Filosofia e Sociologia- Uma relação histórica e reflexiva

Filosofia e Sociologia- Uma relação histórica e reflexiva
Por Paulo Cezar Kowalski*

 

Pensar a sociologia é render-se a filosofia, tomá-la no seu universo reflexivo e questionador e sentir a vida na sua totalidade, pensar a sociedade com responsabilidade intelectual. Com o propósito de entender a ligação e a relação entre filosofia e sociologia discorre-se sobre as revoluções do pensar humano e o conhecimento. O ser humano passa por várias revoluções permitindo evoluir, nos diferentes níveis de consciência. Esta consciência vivencial torna-o diferente de outros seres. Refletir o contexto de crise onde nasce a sociologia.
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A filosofia que herdamos conta com mais de vinte e cinco séculos, e no decorrer da sua vida foi pensada, conceituada, estudada por inúmeros intelectuais, cada qual no seu tempo e espaço.
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Entre 8000 anos a.C. e 6000 a.C. , o pensar humano e o conhecimento estavam ligados a explicações míticas para os problemas. As indagações eram respondidas sobre o fenômeno. O pensamento é mágico. Neste período o homem adquire os conhecimentos e técnicas de agricultura e pecuária. A revolução racional, marco onde se considera a invenção da filosofia, surge no século VIII a.C. ao IV a.C, na Grécia Antiga. Neste momento histórico a filosofia confunde-se com a ciência como saber contemplativo. Observar a natureza para que se pudesse conhecê-la. Para tal efeito o observador grego era chamado theóros, termo de onde derivou a palavra teoria. A teoria seria o resultado desta observação.
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Nos séculos XVI e XVII a ciência separa-se da filosofia. Ocorre a revolução científica. Surge uma nova forma de ver o mundo, a teoria geocêntrica aceita durante séculos, é substituída pela teoria heliocêntrica, a Terra deixa de ser o centro do universo, dando lugar ao sol. O olhar contemplativo da natureza e do ser dá espaço ao homem com o desejo de dominá-los. O homem perde seu conceito, seu modo de pensar e ver o mundo, abrindo-se ao uma nova aurora no que se refere o conhecimento. Tem-se agora o século XIX, a Revolução Industrial que se iniciou a partir do século XVIII, transforma através de mudanças tecnológicas a humanidade. O homem é trocado pelas máquinas e uma nova relação entre o trabalho e o capital se impôs. Este desenvolvimento leva ao surgimento da fábrica e que provocou grandes modificações econômicas, políticas e sociais. Posteriormente esta revolução espalha-se pelo mundo.
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No que se diz respeito à relação da filosofia e sociologia, antes do século XIX compreende-se o fato de que o meio social, as relações sociais da sociedade e do ser humano inserido neste contexto de constantes transformações, eram percebidas, estudas refletidas, argumentadas e problematizadas pela filosofia. As sociedades eram observadas com olhar mítico, e as interpretações que se davam aos fenômenos sociais, eram ligados a figuras os deuses, como na Grécia antiga, e pela igreja principalmente na Idade Média.
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Não existia propriamente um pensamento autônomo sobre o que se chama hoje de social, pois a religião produzia uma visão global sobre o mundo e seus processos. De certa maneira, não se concebia que as relações entre homens pudessem ser destacada como objeto de conhecimento científico.
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A ruptura da filosofia e ciência a partir do século XVI, as explicações para os fenômenos sociais começam a ganhar autonomia. Embora, as grandes transformações das sociedades estivessem muito pertinentes em cada período citado. Somente no século XIX, a sociedade, bem como os seus indivíduos passariam a ser objeto de estudo, ideando o comportamento humano e as relações deste com o meio social, decorrentes dos próprios indivíduos, desligando a vontade divina, dos fenômenos sociais que seriam observados/estudados.
