Imagem com o título Sociologia da favela, apresentando uma foto do autor Roniel Sampaio-Silva, o endereço cafecomsociologia.com e o logotipo de uma xícara de café sobre dois livros.
Capa do tema "Sociologia da favela" apresentado por Roniel Sampaio-Silva para o portal Café com Sociologia.

Sociologia da Favela: Conceitos, Autores e 5 Dados Atuais

A sociologia da favela investiga como a pobreza urbana se organiza no espaço, como o Estado trata os territórios populares e como esses lugares produzem suas próprias formas de vida coletiva. O tema atravessa mais de um século de debate no Brasil e segue central para entender desigualdade, segregação e cidadania nas grandes cidades.

Este guia reúne os principais conceitos, autores e dados sobre a sociologia da favela, da origem do termo às pesquisas mais recentes do IBGE. A proposta é servir de referência para professores, estudantes de licenciatura, candidatos a concursos e qualquer leitor interessado em entender por que a favela continua sendo um dos temas mais estudados nas ciências sociais brasileiras.

Sociologia da favela: ilustração de uma comunidade urbana brasileira
A sociologia da favela estuda a formação, a organização social e as desigualdades territoriais das comunidades urbanas no Brasil.

O que é a sociologia da favela?

A sociologia da favela é o campo da sociologia urbana dedicado a estudar a formação, a organização social e as representações construídas em torno das favelas brasileiras. Ela pergunta como esses territórios surgem, quem neles vive, que relações de poder os atravessam e como o restante da cidade os enxerga.

O termo favela nem sempre foi usado pelas instituições oficiais. Entre 1991 e 2022, o IBGE adotou a expressão “aglomerado subnormal” para classificar esses territórios em seus censos. A partir de 2024, o instituto voltou a usar “favela”, combinada com “comunidade urbana”, depois de consultas a movimentos sociais e pesquisadores da área.

Essa mudança de nomenclatura não é um detalhe burocrático. Nesse campo de estudo, a forma como um território é nomeado revela disputas simbólicas: quem tem autoridade para descrever a favela, que imagem essa descrição projeta e que efeitos práticos ela produz sobre política pública, policiamento e acesso a direitos.

Como campo de estudo, essa área da sociologia reúne diferentes tradições teóricas. Parte dela dialoga com a ecologia urbana da Escola de Chicago, parte com a sociologia da violência, parte com estudos sobre raça, trabalho informal e cultura popular. O que une essas abordagens é o interesse por um tipo de território que, apesar de abrigar milhões de brasileiros, segue tratado como exceção à cidade “normal”.

Para lembrar: desde 2024, o IBGE usa oficialmente o termo “Favelas e Comunidades Urbanas”, encerrando mais de trinta anos de uso da expressão “aglomerado subnormal” nos censos brasileiros.

Origem do conceito de favela no Brasil

Entender a origem da palavra favela é o primeiro passo de qualquer estudo sério sobre sociologia da favela. A história do termo começa no final do século XIX e está diretamente ligada à Guerra de Canudos.

Do Morro da Favela ao imaginário urbano

Depois da destruição de Canudos, em 1897, ex-combatentes do Exército se instalaram no morro da Providência, no Rio de Janeiro. Eles batizaram o local de morro da Favella, em referência à planta favela, comum na vegetação do sertão baiano onde haviam lutado. O nome pegou e passou a designar qualquer aglomerado semelhante de casebres construídos sem autorização em terrenos públicos ou de terceiros.

A pesquisadora Licia Valladares mostra que, já nas primeiras décadas do século XX, jornalistas, médicos e engenheiros descreveram a favela usando o mesmo vocabulário de espanto com que Euclides da Cunha narrou Canudos em Os sertões. Essa comparação entre o morro carioca e o sertão baiano fundou uma oposição que atravessa a sociologia da favela até hoje: a favela como um “outro mundo”, separado da cidade “civilizada” (VALLADARES, 2000).

A “invenção da favela” segundo Licia Valladares

Em seu livro A invenção da favela, Valladares argumenta que a favela carioca foi construída como categoria antes de ser compreendida como realidade social diversa. Jornais e o poder público trataram o termo como sinônimo de pobreza, criminalidade e desordem, muito antes de qualquer pesquisa sistemática sobre quem realmente morava ali.

