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Capa do Post"O que é secularização", escrito por Roniel Sampaio-Silva para o portal Café com Sociologia.

Secularização: O Que É, Causas e Dados do Censo 2022

O que é secularização? Em poucas palavras, é o processo histórico e social pelo qual a religião perde espaço nas leis, no Estado, na ciência e na vida cotidiana de uma sociedade. O termo explica por que hospitais, escolas e tribunais deixaram de responder a autoridades religiosas e passaram a seguir regras próprias, baseadas na razão e na lei civil.

Para quem estuda para o ENEM, para o vestibular ou para um concurso público, entender esse processo é útil. O tema aparece em questões sobre modernidade, Estado laico, Max Weber e mudanças no perfil religioso do Brasil. Também ajuda a interpretar debates atuais sobre religião e política.

Este texto reúne a definição do conceito, sua origem histórica, as principais teorias sociológicas sobre o tema, dados do Censo 2022 do IBGE e exemplos práticos do cotidiano. Ao final, você encontra respostas para as dúvidas mais comuns sobre o assunto.

A leitura serve tanto para quem precisa de uma definição rápida quanto para quem vai escrever uma redação ou responder a uma questão dissertativa. Cada seção pode ser lida de forma independente, usando o sumário abaixo.

o que é secularização: transição do templo religioso para as instituições civis
Da autoridade religiosa às instituições civis: a secularização redefine o lugar da religião na sociedade moderna.

O que é secularização

Secularização é o processo histórico pelo qual instituições, leis e práticas sociais deixam de se basear em preceitos religiosos e passam a seguir critérios racionais, científicos ou civis. O termo vem do latim saeculum, que significa “século” ou “mundo”, em oposição ao que é eterno ou sagrado.

Na prática, a secularização aparece quando o Estado deixa de exigir uma religião oficial, quando a ciência substitui explicações religiosas sobre fenômenos naturais ou quando o casamento civil se torna independente do casamento religioso. O processo não elimina a religião da sociedade. Ele redefine o lugar que ela ocupa.

Em resumo: secularização é a perda de centralidade da religião nas instituições públicas (Estado, direito, ciência, educação). Não significa, necessariamente, o fim da fé individual.

É comum confundir secularização com ateísmo, mas os dois termos não significam a mesma coisa. Uma pessoa religiosa pode viver em uma sociedade secularizada, assim como um Estado laico pode conviver com uma população majoritariamente crente, como acontece no Brasil.

Origem histórica do conceito

Do latim saeculum ao direito canônico

O termo surgiu ainda na Idade Média, no vocabulário jurídico da Igreja Católica. Ele designava a transferência de bens eclesiásticos, como mosteiros e terras, para uso civil. No século XVI, esse sentido jurídico começou a se espalhar para outras áreas da vida social, acompanhando a Reforma Protestante e a fragmentação da autoridade religiosa na Europa.

No século XIX, o termo ganhou um novo significado. Passou a nomear movimentos políticos que defendiam a separação entre religião e Estado, sobretudo na França e na Inglaterra. Foi nesse contexto que a palavra chegou às ciências sociais que estavam nascendo.

A secularização e o nascimento da sociologia

A sociologia nasceu no século XIX em meio a esse processo. A origem da sociologia está ligada à necessidade de explicar a ordem social sem recorrer a explicações religiosas, um esforço que caracterizou pensadores como Auguste Comte, Karl Marx e Émile Durkheim.

Comte descreveu essa mudança em três estágios: o teológico, em que fenômenos naturais e sociais eram explicados por vontade divina; o metafísico, em que entidades abstratas ocupavam o lugar dos deuses; e o positivo, baseado em leis científicas observáveis. Para Comte, cada ciência passava por essas três fases em momentos diferentes, e a sociologia seria a última a completar essa trajetória.

Essa leitura, mesmo com suas limitações, ajuda a entender por que a sociologia surgiu como disciplina comprometida com explicações racionais para os fenômenos sociais, e não mais com explicações de origem religiosa ou filosófica abstrata.

