saberes negros são legítimos por si mesmos e não precisam da validação de modelos eurocêntricos para existir com dignidade e força (Nascimento, 2000). Como observa Lélia Gonzalez (1982), é preciso romper com o racismo epistêmico que inferioriza as formas de saber não ocidentais, o que também atravessa discussões sobre raça como categoria sociológica.

Essa crítica epistemológica é indissociável da crítica à ideologia dominante: para Abdias, não basta incluir autores negros na bibliografia acadêmica. É preciso reconhecer que suas formas de produzir e transmitir conhecimento — orais, comunitárias, corporais — são tão válidas quanto o texto científico ocidental.

Na prática, isso significa tratar griots, mães e pais de santo, mestres de capoeira e lideranças comunitárias como produtores legítimos de conhecimento, ao lado de professores e pesquisadores universitários. Para o ensino de Sociologia, essa virada epistemológica também é pedagógica: convida o professor a trazer para a sala de aula vozes e fontes que normalmente ficam de fora do currículo tradicional, ampliando o repertório de referências disponível a estudantes negros e não negros.

7. Arte como resistência: o Teatro Experimental do Negro

A arte, para Abdias, também era ferramenta de resistência. Ao fundar o Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, ele buscou combater os estereótipos racistas nas artes e construir novas formas de representação da negritude com dignidade, potência e beleza.

O TEN não se limitou aos palcos. O grupo editou o jornal Quilombo, promoveu concursos de beleza negra, cursos de alfabetização e debates públicos sobre racismo, unindo produção cultural e formação política em uma mesma frente de atuação.

O teatro, nesse contexto, foi mais do que expressão cultural: foi intervenção política no campo simbólico e estético (Bodart, Moraes e Tavares, 2025). Professores que buscam aprofundar esse debate em sala de aula podem recorrer a produções audiovisuais reunidas nestas sugestões de filmes sobre questões étnico-raciais.

Abdias Nascimento e o pan-africanismo internacional

O conceito não nasceu isolado da experiência internacional de Abdias. Entre 1968 e 1981, ele viveu exilado nos Estados Unidos, onde lecionou em universidades como Buffalo e Wesleyan, aproximando-se de intelectuais e artistas do movimento negro estadunidense e africano. Foi nesse período de trocas com o pan-africanismo mundial que a proposta amadureceu.

Já como parlamentar brasileiro, participou de simpósios das Nações Unidas em apoio à independência da Namíbia e defendeu, no Senado, pautas de reparação histórica para a população afro-brasileira. Essa circulação entre Brasil, África e diáspora explica por que sua obra dialoga tanto com autores africanos quanto com pensadores negros das Américas, segundo destaca a African American Intellectual History Society, que recomenda o texto no ensino de filosofia política afro-brasileira em cursos universitários no exterior.

Essa dimensão internacional reforça um ponto importante: o quilombismo não é uma resposta apenas ao racismo brasileiro. É uma contribuição brasileira a um debate mais amplo sobre autonomia negra, colonialismo e reconstrução de Estados, compartilhado com outros países da diáspora africana.

Por que o quilombismo continua atual?

As ideias de Abdias Nascimento continuam extremamente atuais. Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, 1.327.802 pessoas se autodeclaram quilombolas no Brasil, o equivalente a 0,65% da população total, distribuídas por 1.696 municípios. Até o momento, a Fundação Cultural Palmares já certificou milhares dessas comunidades como remanescentes de quilombos, garantindo acesso a direitos territoriais e a políticas públicas específicas.

A proposta de Abdias segue viva em pelo menos quatro frentes:

  • Movimentos contemporâneos, como ocupações urbanas e coletivos culturais que recriam o espírito comunitário dos quilombos;
  • A luta por educação antirracista, que inclui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, prevista nas Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08;
  • A valorização das religiões de matriz africana, frequentemente alvo de intolerância;
  • Políticas de titulação de terras e ações afirmativas, que retomam, em outros termos, a defesa de autonomia territorial e reparação histórica que Abdias já formulava nos anos 1980.

Um exemplo concreto ajuda a visualizar essa continuidade. Quando um coletivo cultural periférico organiza uma horta comunitária, uma biblioteca popular e uma rede de apoio mútuo em um mesmo espaço, ele reproduz, quase sem perceber, o tripé que Abdias identificava nos quilombos históricos: economia compartilhada, cultura própria e proteção coletiva.

Abdias nos ensina que combater o racismo não se limita a denunciar injustiças: exige construir alternativas concretas. Sua proposta é, acima de tudo, um convite a imaginar outros mundos possíveis, nos quais liberdade, cultura negra e justiça não sejam exceções, mas a base de uma nova sociedade.

Quilombismo no Enem e em concursos

O tema aparece com frequência em provas de Sociologia, Filosofia e História, especialmente em questões sobre movimento negro, políticas afirmativas e crítica à democracia racial. Também é comum em concursos públicos que cobram Ciências Sociais ou atualidades sobre relações étnico-raciais.

Três pontos costumam ser cobrados com mais frequência:

  1. A diferença entre quilombo histórico e quilombismo enquanto filosofia política;
  2. A crítica de Abdias Nascimento ao mito da democracia racial;
  3. A relação entre esse conceito, autodeterminação e políticas de reparação histórica, como cotas raciais.