O Código de Obras de 1937 foi o primeiro documento oficial a reconhecer a existência das favelas, mas o fez para proibir sua expansão e prever a demolição de novas construções. Só em 1948 a Prefeitura do Rio de Janeiro realizou o primeiro censo específico sobre favelas, seguido pelo Censo Demográfico de 1950, quando o IBGE passou a coletar dados separados sobre essa população.

Esse histórico importa porque mostra que esse campo de pesquisa nasceu tentando corrigir um erro de origem: décadas de discurso sobre a favela produzido sem ouvir quem vivia nela.

A favela como objeto da sociologia urbana

A favela só se tornou objeto de pesquisa acadêmica sistemática a partir dos anos 1960, quando cientistas sociais brasileiros passaram a aplicar métodos de campo ao estudo dos morros cariocas e das periferias paulistas. Antes disso, o conhecimento produzido vinha de jornalistas, médicos e assistentes sociais, quase sempre de fora do território.

Escola de Chicago e a ecologia urbana

Parte da sociologia da favela dialoga com a tradição da sociologia urbana desenvolvida pela Escola de Chicago nas primeiras décadas do século XX. Robert Park e seus colegas propuseram que a cidade se organiza como um organismo, dividido em zonas concêntricas que vão do centro comercial às periferias residenciais.

Aplicada ao Brasil, essa lente ecológica ajuda a explicar por que as favelas ocupam historicamente encostas, margens de rios e áreas de risco: são os espaços que sobraram depois que o mercado imobiliário se apropriou das terras mais valorizadas. A cidade formal e a favela crescem juntas, uma dependendo da mão de obra e dos serviços informais que a outra oferece.

Marginalidade e a crítica de Janice Perlman

Durante décadas, um dos pressupostos mais repetidos sobre a favela foi o chamado “mito da marginalidade”: a ideia de que seus moradores estariam à margem da economia, da cultura e da política da cidade. A antropóloga norte-americana Janice Perlman testou essa hipótese com pesquisa de campo no Rio de Janeiro entre 1968 e 1969.

Perlman encontrou o oposto do que a hipótese previa. Os moradores das favelas trabalhavam, pagavam impostos indiretos, participavam de associações e sustentavam a economia da cidade com mão de obra barata. O problema não era a marginalidade cultural desses grupos, mas a forma como eram excluídos do acesso a moradia legal, crédito e serviços públicos. Perlman resumiu essa inversão no título de seu livro mais conhecido: O mito da marginalidade.

Principais autores da sociologia da favela no Brasil

Além de Licia Valladares e Janice Perlman, um conjunto de pesquisadores brasileiros consolidou a sociologia da favela como campo de pesquisa a partir dos anos 1980. Cada um deles priorizou um ângulo diferente do fenômeno: violência, sociabilidade, mercado de trabalho e estigma territorial.

Alba Zaluar e a sociologia da violência

Alba Zaluar dedicou parte de sua carreira a pesquisar a relação entre pobreza, tráfico de drogas e organizações populares nas favelas cariocas. Em obras como A máquina e a revolta, ela recusou explicações que tratavam a pobreza como causa direta da criminalidade e mostrou como o crime organizado se estrutura a partir de redes sociais concretas, com hierarquia, códigos próprios e disputas territoriais.

Zaluar também investigou o papel de associações de moradores, igrejas e coletivos culturais como contraponto à violência armada. Para ela, a favela produz suas próprias formas de organização e resistência, e não é apenas um problema a ser administrado de fora.

Luiz Antônio Machado da Silva e a sociabilidade violenta

O sociólogo Luiz Antônio Machado da Silva cunhou o conceito de “sociabilidade violenta” para descrever como o uso da força armada, especialmente pelo tráfico, passou a regular parte da vida cotidiana em determinadas favelas do Rio de Janeiro. Para o autor, essa dinâmica não substitui as demais formas de sociabilidade do bairro, mas convive com elas, criando regras paralelas de convivência, proteção e punição.

Loïc Wacquant e o estigma territorial

O sociólogo francês Loïc Wacquant, embora tenha estudado principalmente guetos americanos e periferias europeias, influenciou fortemente a sociologia da favela latino-americana com o conceito de estigma territorial. Para ele, morar em um endereço estigmatizado passa a funcionar como uma marca que reduz as chances de emprego, afeta o acesso a serviços e reforça o isolamento do território em relação ao resto da cidade.