Max Weber e o desencantamento do mundo

Racionalização e desencantamento do mundo

Max Weber tratou a secularização como parte de um processo mais amplo: a racionalização do Ocidente. Para ele, a modernidade substitui explicações mágicas e religiosas por cálculo, previsibilidade e leis formais. Weber chamou esse movimento de desencantamento do mundo (Entzauberung der Welt).

Segundo o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, um dos principais intérpretes brasileiros de Weber, esse processo não era, para o autor alemão, uma previsão sobre o futuro. Era um processo social já observado em sua época, no qual a religião havia perdido parte do valor cultural que teve no passado.

Ética protestante e espírito do capitalismo

Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber mostra como valores religiosos, como a disciplina e o trabalho entendido como vocação, ajudaram a construir o capitalismo moderno. Esse mesmo processo, de forma paradoxal, abriu caminho para uma economia cada vez mais desligada da religião que ajudou a originá-la.

Essa leitura de Weber se conecta a outros conceitos centrais de sua obra, como o tipo ideal e os tipos de dominação. Eles ajudam a entender como o poder racional-legal, típico dos Estados modernos, substituiu formas de poder ligadas à tradição e à autoridade religiosa.

Durkheim e a religião como fato social

Émile Durkheim seguiu um caminho diferente do de Weber. Em vez de descrever o declínio da religião, ele investigou por que ela existe em praticamente todas as sociedades humanas. Para Durkheim, a religião é um fato social: algo exterior ao indivíduo, capaz de moldar seu comportamento e de garantir coesão ao grupo.

Em As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912), Durkheim argumenta que aquilo que a religião celebra, no fundo, é a própria sociedade. Os rituais reforçam laços coletivos e reafirmam valores compartilhados. Quando esses rituais perdem força, como ocorre em parte do mundo moderno, a coesão social precisa encontrar outras fontes, como o direito, a escola e o trabalho.

Essa leitura ajuda a entender por que sociedades muito secularizadas, do ponto de vista institucional, ainda produzem rituais civis com função parecida à religiosa: formaturas, desfiles cívicos, hinos e datas comemorativas. São substitutos funcionais do sagrado, adaptados a um mundo que já não organiza sua vida coletiva em torno de um templo.

Para conhecer melhor esse tipo de análise, vale revisitar o conceito de anomia em Durkheim, que descreve o que acontece quando normas sociais, incluindo as religiosas, perdem a força de regular a vida coletiva. Uma visão panorâmica dos principais nomes da área está reunida em clássicos da sociologia, útil para quem quer situar Durkheim ao lado de Marx, Weber e Comte.

Outras teorias sobre secularização

Depois de Weber e Durkheim, outros autores revisaram, questionaram e ampliaram essa teoria. Três nomes se destacam nesse debate mais recente: Peter Berger, José Casanova e Charles Taylor.

Peter Berger e o dossel sagrado

Peter Berger definiu secularização, em sua obra O Dossel Sagrado (1985), como o processo pelo qual setores da sociedade e da cultura deixam de ser controlados por instituições religiosas. Anos depois, porém, o próprio Berger revisou essa tese. Em 2000, afirmou que boa parte do mundo continua fortemente religiosa e propôs o conceito de dessecularização para descrever esse movimento inverso.

José Casanova e as três dimensões do conceito

José Casanova, em 2007, argumentou que a secularização não ocorre da mesma forma em todas as sociedades. Ele identificou três sentidos possíveis para o termo: queda das crenças e práticas religiosas, privatização da religião e emancipação de esferas como Estado, economia e ciência em relação à religião. Um país pode viver apenas uma dessas dimensões, e não as outras.

Charles Taylor e a era secular

Charles Taylor, em Uma Era Secular (2010), divide a secularidade em três camadas. A primeira é o esvaziamento religioso dos espaços públicos. A segunda é a queda da fé e da prática religiosa individual. A terceira, que mais interessa a Taylor, é a mudança nas condições de crença: hoje, mesmo quem é religioso escolhe sua fé em meio a várias opções, algo raro em sociedades tradicionais.