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Toma-se como conceituação, neste trabalho a filosofia que não se restringe a um mero opinar, pois uma simples opinião certamente cairá em descrédito, uma vez que pode vir cheia de contradições, mas uma construção de conceitos de forma adequada e racional. Argumentação embasada e sólida, problematização dos conceitos e argumentações propostos. Sendo assim um pensar, refletir, questionar o que já se sabe, que nos parece óbvio, e principalmente o que não foi pensado. A atitude da filosofia deve perguntar ao fato que parecia solucionado, onde não se tinha pergunta alguma. Entretanto, não devemos confundir o problema como simples sinônimo de questão. Nesse sentido, qualquer pergunta seria um problema, com resultados insuficientes para revelar o caráter verdadeiro do problema. Mas, não é esta a fundamental tarefa da Filosofia, pois a resposta frente a este tipo de problema será fácil e imediata, contudo, cheia de contradição e equívocos. Não obstante, a formulação de um questionamento complexo por sua vez, também não remeterá necessariamente á característica de problema. Para tal entendo que problema na sua forma filosoficamente originária, consiste em abordar problema na outra forma comum, a qual se refere a aquilo que não se sabe. Significa dizer que é tudo o que se desconhece, que nos é inexplicável, incompreensível. Levada ao extremado como mistério ou enigma. Contudo o fato de desconhecer a resposta não é o suficiente para determinar o problema. Para a natureza filosófica, problema indica uma situação de impasse. O afrontar do homem frente a sua realidade. O discurso filosófico exige a racionalidade, que consinta esclarecer, clarear, construindo-o de forma articulada na constante procura da verdade. Isto não quer dizer que ela é detentora da verdade. Significa dizer que por mais argumentado, conceituado á luz da racionalidade, algum momento será presumível uma nova problematização. Este problema não é simplesmente dado, é fruto da reflexão filosófica, ao longo deste processo construído. A lógica como um raciocínio que busca esta verdade, legaliza a razão, mas não consegue esgotá-la.[1]
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Assim sendo, a filosofia não se caracteriza por um conteúdo específico, mas uma atitude, fundamentalmente uma atitude, que o homem toma perante a realidade, e desafiado por esta realidade através do problema, o homem responde-o com a reflexão. O homem diante de uma questão procura solucioná-la, e refletindo a cerca da solução encontrada acaba por elaborar novas indagações.
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A filosofia como a reflexividade do homem frente ao seu tempo, colocando em jogo, questionando por sua vontade humana para dizer o que as coisas são. Vai além de classificar em verdades e mentiras dentro da linguagem humana. Não aceitar o mundo do outro, o mundo que foi dado de segunda mão, mas questioná-lo profundamente. É reconhecer a ambiguidade do mundo, sua potencialidade, sabendo que ele é potência. Saber reconhecer o próprio pensamento, e que esta no mundo. Questionar, interiorizar, criticar, outras formas de conhecimento.
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A filosofia enfoca questões do conhecimento, do indivíduo, a verdade, a moral, estética, a mente, a linguagem. Está em permanente reflexão das ações e particularidades do homem do senso comum, da teologia, do conhecimento científico, e do próprio conhecimento filosófico; tolerante, em busca da liberdade, a abertura da mente, contemplação da vida na sua plenitude.
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As aspirações sociológicas surgem contexto histórico e social de crise. Todavia, o pensamento social, já estaria surgindo no século XV, período do renascimento, quando ocorrem mudanças significativas. Na Europa medieval, o homem começa a se desligar do sagrado e preocupar se com questões centradas no próprio homem.
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A sociedade agrária começa a ceder frente a um mundo urbano, burguês e comercial. Nessa conjunção o homem é levado a pensar e analisar a realidade que o cerca. Neste momento a sociedade e seus indivíduos começam a serem estudados, pensadas na sua realidade.
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Diante de grandes mudanças; Revolução Industrial e Francesa questiona-se mais profundamente esta sociedade e os rumos que ela estava tomando. O sistema capitalista dita às regras, e o modo de vida do homem, não são mais os mesmos. O sistema feudal que lhe dava certas garantias e proteção, não existe mais. Deixam-se as terras e a agricultura, para o trabalho nas cidades. As rápidas transições e exigências que o homem foi colocado torna a sociedade um problema. Faz-se necessário uma ciência para entender o que se passa dentro deste contexto.
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Esses movimentos promoveram uma análise filosófica mais aprofundada, sobre as liberdades humanas, a individualidade e direitos do homem e a sua legitimidade frente aos movimentos sociais. Questionava-se constantemente sobre as particularidades da vida humana e da sociedade. Essa filosofia gerou inúmeras formas de pensar e ver a sociedade, elaborando assim as primeiras concepções da sociologia.