Pesquisadores brasileiros aplicaram essa ideia para explicar por que um currículo com endereço de favela recebe menos respostas de empregadores, mesmo quando a qualificação do candidato é igual à de outros moradores da cidade.

Michel Misse e a sujeição criminal

Outro nome fundamental na sociologia da favela é o sociólogo Michel Misse, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele desenvolveu o conceito de sujeição criminal para explicar como certos indivíduos, moradores de favela em sua maioria, passam a ser identificados socialmente como “bandidos” antes mesmo de cometer qualquer crime específico.

Para o autor, essa identidade é construída por instituições como a polícia, a mídia e o sistema judicial, e não apenas pelo comportamento individual.

Misse também investigou os mercados ilegais de drogas nas favelas cariocas como redes que combinam proteção, violência e organização econômica, uma abordagem que dialoga diretamente com o trabalho de Alba Zaluar e Luiz Antônio Machado da Silva.

Favela e desigualdade social: dados do Censo 2022

Nenhuma análise atual de sociologia da favela pode ignorar os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE. Pela primeira vez desde 1991, o instituto voltou a usar oficialmente o termo “favela”, substituindo a antiga categoria “aglomerado subnormal” por “Favelas e Comunidades Urbanas” (IBGE, 2024).

Os números confirmam o que a sociologia da favela já apontava com base em pesquisas locais: o crescimento populacional nesses territórios superou o crescimento do país como um todo entre os dois últimos censos.

IndicadorCenso 2010Censo 2022
Número de favelas e comunidades urbanas6.32912.348
População residente11,4 milhões16,4 milhões
Proporção da população brasileira6,0%8,1%
Pessoas pretas e pardas na população faveladadado não comparável72,9%
Idade mediana dos moradoresdado não comparável30 anos

Três achados merecem destaque para quem estuda sociologia da favela em sala de aula. Primeiro, a Região Sudeste concentra a maior parte da população favelada do país. Segundo, a Rocinha, no Rio de Janeiro, segue sendo a maior favela brasileira, com mais de 72 mil moradores.

Terceiro, a composição racial das favelas é desproporcionalmente negra: enquanto pessoas brancas somam 43,5% da população total do Brasil, elas representam apenas 26,6% da população das favelas.

Esse último dado conecta diretamente a sociologia da favela ao debate sobre desigualdade racial no Brasil. A distribuição desigual de infraestrutura urbana, saúde e saneamento entre favela e cidade formal não pode ser separada da história do racismo estrutural brasileiro.

Estigma, mídia e criminalização da pobreza

Um dos temas centrais da sociologia da favela contemporânea é a forma como a mídia constrói a imagem desses territórios. Coberturas policiais tendem a reduzir bairros inteiros a cenários de tráfico e confronto, apagando a vida cotidiana da maior parte dos moradores.

A favela na cobertura jornalística

Pesquisas sobre violência urbana mostram que o noticiário associa a favela ao crime com muito mais frequência do que associa bairros de classe média a crimes cometidos ali. Esse desequilíbrio reforça, na opinião pública, a ideia de que a pobreza em si seria fator de risco, quando na verdade o que varia é a cobertura, não o comportamento.

Esse padrão de cobertura se conecta ao conceito de seletividade penal, usado para descrever como o sistema de justiça pune de forma desigual dependendo da origem social e territorial do acusado. Moradores de favela costumam ser identificados, abordados e processados com mais rapidez do que suspeitos de bairros de classe média, mesmo diante de evidências semelhantes.

Espetacularização da violência

A sociologia da favela chama esse fenômeno de espetacularização da violência: operações policiais, execuções e disputas de território viram conteúdo de entretenimento, com pouco espaço para contexto histórico ou social. Documentários sobre crimes reais brasileiros, por exemplo, costumam usar esse tipo de cena como material central, o que exige do professor de Sociologia um cuidado extra ao selecionar produções para a sala de aula.

Um bom exercício em turmas de Ensino Médio é comparar como o mesmo crime é noticiado quando ocorre em uma favela e quando ocorre em um bairro nobre da mesma cidade, usando como referência produções reunidas neste guia de documentários sobre crimes reais.

