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Em defesa das regras do jogo: punir, não punir e como punir alunos rebeldes.

Por Cristiano Bodart
Em uma escola do interior do sul do estado do Espírito Santo a professora puniu um aluno por não levar o livro didático para a aula. Punição: repetir 100 vezes a mesma frase, de que ela não pode esquecer de levar o livro para escola” (Reportagem do Jornal Local).

 

Aplicar sanções aos alunos que não cumprem as normas básicas da escola é fundamental para não se estabelecer um estado de anomia, situação marcada pela sensação de que não existem normas de convivência social e que tudo pode ser praticado. Por outro lado, normas ou punições injustas e desproporcionais podem tem um impacto contrário sobre a convivência social, além de ferir a integridade moral ou física do aluno.

As normas existem para proporcionar condições mínimas de funcionamento da interação social. Mas existem dois problemas muito comuns ligados as normas: 1. Não serem criadas de forma participativa, sendo impostas de cima para baixo; 2. Não existir, junto a norma, uma sanção clara e aplicável à todos, o que também deve ser definido de forma participativa junto à comunidade (nunca no improviso). Antes de aplicar alguma sanção ao educando é importante que o corpo técnico-pedagógico da escola observe esses dois pontos.Normas construídas de forma participativa são mais observadas pelos envolvidos, assim como as punições estabelecidas serão mais facilmente aceitas por todos, além da legitimidade social que o corpo técnico-pedagógico terá.

No caso da criança que teria sido obrigada a reproduzir frases em escola da região, fica bem claro as condições das normas escolares: improviso, impopularidade, desproporcionalidade. Ainda que tal punição tivesse resultados educativos, do ponto de vista moral e ético, me parece ser inaceitável. Escrever frases de forma repetitiva me parece desproporcional ao erro de deixar de fazer a atividade, além de ser pouco educativa. Repetir ações dão resultados, mas não sem objetivos e metas, como no caso de punições aos alunos. Pelo contrário, isso pode leva-lo a detestar os estudos.

A escola, enquanto instituição, vive um momento de crise, fruto do princípio de anomia que se estabelece já no lar dos educandos. Estes acostumados a não obedecer as normas acabam fazendo o mesmo no espaço escolar. A escola, por sua vez, marcada por resquícios da ditadura militar, impõe normas e punições sem participação social, e marcadas por improvisos, onde as penas não são claras e universais, além de desproporcionais às faltas. Consequentemente, acorrem essas aberrações que vemos por ai…

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