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No século XIX, surge uma nova proposta, sistemática, com objeto de análise e método de investigação. Surge a sociologia. Uma nova ciência, que surge em determinada fase do capitalismo industrial, numa sociedade emergente e com problemas sociais próprios, mudança dos camponeses para a cidade, a urbanização, violência, pobreza, e organização de movimentos a fim de reivindicar melhores condições de vida e trabalho.
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Volta-se o olhar para as particularidades das sociedades humanas. O senso comum é deixado de lado para dar lugar à ciência. A sociologia surge neste contexto filosófico, preocupado com questões teóricas, procurando diferenciar suas análises das outras ciências, com objeto de estudo, conceituação e método.
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A física social, assim denominada em sua origem por Augusto Comte(1798-1857), como a nova ciência da sociedade. A sociedade passa a ser estudada através das ciências exatas e naturais, sendo assim utilizaria dos mesmos recursos para se elaborar as análises. Porém, acerca desta nova ciência novos estudos foram elaborados por Comte. O contexto histórico e social da época passara a ser estudada por uma ciência própria. Todavia a filosofia não foi deixada de lado. Através do pensamento e concepções filosóficas marxistas permitem a sociologia que era de caráter conservador assumisse a aspecto mais criterioso, crítico.
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Sendo o principal intérprete do estágio positivo, Comte acreditava que a sociologia – ou a física social – estaria relacionada a uma hierarquia de ciências. A sociologia partilhava co outros ramos do conhecimento humana o mesmo espírito positivo que marcaria a modernidade industrial. A sociologia diferenciava-se de outros ramos do conhecimento de seu objeto de estudo, que não poderia ser explicado por razões biológicas, psicológicas, entre outras. Assim, ao olhar para a sociedade devem-se buscar as leis sociais que determinariam o curso de evolução da humanidade. Comte defende a autonomia relativa do objeto sociológico criando bases para a definição de um universo especifico para atuação do cientista social. Essa perspectiva implicava deslocar o sujeito do centro da análise, já que os fenômenos do mundo só seriam compreendidos se não os encarássemos como resultados aleatórios da ação humana.
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As ciências sociais, sociologia, esta profundamente ligada à filosofia. Não seria possível simplesmente pensar em estudar a sociedade e seus indivíduos sem pensar no homem. Este ser racional, pensante, transformador da sua vida, e dos outros. Que modifica a natureza provoca mudanças e constantes inquietações sociais, políticas e econômicas. As ciências sociais, bem como todas as ciências , dependem da filosofia. A sociologia pergunta através da reflexão filosófica o homem, a sociedade, a ciência social investiga pelos caminhos, métodos, o objeto, instiga o cientista, questiona-o, sobre a veracidade, a argumentação. Coloca a prova por meio desses questionamentos a fim de obter respostas para que se fortaleça ou não a verdade científica.
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Ciência e filosofia seguiriam interdependes. Significa dizer que ao passo que houve uma separação, há uma reciprocidade, uma cooperação. A filosofia estimula reflexões que métodos científicos comprovam. A filosofia aparece antes gerando, e orientando as hipóteses e teorias científicas, e posteriormente interpretando os resultados que a ciência produziu. Portanto, cabe dizer que as contribuições da filosofia e ciência são mútuas, interligadas, conectadas possibilitando uma miscigenação. Assim o aparecimento das novas ciências vem acompanhado de questões filosóficas, esses posicionamentos filosóficos necessitam de um tratamento especializado pelos próprios cientistas.
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A realidade de se observar, e a necessidade de compreender cientificamente o meio social, transformou a forma de se pensar a sociedade, a suas crenças, política, movimentos sociais, leis, a história, o lugar onde se vive. O que esta em jogo, não é a generalização dos homens da sociedade, criando uma visão unânime dessa observação. Busca-se individualizar os homens, cada qual nas suas biografias, na sua vida social. Entender o homem individualmente, este ser social, cabe também à filosofia. Deste universo de reflexão acerca do homem, é possível a sociologia desenvolver processos adequados. Sem a inclusão destes elementos, não seria possível compreender, acessar, entender os elementos da vida social.
