Sociologia digital: rede de conexões representando indivíduos e tecnologia
A sociologia digital estuda como redes de conexão digital reorganizam as relações sociais contemporâneas.

Sociologia digital: o que é, conceito e 4 eixos de estudo

Sociologia digital: o que é, conceito e 4 eixos de estudo

Uma turma do Ensino Médio discute fake news em um grupo de WhatsApp da escola. Um pesquisador extrai milhares de postagens do X para mapear discursos de ódio. Um professor de Sociologia usa vídeos do TikTok para explicar Bourdieu em quinze minutos. Esses três casos pertencem ao mesmo campo de investigação: a sociologia digital.

Esse campo estuda como as tecnologias digitais reorganizam as relações sociais, a produção de conhecimento e o próprio ofício do sociólogo. Ele não se resume a pesquisar redes sociais. A agenda também inclui big data, algoritmos, vigilância, desigualdade digital e os métodos que cientistas sociais usam para estudar tudo isso.

Este artigo reúne a definição da sociologia digital, sua origem histórica, os quatro eixos propostos pela socióloga Deborah Lupton, os principais pesquisadores brasileiros da área, dados atuais sobre o Brasil conectado e orientações práticas para professores que querem trabalhar o tema em sala de aula.

Sociologia digital: rede de conexões representando indivíduos e tecnologia
A sociologia digital estuda como redes de conexão digital reorganizam as relações sociais contemporâneas.

O que é sociologia digital?

A sociologia digital é o campo da sociologia dedicado a investigar os efeitos das tecnologias digitais sobre a vida social, a subjetividade e o próprio fazer sociológico. Pesquisadores da Universidade de São Paulo resumem esse deslocamento de forma direta: não é mais possível tratar o universo digital como um espaço separado da realidade material, porque as duas dimensões se tornaram profundamente imbricadas (Cordeiro, Gomes e Waizbort, 2023).

Essa constatação explica por que o campo deixou de ser uma especialidade de nicho. Hoje ele dialoga com quase todas as áreas da sociologia, da sociologia do trabalho à sociologia da educação, passando pela sociologia urbana e pela sociologia política.

O sociólogo Leonardo F. Nascimento, da Universidade Federal da Bahia, descreve o fenômeno digital como algo pervasivo: ele afeta todos os campos da sociedade e, ao mesmo tempo, é irreversível, já que não há como retornar ao estado social anterior ao seu surgimento (Nascimento, 2020). Essa dupla característica, abrangência e irreversibilidade, justifica um campo de estudo próprio dentro da disciplina.

Não é sinônimo de estudar redes sociais

Um equívoco comum reduz a sociologia digital ao estudo de redes sociais digitais. O campo é mais amplo. Ele abrange também a análise de bancos de dados públicos, a crítica aos algoritmos que moldam o consumo de informação, os efeitos da automação no mercado de trabalho e as mudanças na própria prática de pesquisa em ciências sociais, incluindo softwares de análise qualitativa e quantitativa.

Por isso, pesquisar esse tema não significa apenas examinar postagens em plataformas como Instagram ou TikTok. Significa perguntar como a infraestrutura técnica dessas plataformas, incluindo algoritmos de recomendação, coleta de dados e design de interface, organiza comportamentos, hierarquiza vozes e produz desigualdades.

Origem do termo: o marco de 2009

O termo sociologia digital apareceu pela primeira vez em 2009, em um artigo do sociólogo Jonathan R. Wynn, então professor do Smith College, nos Estados Unidos. Wynn discutiu como a sociologia poderia incorporar tecnologias digitais tanto na execução de pesquisas quanto no ensino da disciplina, da gravação digital de entrevistas ao uso de apresentações audiovisuais em aula.

O campo ganhou reconhecimento acadêmico mais amplo a partir de 2013, quando as pesquisadoras Kate Orton-Johnson e Nick Prior organizaram a coletânea “Digital Sociology: Critical Perspectives”, publicada pela Palgrave Macmillan. A obra foi a primeira a reconhecer a existência de uma área com objeto de investigação próprio e problemáticas teóricas específicas.

No Brasil, o marco costuma ser situado em 2016, ano de publicação do artigo “A Sociologia Digital: um desafio para o século XXI”, de Leonardo F. Nascimento, na revista Sociologias, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 2020, o mesmo autor lançou pela Editora da UFBA o livro “Sociologia digital: uma breve introdução”, hoje uma das principais referências em língua portuguesa sobre o assunto.

