Experiência docente: Simulando o Senado Federal na escola e discutindo o PL Escola sem Partido

Experiência docente: Simulando o Senado Federal na escola e discutindo o PL Escola sem Partido

Senado Federal em Sala de aula ou Como abordar o projeto Escola Sem Partido nas aulas de Sociologia

Por Suélen Pinheiro Freire Acosta

Suélen Pinheiro Freire Acosta. Licenciada em Ciências Sociais na Unisinos – RS. Mestranda PROSUC CAPES na Unisinos. Professora de Sociologia na Escola SESI de Ensino Médio Montenegro

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O estudo da divisão dos poderes no Estado Democrático, bem como sobre as funções das instituições democráticas, é parte dos conteúdos programáticos da Sociologia escolar. Mais do que a leitura de textos teóricos, documentários e exercícios escritos, a simulação prática destes espaços pode ser um meio diferenciado e inovador no aprendizado de tais questões; além do caráter lúdico e descontraído que colaboram com o processo de ensino-aprendizagem. De modo geral, debates densos, complexos e intensos fazem parte do cotidiano das aulas de Sociologia. O Projeto de Lei (PL) Escola sem Partido não poderia ficar de fora dos assuntos postos em discussão na escola. Contudo, cenário de silenciamento de professores e caça as “ideologias” tornou tal debate ainda mais difícil- e necessário.

Algumas universidades brasileiras, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS Mundi), organizam atividades para estudantes de Ensino Médio com simulações dos comitês de debate da ONU. Na edição de 2018 do UFRGS Mundi houve também a formação do comitê de comunicação, responsável pela cobertura de todo o evento, e simulação do Senado Federal para alunos e professores (em espaços separados). A simulação do Senado para os professores debateu o Projeto de Lei Escola Sem Partido (n° 193/2016).

A prática da simulação do Senado em sala de aula foi realizada após participação de grupo de estudantes e professores no UFRGS Mundi 2018, voltada para o segundo ano do Ensino Médio, envolvendo os componentes da área de Ciências Humanas, e desenvolvidas em dupla docência. A pauta da simulação na escola foi o Projeto de Lei Escola Sem Partido (n° 193/2016).

Anteriormente, as aulas de Sociologia foram dedicadas ao preparo dos alunos para tal atividade, em sequencia a trabalhos e pesquisas que discutiam a temática da educação no Brasil e o modelo de educação ideal do ponto de vista dos estudantes. Além dos materiais disponibilizados pela organização do UFRGS Mundi, na aula anterior a simulação do Senado foi realizada a distribuição dos partidos políticos participantes e os estudantes puderam pesquisar sobre os mesmos, sua história, principais membros e projetos. Foi realizada pesquisa e leitura também sobre o PL em debate. Em alguns casos, houve interesse em representar de modo caricato algum politico brasileiro, o que foi permitido desde que não contrariasse o bom funcionamento da prática e as normas da mesma.

Após a atividade, foi realizado debate na turma de forma que cada estudante pôde posicionar-se pessoalmente quanto ao PL. Dessa forma, os estudantes puderam estudar sobre como se organiza o Senado Federal brasileiro e como são propostos e votados os Projetos de Lei. Puderam ainda discutir sobre o conceito de democracia – tanto na prática da simulação como na análise do PL em questão – e diferentes modelos de educação. A participação em eventos como este fica como sugestão para ampliar as possibilidades de formação e discussão dos estudantes, construção de autonomia e protagonismo frente à questões políticas de ampla complexidade. Tanto a simulação em sala de aula, como a participação nesse tipo de atividade nas universidades, pode englobar outros componentes curriculares, inclusive para além da área das Ciências Humanas.

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Referência

UFRGS Mundi 2018. Disponível em: https://www.ufrgs.br/ufrgsmundi/Acesso em 21/01/2019

Cristiano Bodart

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Docente do Centro de Educação da Ufal.

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