Para quem quiser se aprofundar no debate acadêmico entre esses autores, um bom ponto de partida é o artigo O conceito de secularização e a teoria sociológica, apresentado na Jornada Brasileira de Sociologia da Universidade Federal de Pelotas, que revisa em detalhe as posições de Weber, Berger, Casanova e Taylor.

Secularização, laicidade e secularismo: qual a diferença

Os três termos aparecem juntos com frequência, mas cada um tem um sentido específico. Confundi-los é um erro comum em provas de sociologia.

TermoO que significaExemplo
SecularizaçãoProcesso histórico de perda de centralidade da religião nas instituiçõesA ciência substitui explicações religiosas sobre doenças
LaicidadePrincípio jurídico que garante a neutralidade religiosa do EstadoA Constituição de 1988 não estabelece religião oficial no Brasil
SecularismoPostura política que defende ativamente a separação entre religião e EstadoMovimentos que pedem o fim do ensino religioso em escolas públicas

No Brasil, a laicidade formal remonta à Constituição de 1891, primeira Carta republicana, que separou oficialmente Igreja e Estado depois de décadas de catolicismo como religião oficial do Império. A Constituição de 1988 manteve esse princípio, garantindo liberdade de culto e vedando ao poder público manter dependência ou aliança com qualquer igreja.

Na prática, um país pode ser juridicamente laico e, ao mesmo tempo, pouco secularizado em termos culturais. É exatamente o que os dados brasileiros mostram a seguir.

Secularização no Brasil: dados do Censo 2022

O Brasil é um caso interessante para pensar secularização. A Constituição de 1988 garante um Estado laico, mas a religião segue muito presente na vida pública, na política e na cultura popular. Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE em parceria com a Agência Gov, ajudam a entender esse cenário em números.

Grupo religioso20102022
Católicos65,1%56,7%
Evangélicos21,6%26,9%
Sem religião7,9%9,3%
Espíritas2,2%1,8%
Umbanda e candomblé0,3%1,0%

Os dados mostram um Brasil mais plural, mas não necessariamente mais secularizado no sentido weberiano. O grupo sem religião cresceu, porém o grupo evangélico cresceu ainda mais, e a religião continua central na política brasileira, na programação de rádio e televisão e nas redes sociais.

Há também diferenças regionais relevantes. A Região Sudeste concentra a maior proporção de pessoas sem religião do país, com 10,5%. Já o Piauí registra o menor índice entre os estados, com apenas 4,3%, o que reforça como esse processo não avança no mesmo ritmo em todo o território nacional.

O recorte por idade também chama atenção. A proporção de pessoas sem religião é maior entre jovens de 20 a 24 anos, chegando a 14,3% desse grupo, e menor entre pessoas com 80 anos ou mais, apenas 4,1%. Esse padrão sugere que o afastamento institucional da religião tende a se concentrar nas gerações mais novas, algo relevante para discutir em sala de aula com estudantes do ensino médio.

Causas da secularização

Nenhuma dessas causas age sozinha. Elas se combinam de formas distintas em cada sociedade, o que explica por que esse processo avança em ritmos diferentes ao redor do mundo.

  1. Racionalização científica: a ciência passou a explicar fenômenos antes atribuídos a forças divinas, da origem das doenças ao funcionamento do universo.
  2. Industrialização e urbanização: a vida nas cidades enfraqueceu laços comunitários tradicionais, muitos deles organizados em torno da paróquia ou do templo.
  3. Diferenciação institucional: Estado, economia, educação e saúde se tornaram esferas autônomas, cada uma seguindo suas próprias regras técnicas.
  4. Pluralismo religioso: o contato entre diferentes tradições de fé relativizou a ideia de que existe apenas uma verdade religiosa válida para todos.
  5. Expansão do ensino formal: o acesso à educação científica reduziu, ao longo de gerações, o peso das explicações religiosas no cotidiano.

Vale notar que essas causas nem sempre caminham juntas. Um país pode ter alta escolaridade e, ainda assim, manter forte adesão religiosa, como mostram pesquisas sobre os Estados Unidos. A relação entre ciência e fé não é automática nem previsível em todos os contextos.