Os quatro eixos de Deborah Lupton

A socióloga Deborah Lupton, da Universidade de Canberra, publicou em 2015 o livro “Digital Sociology” (Routledge), uma das obras de referência mundial na área. Ela propôs uma tipologia com quatro eixos de preocupação para o campo, ainda usada como ponto de partida em cursos e pesquisas sobre o tema.

EixoO que estudaExemplo prático
Prática profissional digitalizadaUso de ferramentas digitais para fins profissionais, como construir redes de contato e divulgar pesquisasUm pesquisador que usa redes sociais para compartilhar os resultados de um estudo recém-publicado
Análise dos usos das tecnologias digitaisComo o uso de mídias digitais molda a identidade e a corporeidade nas relações sociaisEstudo sobre como adolescentes constroem identidade em aplicativos de fotos
Análise de dados digitaisUso de grandes bases de dados digitais como material de pesquisa socialMapeamento de discursos políticos a partir de milhões de postagens em redes sociais
Sociologia digital crítica e reflexivaExame dos efeitos das tecnologias digitais sobre a própria prática acadêmicaDebate sobre como algoritmos de plataformas científicas influenciam quais pesquisas ganham visibilidade

Os quatro eixos não são estanques. Uma mesma pesquisa pode combinar análise de dados digitais com reflexão crítica sobre os limites éticos da coleta desses dados, por exemplo. A tipologia de Lupton funciona como um mapa de orientação, não como uma grade rígida de classificação, e segue citada em cursos de pós-graduação em Sociologia no Brasil e no exterior.

A própria Lupton reconhece limites nessa divisão. Em entrevistas mais recentes, ela chama atenção para o surgimento de novas plataformas e dispositivos desde a publicação do livro em 2015, o que exige atualização constante dos quatro eixos originais e maior diálogo com áreas próximas, como a antropologia digital e os estudos de mídia.

O campo no Brasil: autores de referência

Embora o termo tenha origem norte-americana, a sociologia digital ganhou tradição própria no Brasil, com pesquisadores dedicados a temas como vigilância, algoritmos e desigualdade digital.

Richard Miskolci, hoje professor da Universidade Federal de São Paulo, organizou em 2016 o primeiro dossiê brasileiro sobre o assunto, publicado pela revista Contemporânea, da Universidade Federal de São Carlos. No ano seguinte, fundou o Grupo de Trabalho de Sociologia Digital da Sociedade Brasileira de Sociologia, hoje elevado à condição de Comitê de Pesquisa da entidade. É também autor do livro “Desejos Digitais: uma análise sociológica da busca por parceiros on-line” (2017).

Leonardo F. Nascimento (UFBA) é outra referência central no país. Coordenador do Laboratório de Humanidades Digitais da universidade, o pesquisador publica sobre extremismo político em plataformas como o Telegram e sobre os desafios que a inteligência artificial generativa coloca para as ciências sociais.

Fernanda Bruno, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estuda vigilância e tecnologias de dados desde a década de 2000. É autora do livro “Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade” (Sulina, 2013) e membro fundadora da Rede Latino-Americana de Estudos em Vigilância, Tecnologia e Sociedade, a LAVITS.

Sérgio Amadeu da Silveira, sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC, pesquisa as implicações políticas dos sistemas algorítmicos. Entre suas obras estão “Exclusão Digital: a miséria na era da informação” (2001) e “Democracia e os códigos invisíveis: como os algoritmos estão modulando comportamentos e escolhas políticas” (2019).

Esses quatro nomes ilustram a diversidade do campo no país. Um deles institucionalizou a área e investiga política de identidade, outro estuda extremismo digital e humanidades digitais, o terceiro pesquisa vigilância e subjetividade, e o quarto se dedica a algoritmos e política.

O Brasil conectado em números

Dados recentes ajudam a entender por que a sociologia digital se tornou incontornável para quem estuda a sociedade brasileira. Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2024, conduzida pelo Cetic.br em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 85% dos domicílios em áreas urbanas do país tinham acesso à internet em 2024, contra apenas 13% em 2005.

O levantamento identificou 159 milhões de usuários de internet no país, o equivalente a 84% da população. Apesar do crescimento, o acesso segue desigual: a internet está presente em 100% dos domicílios de classe A e em apenas 68% dos lares de classes D e E. Somente 22% da população brasileira possui o que a pesquisa chama de conectividade significativa, indicador que combina velocidade, custo e diversidade de dispositivos de acesso.

Indicador20052024
Domicílios urbanos conectados13%85%
Usuários de internet no país159 milhões (84% da população)
Domicílios classe A conectados100%
Domicílios classes D e E conectados68%
População com conectividade significativa22%

Fonte: TIC Domicílios 2024, Cetic.br/NIC.br/CGI.br.