Um formato comum de questão apresenta um trecho de Nascimento (1980) e pede que o candidato reconheça, no texto, elementos do pensamento decolonial: a crítica ao Estado-nação, a valorização da ancestralidade africana ou a proposta de autodeterminação. Treinar a leitura de trechos originais, e não apenas resumos, ajuda bastante nesse tipo de questão.

Para revisar outros conceitos recorrentes em provas, vale consultar o guia completo de Sociologia para o Enem, que reúne os principais temas cobrados no exame.

Perguntas frequentes sobre quilombismo

O que significa quilombismo?

Trata-se do conceito criado por Abdias Nascimento em 1980 para descrever um projeto político que toma os quilombos históricos como modelo de organização social, econômica e cultural para o presente.

Quem criou o conceito de quilombismo?

O conceito foi formulado pelo intelectual, artista e ativista Abdias Nascimento, uma das figuras centrais do movimento negro brasileiro no século XX e fundador do Teatro Experimental do Negro.

Qual a diferença entre quilombismo e quilombagem?

Quilombagem é o termo usado pelo sociólogo Clóvis Moura para descrever as estratégias históricas de resistência de pessoas escravizadas. A proposta de Abdias Nascimento vai além: é uma filosofia política voltada à reorganização da sociedade no presente.

Quilombismo tem relação com religiões de matriz africana?

Sim. Abdias considerava candomblé e umbanda formas de organização simbólica e comunitária essenciais à resistência negra, tratando terreiros como espaços de continuidade cultural africana.

Qual é o principal livro sobre o tema?

A principal referência é O Quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista, publicado por Abdias Nascimento em 1980 e reeditado pela Fundação Cultural Palmares em 2002. A obra reúne conferências, artigos e documentos que sistematizam o conceito.

O conceito ainda é estudado hoje?

Sim. Ele é discutido em cursos de Sociologia, História e Ciências Sociais no Brasil e no exterior, além de aparecer com frequência no Enem e em concursos públicos que abordam relações étnico-raciais.

O quilombismo influencia políticas públicas atuais?

Sim, ainda que de forma indireta. Políticas de titulação de terras quilombolas, ações afirmativas e o ensino obrigatório de história afro-brasileira retomam princípios que Abdias já defendia: autonomia territorial, reparação histórica e valorização dos saberes negros.

Glossário rápido

  • Ancestralidade: vínculo simbólico e cultural com antepassados africanos, usado como fonte de identidade e pertencimento.
  • Pan-africanismo: movimento político e cultural que defende a união e a autonomia de povos africanos e da diáspora.
  • Racismo estrutural: forma de racismo enraizada nas instituições e nas relações sociais, e não apenas em atitudes individuais.
  • Epistemologias negras: formas de conhecimento produzidas a partir da experiência histórica e cultural de povos africanos e afrodescendentes.
  • Autodeterminação: direito de um grupo decidir sobre seus próprios rumos políticos, econômicos e culturais.

Considerações finais

Estudar as ideias de Abdias Nascimento ajuda a compreender que o combate ao racismo exige muito mais do que a denúncia de violências explícitas. Ele demanda a transformação das estruturas sociais, políticas, simbólicas e epistemológicas que sustentam privilégios historicamente construídos (Bento, 2002).

O quilombismo é, nesse sentido, um projeto de afirmação da identidade negra e de reconstrução coletiva do Brasil a partir de valores africanos e afro-brasileiros. Assim como os quilombos do passado foram territórios de resistência, ele convida a construir, no presente, um futuro mais justo, plural e descolonizado.

Referências

BENTO, Maria Aparecida Silva. Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público. São Paulo: CEERT, 2002.

BODART, Cristiano das Neves; MORAES, Fabio Monteiro de; TAVARES, Caio dos Santos. Questões étnico-raciais nas aulas de Sociologia. Maceió: Editora Café com Sociologia, 2025.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Lugar de negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982. p. 77-85.

MOURA, Clóvis. Quilombos: resistência ao escravismo. São Paulo: Ática, 1987.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 2004.

NASCIMENTO, Abdias. O Quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista. São Paulo: Editora Perspectiva, 1980.

NASCIMENTO, Abdias. Africânia: o afrocentrismo na formação da identidade nacional. São Paulo: SENAC, 2000.

Atividades

A partir da leitura do texto, explique com suas próprias palavras os seguintes conceitos apresentados por Abdias Nascimento:

  1. Quilombismo;
  2. Epistemologias negras.

Reflita sobre esta pergunta-problema: “O que o Estado brasileiro poderia aprender com os princípios do quilombismo formulados por Abdias Nascimento?”

Elabore um texto breve (até 10 linhas) articulando elementos do texto lido com sua análise sobre democracia, desigualdades raciais, economia solidária, religião, cultura e participação política.

Como citar este texto:

BODART, Cristiano das Neves. Quilombismo: Abdias Nascimento contra o racismo. Blog Café com Sociologia, jun. 2025. Disponível em: https://cafecomsociologia.com/quilombismo-abdias-nascimento-contra-o-racismo/

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Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Centro de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Pesquisador do tema "ensino de Sociologia". Autor de livros e artigos científicos.

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