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À medida que os cientistas se autodenominavam filósofos, e esta ligação ao curso da história foram separados, mas não totalmente, pode-se observar que a filosofia não é para todos. Nesse sentido não são todas as pessoas que decidem serem filósofos, serão. O filosofar vai além de uma vontade. A filosofia na sua efetividade, na sua plena potência é para poucos. No que se refere à sociologia, como ciência com objeto, teoria e método, a torna plausível o acesso, para que os indivíduos que inspirados possam estudar a sociedade e seus fenômenos. Todo o homem vive a sociedade, uma biografia e numa sequência histórica e todos eles, consciente ou inconsciente, contribuem para a sociedade e o curso da sua história. Mesmo passando por influências alheia a ele. O entendimento da história e biografia desses indivíduos, como uma inspiração filosófica, um impulso em problematizar a biografia, a história desse homem e suas relações na sociedade.
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Portanto, a filosofia permite ao homem o pensar, possibilitando uma visão critica sobre o mundo e seus problemas. Ele reflete e procura soluções para os problemas que o afligem. Sendo assim, problemas exigem argumentos racionais e lógicos para compreender a realidade que o cerca.
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A filosofia é fundamentalmente diálogo, debate de ideias. Logo não pode ficar fechada nos textos e nos livros, o discurso filosófico deve ser um discurso crítico e aberto, criativo e vivo capaz de fomentar pontos de discussão. Os discursos filosóficos têm que ser capazes de nos interpelar, de nos obrigar a deixarmos de serem leitores ou auditores passivos para sermos intervenientes na reflexão e discussão dos assuntos apresentados. Os discursos filosóficos não nos podem deixar indiferentes. É com a força dos seus argumentos ponderados, sólidos, rigorosos, que o filósofo pode intervir e contribuir para que os homens se libertem das suas prisões mentais e se assumam na sua liberdade e na sua racionalidade, encontrando os seus sentidos e a sua razão de existência.
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A Filosofia é uma parte da ciência que pode ser distinto de três modos: seja pelos conteúdos ou temas debatidos, seja pelo papel que desempenha na cultura, seja pela forma como aborda tais temas. Com relação aos conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, nem sempre a Filosofia tratou de temas selecionados, como os indicados acima. No começo, na Grécia, a Filosofia tratava de todos os temas, já que até então não havia uma separação entre ciência e filosofia. Significa dizer que a filosofia no âmbito social estaria em explicar as ideias e os conceitos elaborados. A sociologia observa as sociedades e a influência, a ação dela nas pessoas e instituições buscando apontar sua dinâmica, contradições e regularidades.
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A ambiguidade proposta permite uma valorosa contribuição. Se a filosofia até o século XIX, estava subordinada às ciências no sentido de que, os homens que faziam ciências se autodesignavam filósofos, levando a uma concepção “maternalista”, dito de outra forma, a filosofia “mãe das ciências”, pois é da filosofia que nasceram as ciências.
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A sociologia também busca contemplar, observar a realidade, a sociedade, e a forma que afeta a individualidade de cada ser. Mas para a ciência sociologia não é o bastante. Esta observará através de seu método próprio será criteriosa. Ela precisa do saber operativo. Significa dizer que sua visão utiliza técnica e método, assim como as demais ciências modernas. Seu desejo é olhar para a sociedade querendo propor mudanças, dominá-la.
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A sociologia é o discurso das sociedades, das suas crises a luz da filosofia. O conhecimento social passa a ser verificado na sua veracidade ou falsidade, de acordo com o grau de realidade que se pode verificar no mundo. Não há uma sociologia sem a filosofia, ciência sem perguntas e questionamentos, uma vez que o conhecimento obtido por meio da ciência social necessita da racionalidade e reflexão lógica da filosofia. Pois, antes da sociologia o que se tinha era a sociedade e seus problemas vistos à luz da filosofia. Se distanciá-las, estaríamos submetidos a uma completa inconsistência no conhecimento produzido. Estaríamos colocando um descrédito na sociologia, um reducionismo à filosofia ou não existiriam. Pois, o homem no processo histórico desenvolveu formas de conhecimentos, respostas humanas para os fenômenos. Partiu da mitologia com as fábulas; a teologia com deus. Filosofaram e da filosofia nasce às ciências. A capacidade humana de processar informações gerando um conhecimento da realidade geral. A ciência como resultada das transformações originadas nas culturas, e conhecimentos políticos entre os séculos XV e XVIII.A sistematização das ciências na modernidade permitiu a classificação e organização das mesmas. As ciências sociais agora possui objeto e tida como superorgânicas, e a disciplina que a estuda é a sociologia.