Esses números mostram um paradoxo que interessa diretamente à sociologia digital: o acesso à internet se popularizou, mas a qualidade desse acesso reproduz desigualdades sociais já conhecidas pela sociologia clássica, como classe, região e escolaridade. Estudar esse campo, nesse sentido, é também estudar desigualdade social com novas ferramentas de análise.

Temas centrais de pesquisa

A sociologia digital reúne uma agenda de pesquisa ampla, que cresce à medida que novas plataformas e tecnologias entram no cotidiano das pessoas. Seis temas aparecem com mais frequência na produção acadêmica brasileira e no debate público sobre o assunto.

  • Privacidade e vigilância: como empresas e governos coletam, armazenam e usam dados pessoais, e quais grupos sociais são mais monitorados.
  • Desigualdade e exclusão digital: diferenças no acesso à internet, na qualidade da conexão e nas habilidades digitais entre classes sociais, regiões e faixas etárias.
  • Plataformização do trabalho: mudanças nas relações de trabalho causadas por aplicativos de entrega e transporte, que transferem riscos para trabalhadores autônomos.
  • Identidade e corpo digital: como redes sociais, aplicativos de relacionamento e dispositivos de monitoramento corporal alteram a construção da identidade e a percepção do próprio corpo.
  • Desinformação e fake news: como conteúdos falsos circulam em grupos de mensagens e redes sociais, e quais mecanismos sociais explicam sua propagação.
  • Algoritmos e vieses: como sistemas automatizados de recomendação e classificação reproduzem ou amplificam preconceitos de raça, gênero e classe já existentes na sociedade.

Esses temas raramente aparecem isolados em uma pesquisa concreta. Um estudo sobre desinformação política, por exemplo, costuma cruzar vigilância de dados, algoritmos de recomendação e desigualdade de acesso à informação de qualidade. É essa combinação que torna a sociologia digital um campo interdisciplinar por definição, e não uma simples soma de tópicos separados.

Métodos de pesquisa

O campo não trouxe apenas novos temas de pesquisa. Ele também exigiu a adaptação de métodos consolidados na sociologia e a criação de técnicas específicas para lidar com o volume e o formato dos dados digitais.

A netnografia adapta a etnografia clássica para ambientes digitais. Em vez de observar um grupo social presencialmente, o pesquisador acompanha interações em fóruns, grupos de mensagens ou comunidades on-line durante um período prolongado, registrando padrões de linguagem e comportamento.

A análise de redes sociais usa ferramentas matemáticas para mapear conexões entre perfis, páginas ou publicações. A técnica permite identificar quais atores concentram mais influência dentro de uma rede de discussão específica, como um debate político no X ou no Instagram.

A mineração de dados extrai e processa grandes volumes de informação digital, como postagens públicas ou registros de navegação, para identificar padrões que seriam invisíveis em uma leitura manual. A técnica costuma exigir conhecimento básico de programação e estatística.

A etnografia digital combina observação de plataformas com entrevistas e outras técnicas qualitativas tradicionais, buscando entender o significado que os próprios usuários atribuem às suas práticas on-line, e não apenas descrever o que fazem.

Nenhum desses métodos substitui integralmente as técnicas clássicas da sociologia, como a entrevista em profundidade ou a observação participante. Eles se somam ao repertório metodológico da disciplina e costumam exigir formação específica, muitas vezes em parceria com áreas como ciência da computação e estatística.

O desafio da inteligência artificial generativa

A chegada de ferramentas de inteligência artificial generativa abriu uma nova frente para a sociologia digital nos últimos anos. Pesquisadores como Leonardo F. Nascimento (UFBA) passaram a discutir como esses sistemas afetam tanto o objeto quanto o método da pesquisa sociológica.

No campo do objeto de estudo, a IA generativa criou fenômenos sociais inéditos: conteúdos sintéticos indistinguíveis de produções humanas, perfis falsos automatizados em redes sociais e novos formatos de desinformação, mais difíceis de identificar do que os textos e imagens manipulados manualmente em anos anteriores.

No campo do método, a discussão gira em torno dos limites éticos e metodológicos do uso de IA generativa na própria pesquisa social, da transcrição automatizada de entrevistas à geração de hipóteses a partir de grandes bases de dados. Sociólogos precisam avaliar, caso a caso, se essas ferramentas introduzem vieses adicionais aos já conhecidos na análise de big data.

Essa frente de pesquisa ainda está em formação, mas já aparece em publicações acadêmicas recentes e tende a ganhar espaço crescente em cursos de graduação e pós-graduação em Ciências Sociais nos próximos anos.