Cultura, resistência e produção de sentido nas favelas

Reduzir a favela à violência é um erro que a sociologia da favela tenta corrigir há décadas. Esses territórios produzem também música, moda, humor, religiosidade e formas próprias de organização coletiva que circulam para o restante do país e do mundo.

Funk, arte periférica e movimentos culturais

O funk carioca nasceu nas favelas do Rio de Janeiro e se tornou um dos gêneros musicais mais ouvidos do Brasil, apesar de décadas de perseguição legal e estigmatização. Slam, grafite, moda periférica e produção audiovisual independente seguiram caminho parecido: nasceram como expressão local e ganharam circulação nacional, muitas vezes sem o reconhecimento devido aos territórios de origem.

Para os pesquisadores da área, esse processo mostra como a cultura popular funciona como forma de afirmação de identidade e disputa de narrativa, um contraponto direto às representações que associam esses bairros apenas à falta e ao problema.

Filmes como Cidade de Deus, ambientado em uma favela carioca, ilustram bem essa tensão: a obra é usada em listas de filmes para aulas de Sociologia, mas também reforça, para parte do público, a associação automática entre favela e violência.

A favela também movimenta uma economia própria, com comércio, serviços e prestadores autônomos que dificilmente aparecem nas estatísticas oficiais de emprego. Institutos dedicados ao tema estimam que o consumo das famílias que vivem nesses territórios movimenta bilhões de reais por ano, dado usado para desmontar a ideia de que esses espaços vivem à margem da economia formal.

Associações de moradores e ativismo comunitário

Associações de moradores, coletivos de mães, grupos de cultura e organizações como a Central Única das Favelas atuam como interlocutores entre a comunidade e o poder público. Elas negociam serviços, denunciam violações de direitos e produzem dados próprios sobre os territórios, muitas vezes mais atualizados que os levantamentos oficiais.

Esse ativismo também disputa a própria linguagem usada para descrever o território. Parte do movimento social prefere o termo “comunidade” a “favela”, justamente para se afastar da carga negativa histórica associada à palavra, um debate que esse campo de estudo acompanha de perto.

Políticas públicas e urbanização de favelas

A relação entre Estado e favela passou por fases distintas ao longo do século XX e XXI. Compreender essa trajetória é essencial para qualquer estudo de sociologia da favela que queira ir além da descrição do presente.

O debate remete ao conceito de direito à cidade, proposto pelo filósofo francês Henri Lefebvre, que defende o acesso pleno de todos os moradores urbanos à infraestrutura, à cultura e à tomada de decisão sobre o espaço em que vivem.

Favela-Bairro e programas de urbanização

Nas décadas de 1940 e 1950, a resposta do poder público foi criar Parques Proletários, conjuntos habitacionais que deveriam abrigar temporariamente famílias removidas de favelas centrais. Entre os anos 1960 e 1970, durante o regime militar, o Estado promoveu remoções em massa, destruindo favelas inteiras e transferindo a população para conjuntos distantes do centro, muitas vezes sem manter os laços de vizinhança e trabalho já construídos.

A partir dos anos 1990, a política pública migrou para programas de urbanização in loco. O Favela-Bairro, lançado no Rio de Janeiro, levou saneamento, pavimentação e equipamentos públicos para dezenas de favelas sem remover a população.

Esse modelo trouxe ganhos reais de infraestrutura, mas também gerou um efeito colateral bastante estudado nessa área: a valorização imobiliária de áreas urbanizadas pode expulsar moradores antigos, em um processo semelhante ao debate sobre gentrificação urbana observado em outras cidades do mundo.

UPPs e segurança pública

Entre 2008 e a metade da década de 2010, o Rio de Janeiro implantou Unidades de Polícia Pacificadora em dezenas de favelas, com o objetivo declarado de retomar o controle territorial do tráfico armado. O programa reduziu indicadores de violência em algumas áreas, mas pesquisas recentes apontaram problemas recorrentes de abuso policial e falta de diálogo com moradores.

O enfraquecimento das UPPs, a partir de 2016, reacendeu o debate sobre qual modelo de segurança pública é compatível com direitos básicos da população favelada, sem repetir o ciclo de ocupação militarizada seguida de abandono.