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É visível a contribuição filosófica para as ciências sociais. Uma questão que merece destacamento consiste no mundo da linguagem, neste universo conceitual, abstrato da filosofia. Sabe-se que num primeiro momento a filosofia estava intimamente ligada a sociologia, desde os estudos primordiais até a consolidação dessa ciência no século XX. A partir dessa consolidação e sociologia começa a produzir seu próprio universo conceitual. Os embates de cientistas frente a conceitos utilizados na ciência social possibilitam estes novos caminhos. Enquanto o sociólogo se preocupa em investigar a natureza pelas causas e efeitos de coisas e processos particulares e reais, o filósofo lida com a própria natureza da realidade como tal e em geral. Ao questionar, o que é real? O filosofo estaria levando a uma compreensão além da realidade. Há uma diferença nos conceitos que damos pra as sociedades, é o que realmente estamos querendo dizer sobre esta realidade. O mesmo acontece com a sociedade, o que queremos conceituar dela, é o que ela representa? Considerando que a Filosofia permite ao homem o exercício do pensar, dando uma visão crítica do mundo do homem e seus problemas. Desse modo, o sujeito reflete e inteligentemente busca soluções para os problemas que afligem. Pois, problemas exigem argumentos racionais e lógicos para compreender a realidade que o cerca.
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No mundo globalizado onde as transformações ocorrem espantosamente rápidas, instantâneas, e a ligação entre economia política e sociedade estão ligadas, percebe-se a intensa produção de ideias. O olhar cada vez tende estar voltado para além das aparências, contemplar as essências, para não corrermos o risco de perdermos essa essência. Desvincular-se das falsas realidades, do que diariamente nos oferecido acabado. Colocar as ideias em ação, escapando do automatismo diário. Produzir ideias, observando o tempo presente, a política, a cultura, a economia e sociedade. Evitar o comodismo e estruturar, construir uma visão própria de mundo.
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As ciências sociais, nascida da filosofia com 2500 anos, tem seu próprio caminho, bem como as outras ciências. Situa-se metódica, analítica, interpretativa diante dos fatos, das ações, das relações que os indivíduos provocam, estabelece nas sociedades.
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Nessa interminável tarefa de produzir as ideias que filosofia e sociologia trabalham. Questionam, argumentam, investigam, especulam,instigam o mundo humano, e sempre assim o farão. A filosofia e sociologia enquanto houver humanidade estarão pensando, seu tempo e espaço.
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Esta relação próxima entre sociologia e filosofia, permite que novas ideias sejam elaboradas, ideias já elaborada sejam refletidas novamente. Filosofia é uma atitude frente ao mundo, sociologia é uma ciência complexa e concreta querendo compreender este mesmo mundo. Ambas percorrem seus caminhos, e juntas fazem cada um sua história, e tem suas vidas potencializadas.
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[1] SAVIANINI, Dermival. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 17ªed. Campinas-SP,2007. 

*Paulo Cezar Kowalski graduando do Curso de Ciências Sociais da Universidade do Contestado-UnC 
Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Docente do Centro de Educação da Ufal.

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  1. ELIANE Silva
    março 05, 16:15 ELIANE Silva

    Gosto muito dos temas discutidos aqui no café com sociologia.

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  2. Renato
    janeiro 30, 11:29 Renato

    Muito conhecimento de sociologia e filosofia, mas com um português sofrível.

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  3. Gilton
    abril 27, 00:57 Gilton

    Simplesmente excelente esse texto,abrangente e esclarecedor.

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  4. Romeu Tavares
    março 05, 00:37 Romeu Tavares

    Parabéns pelo texto bem explícito.

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