Relação com a BNCC

A Base Nacional Comum Curricular inclui a cultura digital entre suas dez competências gerais, previstas da Educação Infantil ao Ensino Médio. A competência prevê que estudantes compreendam, usem e criem tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética nas práticas sociais.

Essa exigência curricular aproxima a sala de aula da agenda da sociologia digital. Quando um professor discute algoritmos de redes sociais, vigilância de dados ou desigualdade digital, ele trabalha, ao mesmo tempo, um conteúdo sociológico consolidado e uma competência prevista pela BNCC.

O Café com Sociologia já discutiu esse cruzamento em outro texto, que analisa como a aprendizagem digital reconfigura as desigualdades educacionais e o papel docente na educação básica.

O campo oferece um repertório teórico para essa discussão em sala. Conceitos como o de sociedade em rede, presentes na obra de Manuel Castells e retomados no texto sobre a definição de sociedade do blog, ajudam o professor a situar historicamente por que a tecnologia se tornou um objeto legítimo de análise sociológica.

Como levar o tema para a sala de aula

Trabalhar sociologia digital em sala de aula não exige domínio técnico avançado de programação ou estatística. Exige, principalmente, disposição para usar exemplos do cotidiano digital dos próprios estudantes como ponto de partida para conceitos sociológicos clássicos.

  • Partir de uma situação concreta que a turma já vivencia, como um vídeo viral ou uma polêmica em rede social, antes de apresentar o conceito teórico correspondente.
  • Usar documentários sobre tecnologia como disparadores de debate. O Café com Sociologia reúne indicações de documentários sobre redes sociais para discutir algoritmos, fake news e vício digital em aula.
  • Propor pequenas pesquisas de campo digital, como mapear quantos anúncios patrocinados aparecem no feed de cada estudante ao longo de um dia.
  • Relacionar o conteúdo a autores da cibercultura, como Pierre Lévy, cujos conceitos-chave sobre cibercultura ajudam a explicar noções de inteligência coletiva e virtualização.
  • Discutir dados reais, como os indicadores da pesquisa TIC Domicílios, para evitar generalizações sobre o comportamento de jovens e mostrar como classe social e região afetam o acesso à internet.

Um cuidado importante: nem todo uso de tecnologia em sala configura sociologia digital. Usar um aplicativo para aplicar uma prova não é, por si só, um exercício do campo. Ele se define pelo objeto de análise, as tecnologias digitais como fenômeno social, e não pela ferramenta usada para dar a aula.

Em concursos públicos e no Enem

A sociologia digital tem aparecido com frequência crescente em provas de concursos para professores de Sociologia e em questões de vestibulares e do Enem, sobretudo em itens relacionados a fake news, algoritmos e desigualdade digital.

Bancas examinadoras costumam cobrar três frentes de conhecimento: a definição do campo e sua origem histórica, os autores de referência nacionais e internacionais, e a aplicação de conceitos sociológicos clássicos, como os de Durkheim, Weber e Bourdieu, a fenômenos digitais contemporâneos.

Um erro comum de candidatos é tratar o tema como isolado, sem conexão com a teoria sociológica clássica. Provas bem elaboradas costumam pedir justamente o contrário: como noções como anomia, dominação simbólica ou capital cultural ajudam a explicar fenômenos como o cyberbullying, já discutido na definição de bullying e seus impactos sociais publicada no blog, ou a desinformação política.

Preparar-se para essas provas envolve, portanto, estudar tanto os fundamentos apresentados neste artigo quanto revisar os clássicos da teoria sociológica geral.

Um formato recorrente de questão apresenta um trecho de reportagem sobre viralização de conteúdo ou vigilância de dados e pede que o candidato identifique o conceito sociológico mais adequado para analisá-lo. Nesses casos, vale menos decorar definições e mais treinar a aplicação de teoria clássica a situações concretas do cotidiano digital.

Perguntas frequentes sobre sociologia digital

O que é sociologia digital, em resumo?

É o campo da sociologia que estuda os efeitos das tecnologias digitais sobre as relações sociais, a subjetividade e a própria prática da pesquisa sociológica. O termo surgiu em 2009 e ganhou consolidação acadêmica a partir de 2013.

Quem cunhou o termo?

O sociólogo Jonathan R. Wynn, então professor do Smith College, nos Estados Unidos, usou a expressão pela primeira vez em 2009. A consolidação do campo como área de pesquisa reconhecida ocorreu poucos anos depois, com a publicação de coletâneas acadêmicas especializadas sobre o assunto.

Quais são os quatro eixos propostos por Deborah Lupton?