Já sociedades com industrialização tardia, como partes do Brasil, podem apresentar secularização institucional, ou seja, leis, currículos e serviços públicos organizados sem base religiosa, sem que isso reduza, na mesma proporção, a fé das pessoas comuns. Essa combinação variável é um dos motivos pelos quais sociólogos evitam tratar o conceito como uma linha reta, sempre na mesma direção.

Exemplos de secularização

Alguns exemplos ajudam a tornar o conceito mais concreto, especialmente para quem está se preparando para uma prova de sociologia.

  • Casamento civil que existe de forma independente do casamento religioso.
  • Currículo escolar de ciências baseado em evidências, não em dogmas religiosos.
  • Hospitais públicos que seguem protocolos médicos, não rituais de cura religiosa.
  • Leis civis que valem para todos, sem exigir justificativa religiosa.
  • Calendário cívico com feriados que hoje têm sentido comercial ou cultural, além do religioso.
  • Concursos e editais públicos que não podem exigir filiação religiosa dos candidatos.
  • Registro civil de nascimento e óbito conduzido por cartórios, sem exigência de batismo ou rito religioso prévio.

Ao mesmo tempo, o Brasil mostra contraexemplos importantes: a presença de uma bancada religiosa expressiva no Congresso Nacional, o crescimento de emissoras de rádio e TV ligadas a igrejas e o peso de pautas religiosas em eleições municipais e estaduais. Isso não contradiz a teoria sociológica. Apenas confirma que o processo é desigual entre esferas: forte no direito civil, mais fraco na comunicação e na política eleitoral.

Críticas à teoria da secularização

A tese da dessecularização

A principal crítica à teoria clássica da secularização vem do crescimento de movimentos religiosos em várias partes do mundo, sobretudo pentecostais e evangélicos. No Brasil, os dados do Censo 2022 confirmam esse padrão: enquanto o catolicismo caiu, o campo evangélico segue em expansão, mesmo com desaceleração no ritmo de crescimento.

O viés eurocêntrico

Outra crítica aponta que essa teoria foi formulada a partir da experiência europeia, marcada pela retração das igrejas cristãs históricas. Na América Latina, e em especial no Brasil, a religião segue atuando com força na educação, na saúde comunitária e na assistência social, o que leva pesquisadoras como Paula Montero a questionar se o modelo weberiano ainda explica bem essa realidade.

A antropóloga também observa que a presença de igrejas em áreas como rádio, televisão e política não é, necessariamente, um sinal de menos racionalização. Pode ser, ao contrário, uma prova de que grupos religiosos aprenderam a jogar segundo as regras da esfera pública moderna, disputando espaço com os mesmos instrumentos usados por partidos e empresas.

Essas críticas não invalidam o conceito. Elas mostram que esse é um processo desigual, que pode avançar em uma esfera da vida social e recuar em outra, dentro da mesma sociedade.

Secularização no ENEM e em concursos

O ENEM e diversos concursos públicos cobram secularização dentro de temas maiores, como modernidade, racionalização e Estado laico. Raramente a palavra aparece isolada no enunciado. Ela costuma vir associada a um texto de apoio sobre religião, ciência ou política.

Um formato comum de questão apresenta um trecho sobre a separação entre Igreja e Estado, ou sobre a queda na frequência a cultos religiosos, e pede que o candidato identifique o conceito sociológico envolvido. Nesses casos, a banca costuma oferecer alternativas com termos parecidos, como laicidade, dessecularização ou secularismo, justamente para testar se o estudante sabe diferenciar cada um.

Dica de prova: ao ler uma questão sobre secularização, procure identificar qual esfera social está em jogo (Estado, ciência, educação ou economia) e se o texto trata de perda de influência religiosa nas instituições ou de queda da fé individual. As bancas costumam cobrar exatamente essa diferença.

Vale também conhecer a relação entre secularização e modernidade, tema recorrente em provas que pedem a comparação entre sociedades tradicionais e sociedades modernas.