Sociologia da favela na sala de aula e no ENEM

A sociologia da favela é tema recorrente em provas de vestibular e no ENEM, geralmente associada a questões sobre desigualdade social, urbanização e cidadania. Também aparece com frequência em redações que pedem discussão sobre moradia, segregação ou violência urbana.

Para professores da Educação Básica, o tema conecta diretamente com competências da BNCC voltadas à análise de processos de exclusão social e à compreensão do espaço urbano como produto histórico. Algumas estratégias funcionam bem em sala:

  • Trabalhar dados do Censo 2022 para desnaturalizar a ideia de que a favela é um fenômeno marginal ou temporário;
  • Usar músicas de funk ou letras de rap como fonte primária para discutir estigma territorial e pertencimento;
  • Comparar a cobertura jornalística de um mesmo tipo de crime em bairros diferentes da cidade;
  • Convidar os estudantes a mapear equipamentos públicos, como escolas, postos de saúde e praças, em favelas próximas à escola.

Esse tipo de atividade evita dois erros comuns no ensino do tema: tratar a favela apenas como sinônimo de pobreza e crime, ou romantizá-la como comunidade sem conflitos internos. A sociologia da favela funciona melhor em sala quando mostra a complexidade real desses territórios, com seus problemas concretos e suas formas próprias de organização.

Perguntas frequentes

O que estuda a sociologia da favela?

Esse campo estuda a formação histórica das favelas, as relações de poder que as atravessam, a desigualdade social e racial presente nesses territórios e as formas de organização social e cultural criadas por seus moradores.

Qual a diferença entre favela e aglomerado subnormal?

“Aglomerado subnormal” foi o termo técnico usado pelo IBGE entre 1991 e 2022 para classificar favelas e comunidades urbanas em seus censos. A partir de 2024, o instituto voltou a adotar o termo “favela”, combinado com “comunidade urbana”, após consulta a movimentos sociais e pesquisadores.

Quem são os principais autores da sociologia da favela no Brasil?

Entre os nomes mais estudados estão Licia Valladares, Janice Perlman, Alba Zaluar, Luiz Antônio Machado da Silva e pesquisadores que aplicam ao Brasil o conceito de estigma territorial do sociólogo francês Loïc Wacquant.

Quantas favelas existem no Brasil, segundo o Censo 2022?

O Censo Demográfico 2022 do IBGE identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas em 656 municípios brasileiros, com cerca de 16,4 milhões de moradores, o equivalente a 8,1% da população do país.

Por que a favela é considerada um tema importante da sociologia urbana?

Porque a favela revela, de forma concentrada, processos centrais da urbanização brasileira: desigualdade no acesso a serviços, segregação socioespacial, informalidade no mercado de trabalho e disputas sobre quem tem direito à cidade.

Como usar a sociologia da favela em sala de aula?

Professores podem combinar dados oficiais, como os do Censo 2022, com fontes culturais, como música e audiovisual produzidos nas próprias favelas, para evitar uma abordagem que reduza o tema apenas à pobreza ou à violência.

Qual a diferença entre favela e periferia?

Periferia é um conceito mais amplo, ligado à distância em relação ao centro urbano e aos serviços da cidade. Favela é um tipo específico de ocupação, marcado por informalidade fundiária e infraestrutura precária, que pode estar tanto na periferia quanto em áreas centrais valorizadas, como ocorre em bairros do Rio de Janeiro.

Considerações finais

A sociologia da favela mostra que esses territórios não podem ser reduzidos a um único adjetivo, seja ele “violento”, “pobre” ou “resiliente”. São espaços moldados por mais de um século de disputa entre moradores, poder público e mercado imobiliário, com produção cultural e social própria que segue influenciando o país inteiro.

Para quem ensina ou estuda Ciências Sociais, acompanhar a sociologia da favela é uma forma direta de entender como a desigualdade brasileira se organiza no espaço das cidades. Os dados do Censo 2022 confirmam o que pesquisadores como Valladares, Perlman e Zaluar já mostravam há décadas: a favela é parte estrutural, e não uma exceção, da experiência urbana brasileira.

Roniel Sampaio Silva

Doutorando em Educação, Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais e Pedagogia. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Teresina Zona Sul.

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