São eles: prática profissional digitalizada, análise dos usos das tecnologias digitais, análise de dados digitais e sociologia digital crítica e reflexiva, voltada para os efeitos do digital sobre a própria produção acadêmica.

Sociologia digital é o mesmo que cibercultura?

Não exatamente. A cibercultura, estudada por autores como Pierre Lévy, está mais próxima da comunicação e da filosofia, com foco nas práticas culturais ligadas ao ciberespaço. A sociologia digital tem escopo mais amplo, incluindo desigualdade social, trabalho e metodologia de pesquisa.

Quais autores brasileiros são referência na área?

Richard Miskolci (UNIFESP), Leonardo F. Nascimento (UFBA), Fernanda Bruno (UFRJ) e Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) estão entre os nomes mais citados na produção acadêmica brasileira sobre o tema, cada um com uma linha de pesquisa própria dentro do campo.

Existe mercado de trabalho para quem estuda o tema?

Sim, embora ainda não exista uma profissão chamada “sociólogo digital”. Formação em sociologia digital abre portas em pesquisa acadêmica, análise de dados sociais, moderação e políticas de plataformas digitais, estudos de opinião pública e consultorias sobre comportamento on-line, áreas que demandam a combinação de teoria social e métodos digitais.

O campo substitui a sociologia clássica?

Não. Ele aplica e atualiza conceitos clássicos, como os de Durkheim, Weber e Bourdieu, para analisar fenômenos digitais contemporâneos. A sociologia digital complementa a teoria sociológica geral, mas não a substitui.

Como o tema se relaciona com a BNCC?

A BNCC inclui a cultura digital entre suas dez competências gerais. Ao discutir algoritmos, vigilância e desigualdade digital, o professor de Sociologia trabalha, ao mesmo tempo, conteúdo sociológico e essa competência curricular obrigatória.

Considerações finais

A sociologia digital não é uma moda passageira dentro da disciplina. Os dados da TIC Domicílios 2024 mostram que o digital deixou de ser uma esfera separada da vida social brasileira: ele atravessa o trabalho, a educação, o consumo e a política de quase 160 milhões de pessoas no país.

Para professores, pesquisadores e estudantes de Ciências Sociais, conhecer os fundamentos desse campo, seus quatro eixos, seus principais autores e seus métodos de pesquisa deixou de ser opcional. Ele oferece ferramentas concretas para entender fenômenos que já fazem parte do cotidiano de qualquer sala de aula, da desinformação política ao uso de algoritmos de recomendação e, mais recentemente, aos desafios da inteligência artificial generativa.

Este artigo reuniu conceitos, dados e referências sobre sociologia digital para servir como ponto de partida. Os links ao longo do texto ajudam a aprofundar cada tema específico, seja a trajetória histórica do campo, seja sua aplicação prática em sala de aula.

Referências consultadas: LUPTON, Deborah. Digital Sociology. Londres: Routledge, 2015. NASCIMENTO, Leonardo F. Sociologia digital: uma breve introdução. Salvador: EDUFBA, 2020. ORTON-JOHNSON, Kate; PRIOR, Nick (Orgs.). Digital Sociology: Critical Perspectives. Londres: Palgrave Macmillan, 2013. CORDEIRO, V. D.; GOMES, L. P. S.; WAIZBORT, L. G. P. A formação da sociologia digital. Plural, v. 30, n. 1, 2023. CETIC.BR. TIC Domicílios 2024. São Paulo: NIC.br/CGI.br, 2024.

Roniel Sampaio Silva

Doutorando em Educação, Mestre em Educação e Graduado em Ciências Sociais e Pedagogia. Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – Campus Teresina Zona Sul.

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História do Café com Sociologia

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Ao longo de sua trajetória, o blog consolidou-se como uma das principais referências nacionais na área de ensino de Sociologia, sendo amplamente consultado por professores, estudantes, pesquisadores e leitores de diferentes áreas do conhecimento. O portal reúne uma extensa coleção de materiais didáticos, incluindo artigos, planos de aula, avaliações, dinâmicas pedagógicas, podcasts, vídeos, indicações de filmes e diversos outros recursos voltados à educação.

Em 2019, o blog ultrapassou a marca de 9 milhões de acessos, evidenciando seu alcance e relevância no cenário educacional brasileiro.

O trabalho desenvolvido pelo blog foi reconhecido nacionalmente, tendo sido premiado na 7ª edição do Prêmio Professores do Brasil. Atualmente, o projeto reúne centenas de milhares de seguidores nas redes sociais e mantém uma comunidade de leitores que acompanha regularmente suas publicações.

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