Dicas para o ensino de sociologia

Para professores da educação básica, o tema costuma render boas aulas justamente porque parte de algo próximo dos estudantes: os feriados, o casamento civil dos pais ou parentes, ou a diferença entre uma escola confessional e uma escola pública.

Uma atividade simples é pedir que a turma liste instituições presentes no bairro (escola, posto de saúde, cartório, igreja, associação de moradores) e classifique cada uma como predominantemente religiosa, predominantemente civil ou mista. O exercício costuma revelar que a fronteira entre religião e Estado, na prática, é menos nítida do que os livros didáticos sugerem.

Outra estratégia eficaz é comparar dois trechos de texto, um weberiano e outro de Berger sobre dessecularização, e pedir que os alunos identifiquem qual argumento se aplica melhor à realidade da própria cidade. Isso aproxima a teoria clássica de um exercício de observação social concreta.

Perguntas frequentes sobre secularização

Secularização é o mesmo que ateísmo?

Não. Secularização descreve a perda de influência da religião nas instituições públicas. Ateísmo é a ausência de crença em divindades. Uma sociedade secularizada pode ter maioria de população religiosa, como ocorre no Brasil.

Qual a diferença entre secularização e laicidade?

Secularização é um processo histórico e social. Laicidade é um princípio jurídico que impede o Estado de adotar religião oficial. Um Estado laico não é, necessariamente, uma sociedade totalmente secularizada.

O Brasil é um país secularizado?

O Brasil é juridicamente laico desde a Constituição de 1891, reafirmada em 1988. No entanto, a religião mantém forte presença na política e na cultura, o que faz muitos sociólogos considerarem o país apenas parcialmente secularizado.

Quem criou o conceito de secularização na sociologia?

Max Weber é o autor de referência clássica para o conceito, ao descrever o desencantamento do mundo. O termo, porém, já existia antes, no vocabulário jurídico da Igreja Católica, com outro sentido.

O que é dessecularização?

É o termo proposto por Peter Berger para descrever o fortalecimento de movimentos religiosos em diversas partes do mundo, em contraste com a previsão clássica de declínio contínuo da religião.

Por que a secularização é importante para a sociologia?

Porque ajuda a explicar como o Estado, a ciência e o direito se tornaram esferas autônomas na sociedade moderna, um dos temas centrais para entender a diferença entre sociedades tradicionais e sociedades contemporâneas.

Esse processo acaba com a religião?

Não. A maioria dos sociólogos contemporâneos rejeita a ideia de que a religião vai desaparecer. O que muda é o lugar que ela ocupa: de fonte única de legitimação para as leis e as instituições, ela passa a ser uma entre várias opções de sentido disponíveis na vida das pessoas.

A globalização acelera ou freia esse processo?

Depende da região. Em partes da Europa Ocidental, a globalização coincidiu com queda na prática religiosa. Em outras regiões, incluindo o Brasil, ela também facilitou a expansão de igrejas pentecostais por meio de mídia, redes sociais e migração, o que fortaleceu, e não enfraqueceu, a presença religiosa pública.

Considerações finais

Secularização não é um caminho único nem definitivo. É um processo que avança, recua e assume formas diferentes conforme a sociedade, a região e o momento histórico. O Brasil ilustra bem essa complexidade: laico por lei, mas ainda profundamente marcado pela presença religiosa na vida pública.

Para quem estuda sociologia, o mais importante é evitar a leitura simplista de que “mais moderno” significa, automaticamente, “menos religioso”. Os dados do Censo 2022 mostram um país mais plural, não necessariamente mais distante da fé.

Entender essa diferença é o que separa uma resposta decorada de uma resposta bem fundamentada em uma prova ou em uma discussão de sala de aula. Vale a pena revisar os autores citados aqui, Weber, Durkheim, Berger, Casanova e Taylor, sempre que o tema voltar a aparecer em um novo contexto, seja uma notícia, seja um enunciado de vestibular.

Roniel Sampaio Silva

Doutorando em Educação, Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais e Pedagogia. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Teresina Zona Sul.

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